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<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><title>Folha Ambiente</title><link>https://feeds.folha.uol.com.br/ambiente/rss091.xml</link><description>Últimos artigos de Folha Ambiente</description><atom:link href="https://paulofeh.github.io/rss-de-valor/feeds/folha_ambiente_feed.xml" rel="self"/><language>pt-br</language><lastBuildDate>Tue, 19 May 2026 19:53:00 +0000</lastBuildDate><ttl>60</ttl><item><title>Pacote que limita ação do Ibama e permite que Agricultura defina espécies invasoras avança na Câmara</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/ruralistas-articulam-limite-a-acao-do-ibama-e-poder-para-ministerio-definir-especies-invasoras.shtml</link><description>&lt;p&gt;A bancada ruralista pressiona pelo avanço de projetos que podem &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/03/camara-aprova-urgencia-de-projeto-para-barrar-operacoes-do-ibama-apos-recorde-de-acoes-contra-desmatamento.shtml"&gt;limitar a fiscalização &lt;/a&gt;do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ibama/"&gt;Ibama&lt;/a&gt; (Instituto Brasileiro do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/meio-ambiente/"&gt;Meio Ambiente&lt;/a&gt;) e dar poder ao &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ministerio-da-agricultura/"&gt;Ministério da Agricultura e Pecuária&lt;/a&gt; para vetar espécies classificadas por órgãos ambientais como invasoras ou sob risco, inclusive de extinção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O grupo articula com o presidente da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/camara-dos-deputados/"&gt;Câmara dos Deputados&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/hugo-motta/"&gt;Hugo Motta&lt;/a&gt; (&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/republicanos/"&gt;Republicanos&lt;/a&gt;-PB), a votação de uma série de projetos de lei no plenário da Casa ainda nesta semana. O pacote inclui pautas com viés econômico, como mudanças no Seguro Rural, na renegociação de dívidas e no acesso ao crédito para os produtores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta sobre a classificação de animais teve urgência aprovada na tarde desta terça-feira (19) e pode ser votada em plenário. A expectativa é que outras pautas também avancem nos próximos dias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também fazem parte desse grupo um texto que reduz a área de proteção da Floresta do Jamanxim, no Pará, e a votação de um requerimento que travou a proposta que libera a produção agrícola em campos de altitude.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há resistência de setores do governo Lula (PT) e de ambientalistas, em razão de possíveis impactos dessas propostas no meio ambiente causados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O objetivo da bancada ruralista, a mais forte do Congresso, é aproveitar que a atual semana é uma das poucas em que há uma grande mobilização em Brasília —o ano até aqui foi de semanas esvaziadas em razão da preparação para a campanha eleitoral, eventos no exterior e festas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Organizações como o Greenpeace, o Observatório do Clima e a Transparência Internacional se posicionaram contra a tentativa. A Frente Parlamentar da Agropecuária, fiadora da bancada do setor, a defende.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Operações do Ibama&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O projeto que &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/03/camara-aprova-urgencia-de-projeto-para-barrar-operacoes-do-ibama-apos-recorde-de-acoes-contra-desmatamento.shtml"&gt;limita os poderes do Ibama&lt;/a&gt;, como mostrou a Folha, foi uma reação do agronegócio a uma megaoperação do instituto contra o crime ambiental que teve como tática o uso de embargos remotos. A ação &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/04/apos-multas-de-r-110-mi-ibama-identifica-21-possiveis-madeireiras-fantasmas-e-de-fachada-no-para.shtml"&gt;encontrou indícios inclusive de madeireiras fantasmas&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O método consiste em cruzar informações de desmatamento aferidas via imagens de satélite com, por exemplo, áreas em que há autorização para supressão de vegetação. Quando é constatado que não houve permissão para derrubada da floresta, o órgão aplica a punição e abre um processo no qual o proprietário rural pode reverter o caso, se provar que tinha aval de algum órgão para sua ação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por um lado, essa estratégia possibilitou aos agentes de fiscalização uma ação em escala inédita, uma vez que antes era necessário ir pessoalmente a cada fazenda realizar a verificação da destruição ilegal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro, ruralistas reclamam que o método apresenta falhas e estaria punindo fazendeiros incorretamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tática permitiu a realização da operação Maravalha, que nos últimos meses apreendeu 15 mil m³ de madeira ilegal e aplicou R$ 110 milhões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ações geraram a revolta inclusive do então governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que mobilizou políticos e pressionou o governo Lula contra a medida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Fica vedada a imposição de embargo ou de outras medidas administrativas cautelares com base exclusivamente em detecção remota de alteração de cobertura vegetal potencialmente caracterizadora de infração, sendo garantida a notificação prévia do autuado", diz o projeto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O texto já teve urgência aprovada e pode ser votado no plenário.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Espécies ameaçadas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Outra prioridade da bancada é o projeto que dá ao Ministério da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/agricultura/"&gt;Agricultura&lt;/a&gt; o poder de atuar na definição de espécies invasoras ou de risco ambiental, no caso de atividades produtivas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta é uma resposta à recente decisão da Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade), que enquadrou a tilápia dentro da lista de animais exóticos e invasores —o que por si só não veda à criação do peixe, mas permitia que medidas desse tipo fossem tomadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No final de 2025, o Ministério do Meio Ambiente suspendeu temporariamente toda a lista (que abrange um total de 444 espécies), após a repercussão negativa do caso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O projeto de lei defendido pelo &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/agronegocio/"&gt;agronegócio&lt;/a&gt; diz que cabe ao Ministério da Agricultura a "manifestação técnica prévia e conclusiva sobre quaisquer atos normativos [...] que produzam efeitos diretos ou indiretos sobre espécies vegetais, animais, florestais, aquícolas ou quaisquer organismos utilizados em atividades&lt;br/&gt;
produtivas".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta prevê que nenhum ato desse tipo possa ser publicado sem um posicionamento da pasta, o que inclui o enquadramento de animais como risco ambiental, sanitário ou biológico. Ou seja, permite inclusive que a pasta interfira na definição de espécies enquadradas como sob risco de extinção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atualmente a competência para tais funções cabe aos órgãos ambientais do Executivo, que passariam a necessitar dessa aprovação do Ministério da Agricultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O texto, porém, ainda precisa que sua urgência seja aprovada, mas o objetivo da bancada ruralista é votar também o mérito da proposta, já no plenário, nesta semana.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Jamanxim e campos de altitude&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Também estão na lista de propostas impulsionadas pelo agronegócio um projeto de 2017 que reduz em mais de 25% o tamanho da Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso, no Pará.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O objetivo da proposta é devolver a área a produtores rurais. Em compensação, ele prevê a criação de uma área de proteção ambiental (APA) na mesma região.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O total da área retirada da floresta nacional é de 814 mil hectares, que serão devolvidos a fazendeiros, enquanto a APA terá 486 mil hectares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O governo Lula pediu que o projeto, apresentado pela gestão Temer em 2017, seja retirado de tramitação, mas mesmo assim ele ainda pode ser votado no plenário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O setor também se movimenta para derrubar um requerimento apresentado pela ala ambientalista que tenta travar a tramitação de um projeto que permite a produção agrícola em campos de altitude, áreas consideradas sensíveis e importantes para a preservação do ecossistema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em caráter conclusivo, o que significa que ela pode ir direto para o Senado, sem precisar passar pelo plenário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, foi apresentado um requerimento para que ela fosse submetida, sim, ao plenário. E agora o agro tenta derrubar o pedido e liberar sua tramitação.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">João Gabriel</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 19:53:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/ruralistas-articulam-limite-a-acao-do-ibama-e-poder-para-ministerio-definir-especies-invasoras.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/ruralistas-articulam-limite-a-acao-do-ibama-e-poder-para-ministerio-definir-especies-invasoras.shtml</guid></item><item><title>Dados genéticos apontam Camarões como foco de tráfico internacional de pangolins</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/estudo-traca-rota-de-trafico-de-pangolins-a-partir-de-mapa-genetico.shtml</link><description>&lt;p&gt;Um estudo conseguiu mapear, pela primeira vez, a &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/06/eua-reforca-protecao-do-pangolim-o-mamifero-mais-traficado-do-mundo.shtml"&gt;rota de tráfico&lt;/a&gt; de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/03/pangolim-pode-ser-elo-perdido-entre-coronavirus-e-seres-humanos-diz-nova-pesquisa.shtml"&gt;pangolins&lt;/a&gt; desde o local de captura na natureza até os mercados onde os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/animais/"&gt;animais&lt;/a&gt; foram vendidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com uso de marcadores de genéticos, os pesquisadores associaram apreensões da polícia, espécimes depositados em museus e até escamas comercializadas ilegalmente na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/china/"&gt;China&lt;/a&gt; a regiões específicas de origem, identificando as principais rotas do&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2016/10/1820628-acordo-quer-acabar-com-comercio-de-pangolim-mamifero-mais-traficado.shtml"&gt; tráfico desses mamíferos&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O trabalho revelou dois grandes deslocamentos. Um deles envolve &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/02/novos-estudos-voltam-a-indicar-mercado-em-wuhan-como-origem-da-pandemia-de-covid.shtml"&gt;mercados locais de carne silvestre&lt;/a&gt;, abastecidos por animais capturados entre 8 e 180 quilômetros de seus habitats. O outro corresponde ao tráfico internacional, no qual pangolins vivos ou mortos percorrem até 20 mil km para atender principalmente o mercado ligado à &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2016/09/1816969-usado-na-medicina-pangolim-e-o-mamifero-mais-traficado-do-mundo.shtml"&gt;medicina tradicional chinesa&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em muitos casos, porém, essas rotas se sobrepõem, indicando que a caça local também pode alimentar o comércio internacional. Segundo o sul-africano Sean Heighton, à época pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Toulouse (França) e primeiro autor do estudo, o mapeamento pode ajudar governos e autoridades a monitorar e combater o tráfico com mais precisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O artigo foi publicado no início do mês na &lt;a href="https://journals.plos.org/plosbiology/article?id=10.1371/journal.pbio.3003762"&gt;revista científica PLOS Biology&lt;/a&gt; e é liderado por Philippe Gaubert, também da Universidade de Toulouse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com oito espécies descritas —e uma nona ainda em processo de identificação—, o pangolim é considerado o mamífero mais traficado do mundo. Além do valor das escamas usadas na medicina tradicional asiática, sua carne é consumida tanto em vilarejos quanto em centros urbanos na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/africa/"&gt;África&lt;/a&gt; e &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/asia/"&gt;Ásia&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo Heighton, a inspiração para o estudo veio de um projeto anterior de Gaubert focado na caça de rinocerontes, no qual foi possível associar chifres apreendidos às carcaças dos animais por meio do DNA. "A diferença é que não temos a carcaça dos pangolins. Quando ele é caçado ilegalmente, praticamente todo o animal é utilizado", afirma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de pequenos marcadores de RNA capazes de identificar assinaturas específicas de cada espécie, os cientistas criaram um "mapa geográfico genético" dos pangolins. O diferencial do estudo, segundo os autores, está na capacidade de rastrear a origem dos animais usando amostras mínimas, inclusive materiais degradados ou preservados há mais de 150 anos em coleções de museus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"O que tentamos desenvolver foi um banco de dados de referência em que, em vez de coordenadas de GPS, temos um DNA geolocalizado", explica Heighton.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;DNA geolocalizado&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O estudo reuniu 803 amostras genéticas de três das espécies mais traficadas do mundo: o pangolim-arborícola (Phataginus tricuspis), encontrado na África Ocidental e Central; o pangolim-de-sunda (Manis javanica), da Malásia e Indonésia; e o pangolim-chinês (Manis pentadactyla).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com isso, os pesquisadores identificaram regiões que funcionam como grandes centros de abastecimento do tráfico internacional (ou "hotspots"). No caso do pangolim-arborícola, o principal hotspot foi Camarões, na África Central. Embora a espécie seja amplamente consumida em mercados locais de carne silvestre, o país também aparece como rota para a Nigéria, de onde muitos animais seguem para o mercado asiático, frequentemente passando pela Europa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"A rota do tráfico internacional é muito descentralizada. Os traficantes usam diferentes portos em países conhecidos pelo comércio ilegal de animais, mas o transporte geralmente começa por terra, atravessando fronteiras", afirma o pesquisador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já para o pangolim-de-sunda, o principal foco de tráfico foi identificado no sudoeste da ilha de Bornéu, enquanto o pangolim-chinês teve hotspots concentrados em áreas de Mianmar. Segundo os autores, essas regiões devem ser priorizadas em ações de fiscalização e conservação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"O que isso significa é que saímos de uma situação em que as autoridades não sabiam exatamente onde a caça ilegal acontecia para um cenário em que conseguimos mapear essas áreas com precisão. Sabemos em quais florestas esses animais estão sendo caçados e temos uma boa ideia das rotas usadas até o consumidor final", resume Heighton.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A expectativa, diz o pesquisador, é expandir a metodologia para outras espécies ameaçadas e fortalecer a cooperação internacional no combate ao tráfico de fauna.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Esse trabalho envolveu pesquisadores de mais de 15 países. Nossa esperança é conseguir mais investimento, inclusive dos governos onde esses animais ocorrem, além de agências de inteligência como a Interpol, para construir um consórcio e, eventualmente, uma ferramenta que cada governo possa implementar em seu país de origem", afirma o pesquisador.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Ana Bottallo</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 10:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/estudo-traca-rota-de-trafico-de-pangolins-a-partir-de-mapa-genetico.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/estudo-traca-rota-de-trafico-de-pangolins-a-partir-de-mapa-genetico.shtml</guid></item><item><title>Lula defende explorar petróleo na margem equatorial antes que Trump 'ache que é dele'</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/lula-defende-exploracao-de-petroleo-na-margem-equatorial-antes-que-trump-ache-que-e-dele.shtml</link><description>&lt;p&gt;O presidente Luiz Inácio &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/lula/"&gt;Lula&lt;/a&gt; da Silva (PT) voltou a defender a exploração de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/petroleo/"&gt;petróleo&lt;/a&gt; na margem equatorial do Brasil, afirmando que o país deve explorar a região antes que o presidente dos &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/estados-unidos/"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/donald-trump/"&gt;Donald Trump&lt;/a&gt;, decida ocupá-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"A gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar [de usar] uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem. Daqui a pouco o Trump vem, acha que é dele e vai lá", afirmou Lula nesta segunda-feira (18) em Paulínia (SP).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na sequência, o presidente lembrou declarações recentes do presidente norte-americano, que insinuou que poderia ocupar o Canadá, a Groenlândia, o Golfo do México e o Canal do Panamá: "Quem é que [garante que] ele não vai dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então, nós vamos ocupar."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lula afirmou ainda que "ninguém tem mais responsabilidade com a amazônia" do que o Brasil, afirmando que os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/producao-de-combustiveis-da-petrobras-cresce-64-no-1o-trimestre-com-guerra-no-ira.shtml"&gt;recursos da eventual produção de petróleo &lt;/a&gt;seriam revretidos para o país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A margem equatorial vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e é onde fica a bacia da Foz do Amazonas —considerada a mais promissora para o setor de combustíveis fósseis, após descobertas gigantes de petróleo na Guiana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A exploração de petróleo na Foz do Amazonas é&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/ministerio-publico-recorre-para-tentar-suspender-poco-de-petroleo-na-foz-do-amazonas.shtml"&gt; um dos pontos de maior tensão neste mandato de Lula&lt;/a&gt;, opondo os ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A região é vista como etapa crucial pela&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/em-leilao-disputado-governo-concede-19-novas-areas-para-exploracao-de-petroleo-na-foz-do-amazonas.shtml"&gt; Petrobras para ampliar suas reservas&lt;/a&gt;, mas especialistas apontam que a gestão de um possível acidente na região, de grande sensibilidade ambiental, seria difícil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A área abriga os maiores manguezais do Brasil, na costa do Amapá, e imensos sistemas de recifes de corais, que foram descobertos recentemente e sobre os quais ainda se sabe pouco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao lado da presidente da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/petrobras/"&gt;Petrobras&lt;/a&gt;, Magda Chambriard, Lula visitou a Replan (Refinaria de Paulínia) para anunciar investimentos da estatal em São Paulo. O montante chega a R$ 37 bilhões até 2030.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os recursos serão voltados ao biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável, com estimativa de criação de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cerca de R$ 6 bilhões serão aplicados na Replan, a maior refinaria da Petrobras, responsável pelo abastecimento de mais de 30% do território brasileiro.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">João Pedro Pitombo</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 19:43:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/lula-defende-exploracao-de-petroleo-na-margem-equatorial-antes-que-trump-ache-que-e-dele.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/lula-defende-exploracao-de-petroleo-na-margem-equatorial-antes-que-trump-ache-que-e-dele.shtml</guid></item><item><title>América Latina sofre com desastres climáticos, mas mortes por calor são subnotificadas</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/america-latina-sofre-com-desastres-climaticos-mas-mortes-por-calor-sao-subnotificadas.shtml</link><description>&lt;p&gt;A &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/america-latina/"&gt;América Latina&lt;/a&gt; e o &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/12/mudanca-climatica-altera-padrao-de-grandes-manchas-de-algas-no-atlantico.shtml"&gt;Caribe &lt;/a&gt;vivenciaram em 2025 uma &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2023/07/clima-extremo-na-america-latina-abre-ciclo-vicioso-que-alimenta-mais-riscos-climaticos.shtml"&gt;série de desastres climáticos&lt;/a&gt; e ondas de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/calor/"&gt;calor&lt;/a&gt; que sufocaram suas populações. Apesar disso, a região não consegue contabilizar com precisão as mortes causadas por temperaturas extremas, alerta um&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/03/desequilibrio-do-clima-e-crescente-e-sera-sentido-por-seculos-aponta-onu.shtml"&gt; relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial)&lt;/a&gt;, braço meteorológico da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/onu/"&gt;ONU&lt;/a&gt; (Organização das Nações Unidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lançado anualmente, o levantamento "O estado do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/clima/"&gt;clima&lt;/a&gt; na América Latina e no Caribe" foi apresentado nesta segunda-feira (18) em Brasília e registra um ano de recordes em quase todos os aspectos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/06/casal-morre-apos-ter-carro-arrastado-pela-chuva-no-interior-do-rs.shtml"&gt;Chuvas torrenciais&lt;/a&gt;, com enchentes e deslizamentos de terra, atingiram diversos países, incluindo Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Brasil. &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/10/melissa-e-o-furacao-mais-potente-a-atingir-a-terra-em-90-anos-aponta-agencia.shtml"&gt;O furacão Melissa devastou a Jamaica&lt;/a&gt;, causando perdas de mais de 40% do seu PIB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, 85% do território mexicano foi afetado pela seca, enquanto as &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/02/derretimento-de-geleiras-esta-se-acelerando-alerta-estudo.shtml"&gt;geleiras andinas, das quais dependem cerca de 90 milhões de pessoas, tiveram derretimento acelerado.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ondas de calor recorrentes e intensas assolaram grande parte da região, com temperaturas acima de 45°C em diversas áreas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O documento destaca que as altíssimas temperaturas representam um fardo crescente para a saúde pública. No entanto, a maioria dos países não publica sistematicamente dados sobre mortes relacionadas ao calor, e os impactos geralmente são inferidos a partir de análises do excesso de mortalidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A organização estima que cerca de 13 mil pessoas morrem anualmente na América Latina por causas relacionadas ao calor, com base em uma média feita com dados de 17 países entre 2012 e 2021. No entanto, a OMM alerta que os casos são subnotificados e, assim, o número é quase certamente uma subestimação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"À medida que os eventos de calor extremo se intensificam, a mortalidade evitável só pode ser reduzida fortalecendo a cooperação entre as esferas de clima e saúde", afirma a entidade, ressaltando que há necessidade urgente em integrar alertas meteorológicos precoces aos sistemas de ativação da saúde pública.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Brasil ilustra tanto a magnitude do problema quanto as limitações de países latino americanos e caribenhos. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/02/as-razoes-por-tras-da-onda-de-calor-recorde-no-rio-de-janeiro-e-em-outras-partes-do-brasil.shtml"&gt;sete ondas de calor ao longo de 2025&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em fevereiro, o Rio de Janeiro atingiu 44°C e, em dezembro, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/12/sao-paulo-bate-recorde-de-calor-para-dezembro-com-363-neste-domingo.shtml"&gt;São Paulo bateu seu recorde histórico &lt;/a&gt;com 37,2°C, a temperatura mais alta registrada em 64 anos de medições.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As escolas adiaram a volta às aulas e algumas pessoas buscaram alívio nas praias e em &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/02/rio-registra-quase-3000-atendimentos-relacionados-ao-calor.shtml"&gt;"refúgios climáticos" montados pelas autoridades municipais&lt;/a&gt;. As mortes diretamente atribuídas ao calor nesse período, porém, permanecem em grande parte invisíveis nas estatísticas oficiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A secretária-geral da OMM, a argentina Celeste Saulo, afirmou que o relatório é um chamado à ação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Ele nos insta a fortalecer as observações, investir em serviços, corrigir as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa", declarou em um comunicado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Plano de Ação em Saúde de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/belem/"&gt;Belém&lt;/a&gt;, aprovado na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/cop30/"&gt;COP30&lt;/a&gt;, conferência climática das Nações Unidas ocorrida em novembro, estabelece um roteiro para adaptar os sistemas de saúde à crise climática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A OMM pediu que as soluções propostas sejam implementadas para reduzir os impatos da mudança do clima, em especial sobre as populações mais vulneráveis.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 18:05:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/america-latina-sofre-com-desastres-climaticos-mas-mortes-por-calor-sao-subnotificadas.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/america-latina-sofre-com-desastres-climaticos-mas-mortes-por-calor-sao-subnotificadas.shtml</guid></item><item><title>Vem aí um El Niño forte, já impactado pelo aquecimento global</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/vem-ai-um-el-nino-forte-ja-impactado-pelo-aquecimento-global.shtml</link><description>&lt;p&gt;Os meteorologistas afirmam que um &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/04/el-nino-pode-ser-forte-e-comecar-nos-proximos-meses-diz-onu.shtml"&gt;El Niño potente pode se formar ainda este ano&lt;/a&gt;, com chances de se tornar um dos eventos &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/04/o-super-el-nino-esta-chegando.shtml"&gt;mais intensos das últimas três décadas&lt;/a&gt;. Os ventos sobre o Pacífico já estão mudando e o oceano está liberando o calor acumulado, o que pode resultar em chuvas, secas e&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/cientistas-temem-ano-severo-de-incendios-no-mundo-em-razao-de-el-nino.shtml"&gt; incêndios florestais severos.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês) afirma que as chances do El Niño se desenvolver entre maio e julho são altas. Essa é uma das principais razões para os cientistas afirmarem que o fenômeno&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/superficie-dos-oceanos-tem-a-segunda-mais-alta-temperatura-ja-registrada.shtml"&gt; pode levar o planeta a bater o recorde de 2024 de ano mais quente&lt;/a&gt; desde o início dos registros modernos, em meados do século 19.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El Niño e La Niña são as fases opostas de um ciclo climático natural ativo no Pacífico há milênios. Ambos se manifestam em intervalos irregulares e diferentes intensidades, mas o aquecimento constante causado pela queima de combustíveis fósseis já influencia a maneira como esses episódios moldam o &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/clima/"&gt;clima&lt;/a&gt; em termos mundiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Estamos agora em uma linha de base climática diferente, ou seja, não dá mais para ter os episódios passados como base para o futuro", explica Clara Deser, cientista do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, no Colorado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há séculos a vida na América do Sul está ligada ao El Niño, caracterizado pelo acúmulo de água quente na costa do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/peru/"&gt;Peru&lt;/a&gt; e do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/equador/"&gt;Equador&lt;/a&gt;. Os episódios mais potentes causam uma série de efeitos em &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/america-do-sul/"&gt;todo o continente&lt;/a&gt;, como as inundações severas no sul do Brasil em 1982-83; a seca que devastou as plantações de café na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/colombia/"&gt;Colômbia&lt;/a&gt; em 1997-98; e as chuvas abaixo do normal e os incêndios na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/amazonia/"&gt;amazônia&lt;/a&gt; em 2015-16.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em termos técnicos, a ocorrência mais recente, de 2023-24, não foi tão forte quanto as anteriores, mas os efeitos foram mais catastróficos em algumas áreas: a estiagem reduziu parte dos rios da bacia amazônica aos níveis mais baixos em 120 anos; os incêndios arrasaram o &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/pantanal/"&gt;pantanal&lt;/a&gt;, maior zona úmida tropical do mundo; no Rio Grande do Sul, os níveis pluviométricos desalojaram meio milhão de pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os cientistas também descobriram que o aquecimento induzido pelo homem foi um agravante importante nessa situação. "Os efeitos seguiram o padrão esperado, mas foram muito piores por causa da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/mudanca-climatica/"&gt;mudança climática&lt;/a&gt;, pois agora seu impacto ocorre em uma atmosfera mais quente", afirma Regina Rodrigues, professora de oceanografia física da Universidade Federal de Santa Catarina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O calor excessivo aumentou a evaporação, o que por sua vez agravou a seca na Amazônia —e também intensificou as chuvas no sul do país, já que o ar mais quente retém mais umidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na América do Norte, o El Niño normalmente gera condições mais úmidas na faixa sul dos &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/estados-unidos/"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt; e um clima mais quente e seco no norte. O El Niño muito forte que começou em 1997, por exemplo, causou um período de tempestades torrenciais na Califórnia que durou várias semanas, e recordes de alta temperatura no Meio Oeste e no Nordeste. Outro resultado foi que a atividade de furacões no Atlântico nos meses anteriores ficou abaixo do normal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, os efeitos dos dois El Niños fortes que vieram depois disso foram relativamente moderados na América do Norte. Uma das razões para isso em 2023-24, como descobriram os cientistas, foi um padrão de calor incomum na região tropical do Índico e do Atlântico, compensando os efeitos do fenômeno. As altas temperaturas provavelmente foram impulsionadas pelas emissões de gases de efeito estufa e por variações climáticas naturais de longo prazo que os cientistas ainda estão tentando decifrar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Um El Niño mais intenso só aumenta as probabilidades de certos resultados, mas não é garantia de nada", esclarece a meteorologista Michelle L'Heureux, que coordena as atualizações sobre o El Niño e a La Niña da Noaa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Ásia, o fenômeno implica em calor e mais seca &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/asia/"&gt;nas regiões sul e sudeste&lt;/a&gt;, mas para a &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/china/"&gt;China&lt;/a&gt;, por exemplo, gera consequências mais graves —como em 1997-98, quando o país sofreu as piores enchentes em quase meio século. O rio Yang-Tsé e seus afluentes sofreram com dois meses de chuvas intensas, o que resultou na morte de três mil pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"O que aconteceu foi que, em 1998, o El Niño forte passou para uma La Niña também robusta muito rapidamente, fazendo com que o sistema de alta pressão sobre o Pacífico ocidental canalizasse o ar quente e úmido dos trópicos e o empurrasse na direção do país", descreve Wenju Cai, climatologista da Universidade Oceânica da China.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os cientistas já contam que os El Niños e La Niñas mais intensos se tornarão mais frequentes à medida que o ser humano continuar aquecendo o planeta, o que também pode levar a oscilações bruscas entre os dois fenômenos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Até agora era relativamente raro ter uma La Niña forte (com o resfriamento da região leste e central do Pacífico) se transformando em um El Niño poderoso porque o processo de aquecimento do oceano leva anos. "Mas em um estudo recente descobrimos que o aquecimento global pode estar tornando esse fenômeno mais comum ", diz Cai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na África, o El Niño tende a estancar as estações chuvosas de&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/africa/"&gt; duas regiões&lt;/a&gt;: de julho a setembro no Sahel, e de novembro a março no sul do continente. Ele também costuma coincidir com ventos que sopram ar quente e úmido do Oceano Índico em direção à África oriental, causando inundações, deslizamentos de terra e surtos de malária.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o ser humano, as consequências podem ser terríveis —como em 2015-16, quando o El Niño causou quebras nas colheitas no sul do continente, levando a uma redução de mais de 60% na produção de alimentos de alguns países.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aquecimento causado pelos gases de efeito estufa está agravando as condições meteorológicas na África, sejam elas provocadas pelo El Niño ou não, explica Cai. "Tanto os extremos de estiagem como de excesso de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/chuva/"&gt;chuva&lt;/a&gt; aumentam", diz ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Oceania, o El Niño geralmente significa chuvas abaixo da média. Ali ao lado, a Indonésia se prepara para incêndios florestais, e seus vizinhos, para lidar com a fumaça. Agora, no entanto, segundo Andréa Taschetto, climatologista da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sidney, na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/australia/"&gt;Austrália&lt;/a&gt;, o aquecimento global é que dita quais as áreas dos mares&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/oceania/"&gt; ao redor da região &lt;/a&gt;que aquecem mais, e a que ponto, o que pode definir o volume de chuva efetivo gerado pelo El Niño e pela La Niña.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de todas essas incertezas, esses fenômenos meteorológicos continuam sendo sinais extremamente úteis para predizer o clima, afirma a especialista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para agricultores, gestores de terras, agências de prevenção de desastres e seguradoras, não há nada que seja tão confiável em termos de previsão sobre como o mundo estará nos próximos meses. "São as melhores garantias que temos", diz Taschetto.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Raymond Zhong</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 10:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/vem-ai-um-el-nino-forte-ja-impactado-pelo-aquecimento-global.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/vem-ai-um-el-nino-forte-ja-impactado-pelo-aquecimento-global.shtml</guid></item><item><title>Treze terras indígenas concentram 51% do desmate em territórios monitorados na amazônia</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/treze-terras-indigenas-concentram-51-do-desmate-em-territorios-monitorados-na-amazonia.shtml</link><description>&lt;p&gt;Treze territórios demarcados concentraram 51% do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/desmatamento/"&gt;desmatamento&lt;/a&gt; registrado em 2025 em terras &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/indigenas/"&gt;indígenas&lt;/a&gt; na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/amazonia/"&gt;Amazônia&lt;/a&gt; Legal. Ao todo, a &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/funai/"&gt;Funai&lt;/a&gt; (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) monitora 395 áreas dessas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O balanço faz parte de um relatório da autarquia ao qual a Folha teve acesso. Segundo o documento, de maneira geral, houve queda de 25% no desmatamento em territórios indígenas no ano passado. Contudo, a &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/nova-corrida-do-ouro-ameaca-a-amazonia.shtml"&gt;pressão dos criminosos&lt;/a&gt; continua intensa em regiões específicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A reportagem procurou o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o Ministério do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/meio-ambiente/"&gt;Meio Ambiente&lt;/a&gt; e o &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ibama/"&gt;Ibama&lt;/a&gt; (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para comentar os dados e apontar possíveis ações que devem ser retomadas nas áreas mais críticas. Não houve resposta até a publicação deste texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao todo, foram contabilizados 30.128 hectares de desmatamento de corte raso em 2025 (ante 40.178 hectares em 2024). Este termo se refere a situações em que toda a vegetação é derrubada, deixando a área completamente sem floresta. Normalmente, esse tipo de devastação ocorre para dar lugar a pasto ou a plantio de soja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os dados da Funai mostram que 324 terras indígenas da região sofreram com esse tipo de exploração mais crítica, o equivalente a 82% das terras monitoradas pela fundação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dos 30 mil hectares derrubados, 15,3 mil hectares estão concentrados em 13 terras demarcadas:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Porquinhos dos Canela-Apãnjekra;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Sararé;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Utaria Wyhyna/Iròdu Iràna;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Kanela Memortumré;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Aripuanã;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Kayapó;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Alto Rio Negro;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Cachoeira Seca;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Raposa Serra do Sol;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Bacurizinho;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Parque do Aripuanã;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Munduruku;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Batelão.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Essas 13 áreas ficam localizadas no &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/maranhao-estado/"&gt;Maranhão&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/para-estado/"&gt;Pará&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/mato-grosso-estado/"&gt;Mato Grosso&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/amazonas-estado/"&gt;Amazonas &lt;/a&gt;e &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/roraima-estado/"&gt;Roraima &lt;/a&gt;e estão no chamado arco da devastação, uma faixa que inclui o sul e o leste da amazônia e que&lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/04/para-autoriza-belo-sun-a-minerar-ouro-na-volta-grande-do-xingu-mpf-e-grupos-indigenas-contestam.shtml"&gt; sofre com o avanço&lt;/a&gt; da agropecuária, garimpo, extração ilegal de madeira e da ocupação irregular de terras públicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O corte raso não é o único tipo de desmatamento que destrói a floresta. O relatório também registra os locais onde houve degradação de terras, quando a ação na floresta é mais seletiva, para atividades como roubo de madeira. Uma terceira categoria diz respeito a danos à regeneração da mata, quando o crime afeta áreas que já estavam se recuperando.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os casos de degradação chegaram a 43.076 hectares. Já as terras em regeneração foram atingidas em 8.540 hectares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somando os três tipos de crimes contra a floresta, a área total afetada entre os 395 pontos monitorados chegou a 81,7 mil hectares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de ser um &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/01/a-nova-rota-do-ouro-clandestino-no-brasil-que-abastece-o-mercado-internacional.shtml"&gt;volume crítico de desmatamento&lt;/a&gt;, o resultado é 36% inferior ao total verificado em 2024, quando 128 mil hectares de florestas em terras demarcadas foram atingidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No caso específico do corte raso, os 30 mil hectares verificados em 2025 foram o menor patamar da série histórica, iniciada em 2016.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O relatório mostra que 7 das 13 áreas apresentaram queda no desmate entre 2025 e 2024. Foi o que ocorreu, por exemplo, nas terras indígenas Sararé (32%), Kayapó (54%) e Cachoeira Seca (68%). Outros seis territórios, porém, tiveram crescimento do desmatamento no período, como Kanela Memortumré (166%), Aripuanã (129%) e Bacurizinho (30%).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Amazônia Legal é uma região usada pelo governo para planejar políticas públicas ligadas à proteção da floresta. Sua área abrange nove estados: &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/acre-estado/"&gt;Acre&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/amapa-estado/"&gt;Amapá&lt;/a&gt;, Amazonas, Pará, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/rondonia-estado/"&gt;Rondônia&lt;/a&gt;, Roraima, Mato Grosso, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/tocantins-estado/"&gt;Tocantins &lt;/a&gt;e parte do Maranhão. Ela ocupa 59% do território nacional e reúne a maior parte das terras indígenas do país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No documento da Funai, os técnicos da autarquia avaliam que, "considerando a tendência observada de alta concentração de grande parte do desmatamento em um grupo restrito de terras indígenas, a atuação focada nestas áreas com ações de proteção territorial tende a otimizar os resultados na redução dos índices de desmatamento nas terras indígenas como um todo".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Brasil terá de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/12/brasil-tera-de-quadruplicar-restauracao-de-florestas-para-atingir-meta-ate-2030.shtml"&gt;quadruplicar o ritmo&lt;/a&gt; atual de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/brasileiros-apresentam-na-cop30-mecanismo-financeiro-para-restaurar-florestas-tropicais.shtml"&gt;restauração de florestas&lt;/a&gt; para atingir a meta de recuperar 12 milhões de hectares até 2030. Se quiser cumprir a promessa, o país deverá restaurar, em cada um dos próximos cinco anos, uma área equivalente a 11 vezes a cidade de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/sao-paulo/"&gt;São Paulo&lt;/a&gt; ou a 14 vezes a cidade do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Incêndios florestais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O Centro de Monitoramento Remoto da Funai também identificou que 195 terras indígenas da Amazônia Legal foram alvos de queimadas em 2025.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim como ocorre com o desmatamento, o impacto das queimadas está concentrado em algumas áreas. Seis delas responderam por metade do total: Parque do Araguaia (MT), Raposa Serra do Sol (RR), São Marcos (RR), Parabubure (MT), Parque do Tumucumaque (AP) e (PA) e Kraolândia (TO) e (MA).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Após os incêndios recordes de 2024, algumas registraram recuo na área atingida no ano passado. Foi o caso da terra Parque do Araguaia, por exemplo, onde a área queimada passou de 798,6 mil hectares em 2024 para 432,5 mil hectares em 2025, uma redução de 46%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Parque do Tumucumaque, a área caiu de 146,9 mil para 128,2 mil hectares no mesmo intervalo, uma diminuição de 13%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em alguns territórios, porém, houve aumento das queimadas. Na terra indígena Raposa Serra do Sol, a área atingida subiu 36%, de 259,7 mil hectares em 2024 para 354 mil hectares em 2025. Em São Marcos, o crescimento foi de 78%, saindo de 86,8 mil para 154,3 mil hectares derrubados pelo fogo.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">André Borges</dc:creator><pubDate>Sun, 17 May 2026 10:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/treze-terras-indigenas-concentram-51-do-desmate-em-territorios-monitorados-na-amazonia.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/treze-terras-indigenas-concentram-51-do-desmate-em-territorios-monitorados-na-amazonia.shtml</guid></item><item><title>Brasil reaproveita só 1,3% dos materiais que consome, diz novo relatório</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/brasil-reaproveita-so-13-dos-materiais-que-consome-diz-novo-relatorio.shtml</link><description>&lt;p&gt;O Dia Mundial da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/06/falta-de-educacao-e-coleta-seletiva-dificultam-reaproveitamento-de-materiais-apos-o-consumo.shtml"&gt;Reciclagem&lt;/a&gt; é celebrado neste domingo (17), mas o Brasil tem pouco a comemorar: apenas 1,3% dos materiais consumidos internamente são reutilizados, enquanto a &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/05/so-69-dos-materiais-usados-no-mundo-sao-reciclados-diz-estudo.shtml"&gt;média global é de 6,9% de reaproveitamento&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É o que aponta o relatório Circularity Gap Report, produzido pela organização internacional Circular Economy e pela consultoria Deloitte. A Folha teve acesso exclusivo ao recorte brasileiro do estudo, que detalha pela primeira vez o quanto o país está distante da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/06/como-a-economia-circular-pode-resolver-a-crise-global-do-lixo-veja-video.shtml"&gt;economia circular&lt;/a&gt;, sistema em que objetos descartados deixam de virar lixo e são transformados em novos produtos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A economia brasileira segue o modelo linear, de produção, uso e descarte: 98,7% dos recursos retirados do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/meio-ambiente/"&gt;meio ambiente&lt;/a&gt; são consumidos uma única vez e acabam se tornando resíduos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Maria Emília Peres, sócia de estratégia em sustentabilidade da Deloitte Brasil, afirma que o quadro se deve ao perfil extrativista do país, baseado em mineração, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/agronegocio/"&gt;agropecuária&lt;/a&gt; e construção civil —setores que consomem grandes volumes de materiais com baixo aproveitamento posterior. "Não é um problema de comportamento individual, é um problema de arquitetura econômica", diz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Brasil extraiu 5,2 bilhões de toneladas de matéria-prima virgem em 2023, sendo que 4,1 bilhões de toneladas foram consumidas internamente e o restante foi exportado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da pequena parcela de materiais reaproveitados, apenas 3,7% vêm do tratamento de resíduos domésticos. Atividades de construção e demolição estão ligadas a 48,2% dos itens reciclados, e subprodutos industriais e agrícolas respondem por 48,1% do total.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os números mostram que o reúso se concentra na cadeia produtiva, como o cascalho que volta para uma obra e o bagaço de cana-de-açúcar que vira &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/energia-limpa/"&gt;energia&lt;/a&gt;, e não na gestão do lixo, diz Peres. "A circularidade que temos é quase acidental, não sistêmica."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em média, cada brasileiro consome 19,8 toneladas de recursos naturais por ano, acima do patamar global, de 12,6 toneladas por pessoa, e mais que o dobro do nível sustentável, de 8 toneladas anuais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As nações em desenvolvimento tendem a consumir menos, mas os dados mostram que o Brasil consome muito e reaproveita pouco, afirma Peres. "Isso quebra um certo conforto narrativo de que 'somos menos culpados porque somos menos desenvolvidos'. Não somos."&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;RECICLAGEM&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O índice de circularidade olha para ciclo completo: quanto material entra na economia, quanto é reaproveitado e em que qualidade. Já os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/12/reciclagem-de-residuos-chega-a-8-no-pais-com-trabalho-informal-aponta-estudo.shtml"&gt;indicadores de reciclagem&lt;/a&gt; consideram apenas o volume do resíduo gerado que volta ao processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Um país pode reciclar bem e ainda assim ter uma economia altamente linear se continuar extraindo recursos em ritmo insustentável. O Brasil é um exemplo disso", afirma Peres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O relatório nacional calcula que 608 milhões de toneladas de resíduos foram geradas em 2023. Porém, apenas 43,5 milhões de toneladas, ou 7,2%, foram recicladas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cerca de 262 milhões de toneladas, ou 43%, tiveram destinação inadequada, como lixões, ou sequer tiveram coleta, aumentando o risco de contaminação ambiental. Por outro lado, 302,2 milhões de toneladas (49,7%) foram direcionadas a aterros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As organizações reconhecem o trabalho dos &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/06/motores-da-reciclagem-catadoras-ganham-mal-e-sofrem-preconceito.shtml"&gt;catadores&lt;/a&gt; e o alto nível de reciclagem de alguns materiais, como latinhas de alumínio (97%) e papelão (67%), mas afirmam que há ineficiência na gestão dos resíduos do país.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;EXTRAÇÃO DOMÉSTICA DE RECURSOS&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A biomassa representa 57,1% dos recursos extraídos, com 2,9 bilhões de toneladas, sendo que 2,6 bilhões de toneladas permanecem no mercado interno para atender à demanda por alimentos, ração animal e combustíveis, principalmente &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/etanol/"&gt;etanol&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recursos minerais não metálicos, como areia, cascalho, calcário e argila, respondem por 23,3% do total explorado, ou 1,2 bilhão de toneladas, e abastecem a construção civil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/fronteiras-da-mineracao/"&gt;mineração&lt;/a&gt; equivale a 16,1% dos recursos extraídos anualmente, sendo 560,9 milhões de toneladas apenas em minério de ferro e compostos relacionados. Já os combustíveis fósseis representam 3,5% do total, e o relatório destaca o aumento dos investimentos nesse setor, apesar de metas de redução dos gases-estufa.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;PEGADA MATERIAL&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;As organizações também calcularam a pegada material da economia brasileira. Esse indicador mede a quantidade de matérias-primas incorporadas na cadeia de suprimentos para satisfazer a demanda de bens e serviços, independentemente de onde ocorre a extração, o processamento ou o descarte dos recursos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os sistemas alimentares lideram a demanda de recursos naturais, com 2,2 bilhões de toneladas em 2023. A manufatura aparece na segunda posição, com 596 milhões de toneladas, e abrange a fabricação de alimentos e bebidas, além das indústrias têxtil, automotiva e química.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O setor de construção e infraestrutura absorveu 514 milhões de toneladas, seguido por serviços (330 milhões de toneladas), mobilidade (285 milhões de toneladas), &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/saude/"&gt;saúde&lt;/a&gt; e educação (117 milhões de toneladas) e comunicações (55 milhões de toneladas).&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;PEGADA DE CARBONO&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Bens e serviços consumidos no Brasil geram anualmente cerca de 1,4 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), medida que agrega diferentes gases do efeito estufa. Cada brasileiro emite, em média, 6,5 toneladas de CO2e por ano, ligeiramente acima do nível global, de 6 toneladas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em sintonia com a extração de recursos, a área alimentar responde pela maior parcela das emissões, com 565 milhões de toneladas de CO2e. Serviços ocupam o segundo lugar (216 milhões de toneladas), seguidos por itens manufaturados (153 milhões de toneladas) e construção e infraestrutura (143 milhões de toneladas).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O relatório afirma que 87% da &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/12/os-10-mais-ricos-do-brasil-concentram-72-da-pegada-de-carbono-da-aviacao-no-pais-diz-estudo.shtml"&gt;pegada de carbono&lt;/a&gt; nacional acontece no próprio país e apenas 13% têm relação com produtos do exterior, o que confere uma vantagem ao Brasil para reduzir as emissões por meio de políticas domésticas.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;EMPREGOS CIRCULARES&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Somente 5,2% dos &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/mercado-de-trabalho/"&gt;empregos brasileiros&lt;/a&gt;, cerca de 5,1 milhões de trabalhadores, contribuem para a economia circular. O cálculo se baseia em metodologia desenvolvida com a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a Corporação Financeira Internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os setores de manutenção de automóveis e de comércio atacadista e varejista concentram quase metade dos empregos circulares, com 2,1 milhões de trabalhadores, e o restante se distribui em categorias como transporte e abastecimento de água.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Quando os empregos circulares são marginais, é sinal de que o mercado ainda não recebeu os sinais certos", afirma Peres. "É uma oportunidade de desenvolvimento econômico que o Brasil está deixando na mesa."&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Gabriel Gama</dc:creator><pubDate>Sun, 17 May 2026 02:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/brasil-reaproveita-so-13-dos-materiais-que-consome-diz-novo-relatorio.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/brasil-reaproveita-so-13-dos-materiais-que-consome-diz-novo-relatorio.shtml</guid></item><item><title>Abate de búfalos exóticos na amazônia deve ser retomado após autorização da Justiça</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/abate-de-bufalos-exoticos-na-amazonia-deve-ser-retomado-apos-autorizacao-da-justica.shtml</link><description>&lt;p&gt;Após autorização do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), o &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/07/morar-na-natureza-nao-deve-ser-castigo-diz-icmbio-sobre-saneamento-precario-em-areas-protegidas.shtml"&gt;ICMBio&lt;/a&gt; (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) deve retomar os abates &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/02/ministerio-publico-federal-pede-plano-para-controlar-bufalos-exoticos-em-rondonia.shtml"&gt;de búfalos-asiáticos&lt;/a&gt; (Bubalus bubalis) na Rebio (Reserva Biológica) do Guaporé, em &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/rondonia-estado/"&gt;Rondônia&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/02/ministerio-publico-federal-pede-plano-para-controlar-bufalos-exoticos-em-rondonia.shtml"&gt;projeto-piloto de pesquisa para controle &lt;/a&gt;da espécie prevê o abate de 5.000 búfalos, cerca de 10% da população invasora na região. Uma nova expedição ao local está sendo organizada pelo ICMBio, com previsão para ocorrer a partir desta segunda (18).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De acordo com o instituto, entre os dias 16 e 20 de março, servidores da Rebio do Guaporé realizaram um abate experimental de búfalos selvagens presentes nas áreas alagadas da unidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, o projeto foi suspenso poucos dias depois pela própria Justiça Federal, a pedido do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ministerio-publico/"&gt;MPF&lt;/a&gt; (Ministério Público Federal), que apontou falta de um plano de controle e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas e quilombolas do entorno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À época, o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk argumentou que uma determinação anterior autorizava apenas a elaboração do plano de controle, sem permitir a execução do abate.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o ICMBio, o abate dos primeiros 5.000 &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/animais/"&gt;animais&lt;/a&gt; é uma etapa preparatória do plano de erradicação da espécie exótica invasora, a partir da qual a estratégia será lapidada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Ao reexaminar o caso, contudo, [a Justiça] acolheu os argumentos do ICMBio e reconheceu o caráter científico do projeto-piloto, considerado essencial para subsidiar a construção de um plano consistente de erradicação", acrescenta o ICMBio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os búfalos-asiáticos foram introduzidos na região em 1953, na antiga fazenda Pau d'Óleo, que pertencia ao então território federal do Guaporé, hoje domínio de Rondônia. Com o fracasso da iniciativa, os 36 animais foram abandonados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em um habitat com alimento farto e sem predadores, os búfalos invadiram a reserva biológica e, hoje, sua população é de cerca de 50 mil indivíduos, conforme estimativa do ICMBio. A &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/05/governo-de-ro-transforma-fazenda-abandonada-de-bufalos-em-unidade-de-conservacao.shtml"&gt;Pau d´Óleo, então fazenda experimental, tornou-se uma reserva de fauna.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A bióloga Malu Messias, sem vínculo com o projeto-piloto, explica que os búfalos andam em fila indiana e, dessa forma, compactam o solo, impedindo que sementes germinem. Também causam assoreamento dos rios, o que podem mudar os cursos d'água.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Búfalos podem ser chamados de engenheiros ambientais, como falamos na ecologia. São aqueles animais que mudam a estrutura do ambiente e alteram, inclusive, a composição das espécies vegetais e fitofisionomia [aparência de uma vegetação]", destacou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Docente no departamento de biologia da Unir (Universidade Federal de Rondônia), Messias aponta outro possível problema: a transmissão de doenças. Segundo ela, os bubalinos podem contrair e propagar, inclusive por meio da água dos rios, problemas como verminoses (infecções parasitárias).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Os búfalos podem causar zoonoses, que podem passar para várias outras espécies, como o cervo-do-pantanal, suscetível a várias das doenças", afirmou a especialista.&lt;a href="https://arte.folha.uol.com.br/podcasts/2021/habitat/cervo-do-pantanal-agua-some-das-planicies-e-deixa-cervo-sem-refugio-no-pantanal/"&gt; O cervo-do-pantanal é uma das espécies ameaçadas de extinção &lt;/a&gt;que ocorrem na Rebio do Guaporé —assim como o lobo-guará, o cachorro-vinagre, a anta e diversas outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pesquisadora da Unir ressaltou que os búfalos-asiáticos podem transmitir febre aftosa. "[Isso] pode acarretar, ainda, em um prejuízo econômico muito grande para Rondônia."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mudança ambiental causada pela presença dos bubalinos também pode facilitar a dispersão de vírus, bactérias, fungos, protozoários e parasitas. Essa análise refinada e ecológica nunca foi feita no vale do Guaporé, disse ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"O impacto pode ser muito maior do que está visível. Podemos estar vendo só a ponta do iceberg. Os micro-organismos são mais difíceis de serem monitorados e estudados", frisou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De acordo com o TRF-1, a retomada das atividades de abate foi considerada urgente após relatos do povo indígena tupari sobre a aproximação de búfalos das aldeias, com risco à segurança de crianças, idosos e demais moradores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A decisão também abordou o direito à consulta prévia, livre e informada das comunidades tradicionais, como exige a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). A Justiça deu à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) 90 dias para apoiar indígenas e quilombolas da região na elaboração de protocolos próprios de consulta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Funai, porém, defende a suspensão do abate até que seja realizada a consulta. "A atuação institucional tem priorizado a escuta qualificada dos povos indígenas e demais comunidades tradicionais que habitam a área em questão antes da adoção de qualquer providência definitiva."&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Elaboração do plano de erradicação&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O estudo, explica o ICMBio, foi estruturado em duas frentes, conduzidas por profissionais especializados, controladores de fauna certificados pelo Exército Brasileiro, e pesquisadores da Unir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira fase busca identificar o método mais adequado para o abate com projéteis de armas de fogo, avaliando calibres, distância segura de disparo e tempo até o óbito dos animais. A segunda concentra-se na análise do estado sanitário, com coleta de sangue e órgãos para pesquisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O transporte das carcaças é inviável, já que a área é de difícil acesso, alagada e sem rodovias próximas, além de envolver animais em estado selvagem, de grande porte e comportamento agressivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Uma das principais demandas sociais relacionadas à ação diz respeito à destinação da carne dos animais abatidos. Ressalta-se, contudo, que, por não haver controle sanitário, o consumo pode representar riscos à saúde humana", informa o ICMBio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seguindo o planejamento, as carcaças devem ficar em pontos que se tornarão secos com a redução do nível das águas —período previsto para outubro. Também foram instaladas câmeras para monitorar o consumo por outros animais, como onças-pintadas.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Jorge Abreu</dc:creator><pubDate>Sat, 16 May 2026 10:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/abate-de-bufalos-exoticos-na-amazonia-deve-ser-retomado-apos-autorizacao-da-justica.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/abate-de-bufalos-exoticos-na-amazonia-deve-ser-retomado-apos-autorizacao-da-justica.shtml</guid></item><item><title>Documentário da Folha mostra como a Transamazônica impacta indígenas que vivem crises sucessivas</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/documentario-da-folha-mostra-como-a-transamazonica-impacta-indigenas-que-vivem-crises-sucessivas.shtml</link><description>&lt;p&gt;A Folha publica neste sábado (16) o documentário "Atravessados pela rodovia – A Transamazônica e os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/indigenas/"&gt;indígenas&lt;/a&gt; pirahãs", um trabalho audiovisual de 23 minutos que mostra os impactos da estrada, &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/09/briga-por-terra-tem-pistolagem-e-incendios-50-anos-apos-transamazonica.shtml"&gt;construída pela ditadura militar&lt;/a&gt; na década de 70, para um &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/10/fome-entre-indigenas-de-recente-contato-motivou-acao-de-emergencia-e-comparacao-com-crise-dos-yanomamis.shtml"&gt;povo de recente contato&lt;/a&gt; que se viu às margens de um trecho no sul do Amazonas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O repórter &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/autores/vinicius-sassine.shtml"&gt;Vinicius Sassine&lt;/a&gt; e o fotógrafo &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/autores/lalo-de-almeida.shtml"&gt;Lalo de Almeida &lt;/a&gt;estiveram em março na &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/10/indigenas-de-recente-contato-no-sul-do-amazonas-vivem-surto-de-malaria-e-atendimento-falho-no-parto.shtml"&gt;Terra Indígena Pirahã&lt;/a&gt; e documentaram o que se passa entre as comunidades que estão na parte alta do rio Maici. É essa a porção do território mais próxima da Transamazônica; uma ponte foi erguida sobre um trecho do rio e funciona como porta de entrada para o território ou para a rodovia, a depender do ponto de vista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os pirahãs são considerados um povo de recente contato pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). Eles fizeram contato com populações não indígenas antes mesmo do contato feito por povos indígenas vizinhos, mas decidiram manter uma postura de não convívio com o entorno do território.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para os pirahãs, o modo de vida ocidental não é o adequado para a vida na floresta. Eles têm características nômades; são coletores de mel, óleo de copaíba e castanha; vivem em casas sem paredes; e rejeitam números, dinheiro, celulares e a língua portuguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O documentário, que tem roteiro de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/autores/nicollas-witzel.shtml"&gt;Nicollas Witzel &lt;/a&gt;(também responsável por montagem e finalização) e de Sassine, mostra que dois ciclos perniciosos se mantêm ativos na terra pirahã: a insegurança alimentar e os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/03/malaria-chega-a-33-mil-casos-em-um-ano-na-terra-yanomami-e-quase-metade-e-em-criancas-de-ate-9-anos.shtml"&gt;surtos de malária&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diante de uma sucessão de crises, os pirahãs decidiram se organizar para cobrar do poder público medidas que permitam um resgate da qualidade de vida no território.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo dos últimos 11 meses, a Folha publicou a série de reportagens &lt;a href="https://arte.folha.uol.com.br/ambiente/2025/grandes-obras-na-amazonia/"&gt;"Grandes obras na Amazônia"&lt;/a&gt;, que mostra os impactos de grandes empreendimentos a populações tradicionais. Foram sete capítulos publicados entre julho de 2025 e maio de 2026; o capítulo&lt;a href="https://arte.folha.uol.com.br/ambiente/2025/grandes-obras-na-amazonia/atravessados-por-rodovia-pirahas-enfrentam-malaria-sem-fim-inseguranca-alimentar-e-disputa-politica/a-transamazonica/"&gt; "A Transamazônica"&lt;/a&gt; foi publicado nesta sexta-feira (15). A série contou com apoio da Rainforest Foundation Norway.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Lalo de Almeida, Mariana Goulart, Nicollas Witzel, Vinicius Sassine</dc:creator><pubDate>Sat, 16 May 2026 07:00:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/documentario-da-folha-mostra-como-a-transamazonica-impacta-indigenas-que-vivem-crises-sucessivas.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/documentario-da-folha-mostra-como-a-transamazonica-impacta-indigenas-que-vivem-crises-sucessivas.shtml</guid></item><item><title>Operação contra tráfico resgata 160 animais em rancho de MG</title><link>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/operacao-contra-trafico-resgata-160-animais-em-rancho-de-mg.shtml</link><description>&lt;p&gt;A Operação Tráfico Animal Digital, do &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ministerio-publico/"&gt;Ministério Público&lt;/a&gt; de Minas Gerais, resgatou 160 &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/animais/"&gt;animais&lt;/a&gt; de 18 espécies em um rancho em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/belo-horizonte/"&gt;Belo Horizonte&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre os &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/05/camara-aprova-projeto-para-diminuir-atropelamentos-de-animais-silvestres-em-rodovias-e-ferrovias.shtml"&gt;animais silvestres&lt;/a&gt; encontrados estão araras-canindé, araras-macau, papagaios, cacatuas brancas e galah, tucanos-de-bico-preto, cervos, quatis, veados-catingueiros, cutias, pacas, jiboias, saguis e escorpiões-imperadores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os 40 agentes que participaram da operação encontraram também três cabras e uma alpaca, que morreu no local durante a fiscalização, além de uma ovelha morta. As duas carcaças foram levadas para a perícia técnica, que deverá indicar as causas das mortes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foram apreendidos também celulares, computadores, dispositivos de armazenamento, documentos e máquinas de cartão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo os responsáveis pela operação, os animais eram mantidos em ambientes superlotados, sem documentação regular e há sinais de maus tratos. A fiscalização suspeita, ainda, de reutilização de anilhas, chips e notas fiscais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mandado de busca e apreensão foi obtido após o monitoramento dos perfis do empreendimento no Instagram, com mais de 580 mil seguidores. As páginas anunciam a venda de animais exóticos e silvestres, com envio para todo o Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a promotoria, há indícios de que os animais eram vendidos pela internet. O monitoramento resultou na elaboração de um relatório técnico produzido pela Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e entregue ao &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ministerio-publico/"&gt;Ministério Público&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O responsável pelo rancho foi preso em flagrante e poderá pagar multa administrativa de até R$ 1,2 milhão. Ele foi autuado por maus tratos, manutenção de animais silvestres em cativeiro sem autorização e introdução de espécies no país sem licença ou parecer técnico oficial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As investigações seguem em andamento. O nome dele não foi divulgado. Além do Ministério Público, participaram da ação o Instituto Estadual de Florestas, a Polícia Civil e a Polícia Militar.&lt;/p&gt;</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Fri, 15 May 2026 09:19:00 +0000</pubDate><guid>https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/operacao-contra-trafico-resgata-160-animais-em-rancho-de-mg.shtml</guid><guid isPermaLink="true">https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/05/operacao-contra-trafico-resgata-160-animais-em-rancho-de-mg.shtml</guid></item></channel></rss>