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<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><title>O Eco</title><link>https://oeco.org.br/</link><description>Últimos artigos de O Eco</description><atom:link href="https://paulofeh.github.io/rss-de-valor/feeds/o_eco_feed.xml" rel="self"/><language>pt-br</language><lastBuildDate>Tue, 19 May 2026 21:00:00 +0000</lastBuildDate><ttl>60</ttl><item><title>Pernambuco foca em carbono e ignora a urgência das áreas de risco</title><link>https://oeco.org.br/reportagens/pernambuco-foca-em-carbono-e-ignora-a-urgencia-das-areas-de-risco/</link><description>
&lt;p&gt;O estado de Pernambuco é pioneiro em relação à legislação de clima, com o &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1l187Hlye_nSBObvKRf7z19ONjPYa7yeV/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Plano Estadual de Mudanças Climáticas de 2011&lt;/a&gt;, a participação como convidado na London Climate Action Week de 2024, e com presença significativa na COP30. O território conta com um histórico de desastres climáticos, como as chuvas que mais uma vez atingiram a região no início deste mês, deixando 6 pessoas mortas, mais de 9000 pessoas deslocadas de suas casas e 27 cidades decretadas em situação de emergência. No entanto, as metas climáticas do governo focam em emissões e mercado de energias renováveis, enquanto aquelas relacionadas à prevenção de desastres ainda aparecem de forma tímida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Plano Clima é um instrumento que estabelece diretrizes para orientar o Estado na sua atuação para o enfrentamento às mudanças climáticas em nível nacional. O documento integra políticas públicas de redução de emissões de gases de efeito estufa, que fazem parte da agenda de mitigação, e políticas de adaptação aos impactos climáticos. A Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) sugere que as unidades federativas elaborem seus próprios documentos para favorecer a articulação entre as esferas. No Brasil, a consolidação e execução prática desses planos ainda patinam na maioria das unidades federativas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Um estado em áreas de risco&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Pernambuco apresenta historicamente um quadro recorrente de desastres agravados por extremos climáticos, com registros intensos ao longo dos últimos anos. Períodos extremos de estiagem e escassez hídrica atingem tipicamente o Semiárido, ao passo que episódios de chuva intensa castigam áreas urbanas e costeiras. Apenas em 2025, o estado registrou 135 desastres por seca extrema, atingindo 3,16 milhões de pessoas, e 39 ocorrências relacionadas a chuvas intensas (como alagamentos, inundações, enxurradas e movimento de massa), afetando 5.514 pessoas segundo dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para além dos extremos de seca e chuva, um &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1Z4WIyzSG9Ax4jAx848hRoyerDeJbjZDi/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;relatório&lt;/a&gt; do TCE-PE publicado em 2024 indica que Pernambuco possui 863.487 pessoas residindo em áreas de risco geo-hidrológico, o que representa 11,6% da população do estado. Recife foi considerada pelo IPCC da ONU a 16ª cidade mais vulnerável ao avanço do mar em decorrência das mudanças climáticas no mundo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Fábio Ishisaki, assessor de Políticas Públicas do Observatório do Clima, questiona a escolha de priorizar projetos de mitigação, considerando as condições de vulnerabilidade do estado diante das mudanças climáticas. Em nota, a Defesa Civil do Recife declarou que cerca de 100 mil pessoas vivem em áreas de risco. No entanto, o Centro Nacional de Monitoramento de Alertas e Desastres Naturais (CEMADEN) monitora 206.761 moradores em áreas consideradas suscetíveis a desastres naturais, colocando a cidade em 5º lugar entre as capitais com maior número de pessoas vivendo em áreas de risco.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Pedro Ivo Camarinha, Diretor Substituto do CEMADEN, considera que o impacto associado a eventos meteorológicos tem mais relação com as condições da infraestrutura urbana do que com os eventos naturais em si. “Sempre os impactos são fruto da exposição dos nossos sistemas nessas áreas suscetíveis. A depender da vulnerabilidade desses sistemas, os impactos tendem a ser maiores ou menores.”&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Camarinha afirma que as duas agendas devem ser complementares, e destaca a urgência de se trabalhar com políticas de ação concreta para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, uma vez que são eles os principais responsáveis pelo aquecimento global, e consequentemente pelo agravamento das mudanças climáticas. No entanto, em relação ao volume de emissões líquidas, o estado ocupa o 19º lugar no &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1hNtmgeYm5I5Pmfq3ZInt4cns-I6ecZ7U/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;ranking nacional&lt;/a&gt;, sendo responsável por apenas 1,6% do total emitido pelo país.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1600" height="900" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high.jpeg" alt="" class="wp-image-197913" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high.jpeg 1600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-300x169.jpeg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-1536x864.jpeg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-640x360.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-500x281.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-800x450.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-1280x720.jpeg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33034338-high-150x84.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;As chuvas que atingem Pernambuco desde a sexta-feira (01/05) deixaram seis mortos, sendo três no Recife, dois em Olinda e um em São Lourenço da Mata, além de feridos. Foto: Genival Fernandes Vieira/UAI Foto/Folhapress.&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Mitigação sem metas: cartilha de boas intenções&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Ishisaki avalia que mesmo as metas de mitigação apresentam gargalos significativos, alguns deles também encontrados no Plano Clima Nacional. Um dos principais deles é a ausência de indicadores específicos, como porcentagens de redução a ser atingido e cronogramas escalonados de medidas para atingir as metas propostas. O plano original sequer cita os anos pretendidos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1i7cdyDOfRjf7aAdJrumOL9fy7EPEyQNF/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Plano de Descarbonização de Pernambuco (2022)&lt;/a&gt; complementa o documento original especificamente no tema de emissões, com metas de redução em 15% até 2025 e 32% até 2035. Apesar de apresentar números, não há um detalhamento do processo que possa ser acompanhado e monitorado objetivamente. As cifras do orçamento e suas respectivas fontes de financiamento simplesmente não constam no texto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O documento mais recente também não apresenta um cronograma concreto para o fim dos fósseis. “Tudo acaba estando à mercê de interesses políticos ou financeiros. Se você não tem prazo, não tem porcentagem, é praticamente uma não meta. É uma cartilha de boas intenções”, aponta o especialista do Observatório do Clima. Além disso, assinala que o plano se apoia em tecnologias para o armazenamento de gás carbônico que ainda são amplamente questionadas no meio técnico.&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;“A resposta ao desastre tem que ser planejada antes para que o desastre não ocorra”&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;O &lt;a href="https://semas.pe.gov.br/pear-pe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática de Pernambuco (PEAR-PE)&lt;/a&gt; foi anunciado em maio de 2025 e está em fase de elaboração, com previsão de conclusão até o fim de 2026. Fábio Ishisaki aponta que o Plano original apresenta medidas de adaptação para áreas urbanas e costeiras de forma pulverizada ao longo de outros pontos, sem ações específicas para áreas vulneráveis ou condições que facilitem a saída de moradores de zonas de risco, por exemplo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para a Defesa Civil, não há um planejamento antecipado para desastres com previsão de treinamento da população para situações extremas, ou construção de estruturas fixas e seguras para abrigar famílias em quadro de calamidade. Fábio também chama atenção para a falta de direcionamento de recursos para efetivação de medidas necessárias no caso de calamidades. “A resposta ao desastre tem que ser planejada antes, para que o desastre não ocorra. Se não você vai agir quando alaga, quando desbarranca, quando pessoas morrem. Acaba sendo uma agenda mais reativa do que precaucional”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A resposta aos desastres também esbarra na politização das estruturas locais: 54,6% dos servidores das defesas civis municipais ocupam cargos comissionados, comprometendo a continuidade das ações de prevenção. O vácuo da adaptação acaba sendo preenchido por medidas emergenciais, planos desarticulados entre esferas de governança e iniciativas da sociedade civil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um exemplo disso é o Ação Inverno, promovido a cada ano pela prefeitura do Recife, que realiza intervenções que buscam minimizar os impactos das chuvas na cidade. O projeto não tem qualquer articulação com o Plano Clima Estadual e, desde 2021, soma R$1,5 bilhão em recursos próprios, federais e captados através do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A desarticulação entre as esferas de governo é sentida na ponta. Joice Paixão é coordenadora da organização GRIS Solidário e atua na assistência a comunidades atingidas durante enchentes. Ela explica que em momentos de emergência, as lacunas de diálogo entre as administrações ficam evidentes com informações e orientações desencontradas que acabam prejudicando a população.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high.jpeg" alt="" class="wp-image-197915" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high.jpeg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-300x200.jpeg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-1536x1024.jpeg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-600x400.jpeg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-1200x800.jpeg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-640x427.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-500x333.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-800x533.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-1280x853.jpeg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/33001611-high-150x100.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Chuvas de forte intensidade atingem a Região Metropolitana do Recife, nesta sexta-feira (1), feriado do Dia do Trabalhador. Foto: Cléber Santos/AtoPress/Folhapress&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Não tem dinheiro pro clima?&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;O governo de Pernambuco é generoso em projetar os lucros da transição energética. Segundo o Plano de Descarbonização de 2022, a neutralidade climática é um motor econômico: o documento estima um ganho de R$ 20 bilhões adicionais no PIB estadual e a criação de 100 mil novos postos de trabalho até 2050.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A distância entre as cifras projetadas para a transição energética e a realidade dos territórios é ilustrada pelo caso do Perifa Clima. O projeto, voltado para monitoramento e educação climática nas comunidades, chegou a ter um convênio assinado com o Estado durante a COP30, com previsão de verba na Lei Orçamentária Anual (LOA), mas o recurso nunca chegou na ponta. &amp;#8220;Não saiu porque ficou preso em disputas políticas. Ficamos com a equipe trabalhando sem receber&amp;#8221;, relata Joice Paixão, coordenadora do GRIS Solidário. Para ela, o descaso com projetos de base expõe a real prioridade do planejamento estadual.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Fórum Pernambucano de Mudança do Clima está com as atividades paralisadas desde 2022. Esse travamento institucional reflete diretamente na asfixia financeira das políticas públicas: sem um fundo climático exclusivo que garanta autonomia e estabilidade de longo prazo, a execução de instrumentos vitais como o PEAR-PE fica ameaçada. Em &lt;a href="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Nota-SEMAS.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;nota&lt;/a&gt;, a SEMA comunicou que “Os recursos necessários às ações (da PEAR) serão providos ou contingenciados à medida em que forem sendo implementados.” &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Diante desse gargalo, o estado dependeu em 2025 de recursos pulverizados da SEMAS-PE e da APAC, de repasses do Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA-PE) e de aportes internacionais (Banco Mundial, BID e GIZ) para custear o avanço das energias renováveis no interior e atualizar seu inventário de emissões. Nos municípios o ICMS Ecológico ainda conta como importante fonte de financiamento. Até outubro de 2025 foram repassados mais de R$107 milhões a 181 cidades aptas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O acesso aos recursos disponíveis, porém, também revela prioridades políticas. Dados do Ministério das Cidades revelam que, enquanto o programa de Urbanização de Favelas Periferia Viva contratou R$4,7 bilhões para 49 projetos pelo país até o ano passado, no estado apenas o município de Paulista formalizou financiamento para a comunidade Nossa Senhora de Fátima. Ficaram de fora as 26 cidades que a própria governadora classificou em estado de emergência. O cenário de inércia se repete no programa federal de Drenagem Urbana: diante de uma linha bilionária de R$5,5 bilhões destinada a combater alagamentos, nenhuma das 77 prefeituras pernambucanas elegíveis aos recursos se habilitou ou pleiteou os empréstimos disponíveis.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;“Não tem como construir solução climática sem as periferias”&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Além das atividades com o GRIS no território, Joice também atua em projetos de transição energética no interior do estado, e em incidência política a nível estadual e nacional. Transitando entre esses espaços distintos, ela diz perceber o peso do fator econômico na escolha das prioridades de investimento climático para cada setor. “É preciso equilibrar as questões econômicas, sem prejudicar os territórios, que são historicamente quem menos contribui para a emergência climática, e quem sofre os maiores impactos”, pondera.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na primeira noite de chuva do início deste mês, em Recife, Joice não dormiu. Ela e sua equipe passaram a noite monitorando a elevação do nível do rio e gravando vídeos, alertando e orientando a população da área através de redes sociais e no território. A equipe do GRIS atua na Várzea, bairro tradicional de Recife que tem seu espaço dividido pelas comunidades que margeiam o Rio Capibaribe e a cidade universitária da UFPE.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Joice avalia que os alertas sonoros que a Defesa Civil emite por mensagem tiveram impacto positivo, mas ainda não direcionam a população para os abrigos disponíveis, além de não contemplar aqueles que não possuem um celular. A equipe de voluntários e agentes territoriais têm seus próprios protocolos de segurança: comunicam as previsões, orientam a hora de preparar a “bolsa sobrevivência” (e o que levar nela) e a hora de sair de casa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A chuva, que chega primeiro nas casas próximas ao rio, foi forte o bastante para invadir também a área da universidade. Joice ilustra o racismo ambiental contando que a luz foi cortada, como protocolo de segurança, apenas no campus universitário. Os moradores das comunidades ficaram expostos a choques elétricos, tendo que pressionar as concessionárias publicamente por providências. “Para quem são esses protocolos de segurança? Não tem como construir nenhum tipo de solução climática, se isso não for feito com as periferias”, conclui.&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 21:00:00 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/reportagens/pernambuco-foca-em-carbono-e-ignora-a-urgencia-das-areas-de-risco/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/reportagens/pernambuco-foca-em-carbono-e-ignora-a-urgencia-das-areas-de-risco/</guid></item><item><title>Estudante desenvolveu tecnologia para enfrentar a escassez de água no Sertão</title><link>https://oeco.org.br/reportagens/estudante-desenvolveu-tecnologia-para-enfrentar-a-escassez-de-agua-no-sertao/</link><description>
&lt;p&gt;A escassez de água no semiárido impulsiona a busca por alternativas para conter impactos da seca em comunidades rurais. No interior da Paraíba, uma tecnologia de dessalinização movida à energia solar amplia o acesso à água potável e transforma a rotina de famílias afetadas pela escassez de abastecimento.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Nas comunidades rurais de Queimadas, município da região de Campina Grande, a escassez de água sempre foi muito mais do que gráficos em relatórios oficiais. O acesso à água sempre exigiu esforço coletivo. Famílias inteiras percorriam longas distâncias sob o sol forte para garantir o mínimo necessário à sobrevivência.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em muitos casos, eram quilômetros de caminhada até açudes, barreiros e cacimbas – reservatórios escavados na terra ou em leitos de rios secos para obter água –, onde o recurso nem sempre era adequado ao consumo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Aqui o sofrimento era grande, porque a gente carregava água de longe”, lembra Severina Marinho, moradora da zona rural de Queimadas. “A gente saía cedinho de casa, umas 5h da manhã, e chegava horas depois com uma água com gostinho de terra, mas estamos aqui vivos, né?”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Essa realidade era compartilhada entre vizinhos, parentes e gerações inteiras. Conforme o agricultor Severino de Sousa, também de Queimadas, eram até 4h de viagem para pegar água, de muito longe. “A gente ficava em dúvida, sem saber o que ia fazer. Se ia estudar, se ia pra roça. Era aquela correria”, lembra.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Foi nesse contexto que cresceu Wanderley Silva, hoje doutorando na linha de pesquisa em dessalinização solar na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Sua trajetória mistura vivência pessoal e atuação profissional.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279.jpg" alt="" class="wp-image-197787" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/0b543309-fce6-49da-8381-c842d2a3b279-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Dessalinizadores solares em operação no interior da Paraíba. Foto: Carol Santos&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;O envolvimento de Silva com o tema começou ainda em 2013, quando ingressou no curso de Agroecologia, em Lagoa Seca, na Região Metropolitana de Campina Grande, e passou a integrar iniciativas voltadas à convivência com o semiárido.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mesmo após a conclusão da graduação, em 2017, o pesquisador manteve o vínculo com o projeto e ampliou sua atuação ao entrar na associação dos profissionais em agroecologia, com o objetivo de captar incentivos públicos e privados para expandir a construção de dessalinizadores.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A estratégia deu resultado. Com recursos obtidos junto ao Instituto Federal da Paraíba (&lt;a href="https://www.ifpb.edu.br/institucional/competencias" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;IFPB&lt;/a&gt;), foram construídas 35 unidades. Já, por meio de editais bancários, foram viabilizadas 70 unidades em Caraúbas e outras 50 em sítios de Santa Luzia. Além disso, o grupo passou a ser contratado por empresas privadas.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380.jpg" alt="" class="wp-image-197791" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/6b3ae7be-7002-460d-8e03-6170e9437380-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Residência servida por água dessalinizada, no agreste paraibano. Foto: Carol Santos&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;A partir da iniciativa, a região onde mora a família de Wanderley começou a experimentar mudanças concretas em seu cotidiano. O que antes era marcado pela incerteza quanto ao acesso à água passou gradualmente a incorporar uma alternativa mais segura e acessível.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Agora mudou muito. Meu filho, junto com o pessoal da universidade, trouxeram esse projeto para cá e facilitou muito a vida da gente”, afirma Luiza, mãe de Wanderley. “Esse projeto é para a comunidade. Se por acaso precisarem, está aí a água para eles usarem”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O equipamento utiliza a energia solar para transformar água salobra em água potável por meio de um processo de destilação simples e eficiente. Na prática, o calor do sol aquece e evapora a água. Em seguida, o vapor se condensa em uma superfície de vidro, e a água é coletada, livre de sal e impurezas, pronta para o consumo.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20.jpg" alt="" class="wp-image-197786" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/77b52b42-b7d0-476d-823b-39610419de20-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Dessalinizadores distribuídos próximos a uma residência em um município do interior da Paraíba. Foto: Waldeny Santana&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Alçando voo&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;A experiência em Queimadas não ficou isolada. A tecnologia já alcançou mais de 200 famílias em municípios paraibanos como Remígio, São Vicente do Seridó, Cubatí, Pedra Lavrada, Caraúbas, Monteiro, Camalaú, Santa Luzia, Soledade, Cuité, Campina Grande e Caturité.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mesmo com o aumento no custo de produção, que passou de cerca de R$ 3 mil para até R$ 5 mil por unidade, o equipamento ainda é mais acessível do que alternativas, como sistemas de “&lt;a href="https://lyceumonline.usf.edu.br/salavirtual/documentos/1524.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;osmose reversa&lt;/a&gt;”, outro processo de filtragem de água, que podem chegar a R$ 50 mil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O projeto também ultrapassou as fronteiras da Paraíba e passou a alcançar outras regiões do Nordeste. Em estados como Ceará e Pernambuco, Silva e outros estudantes passaram a atuar diretamente na capacitação de comunidades, compartilhando o conhecimento adquirido no desenvolvimento do dessalinizador.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mais do que levar o equipamento pronto, a proposta se baseia na formação prática dos moradores, que aprendem não apenas a construir, mas também a realizar a manutenção do sistema, garantindo seu funcionamento contínuo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um dos territórios que receberam a capacitação foi uma comunidade quilombola no município de Capoeiras, onde essa abordagem já começa a apresentar resultados concretos no cotidiano dos moradores.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A extensionista Célia Holanda, do Instituto Agronômico de Pernambuco (&lt;a href="https://site.ipa.br/apresentacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;IPA&lt;/a&gt;), que acompanha a implementação do projeto na região, destaca que a escolha do local não foi aleatória, mas sim baseada na urgência da situação enfrentada pelos moradores. “A necessidade de água determinou a localização do dessalinizador”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ela também chama a atenção para o contexto mais amplo dessas comunidades, frequentemente marcadas pela ausência de políticas públicas estruturantes. Ainda assim, ressalta a capacidade de adaptação local.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“É uma região que naturalmente tem uma carência especial de políticas públicas e de atenção em geral, mas, mesmo sem tantos fomentos externos, consegue encontrar formas de se desenvolver e se adaptar.”&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e.jpg" alt="" class="wp-image-197785" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/bef27fdb-f013-4e9f-a36c-0015ffefbc7e-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Capacitações ajudam a disseminar o dessalinizador em outras regiões do Nordeste. Foto: Waldeny Santana&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Caminho das pedras&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Apesar da aparente simplicidade, o desenvolvimento do dessalinizador exigiu uma série de testes e adaptações até alcançar um modelo funcional e durável para as condições do semiárido.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Passamos por várias técnicas e materiais até chegarmos ao modelo atual. Usamos vidro, lona e cimento, pois o alumínio e o cimento que usávamos inicialmente eram corroídos pelo sal”, explica Wanderley.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao longo desse processo, o conhecimento técnico se somou ao saber popular. A contribuição de um agricultor local, que sugeriu o uso da lona, foi fundamental para aprimorar o equipamento, tornando-o mais resistente às condições climáticas e mais eficiente no dia a dia das famílias que passaram a utilizá-lo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Hoje, a casa da família de Wanderley deixou de ser apenas uma residência e passou a ser um ponto de referência na comunidade. Mais do que o acesso à água em si, o local passou a simbolizar uma mudança concreta na vida das pessoas ao redor, hoje, possibilitadas a viver com menos incertezas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A presença do dessalinizador alterou rotinas, reduziu esforços e deu um novo significado a algo antes escasso e difícil de obter.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Agora a gente está usando água dessalinizada. Ela vem do poço, tira o sal nas casinhas, aí desce para a caixa para a gente beber”, relata Luiza. A percepção da qualidade da água também evidencia essa transformação. “É muito boa, muito boa mesmo, muito docinha, bem docinha mesmo”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na prática, o dessalinizador não elimina todos os desafios, mas oferece uma alternativa concreta, especialmente nos períodos de seca mais severa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“No verão, é a água dele que salva”, resume Marinho. A manutenção é simples e acessível, o que garante autonomia às famílias. “Limpa só o chão mesmo, porque as casinhas e as lonas quem limpa é meu filho. Depois, tiro todo o sal e limpo a caixa”, conta.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-video"&gt;&lt;video height="480" style="aspect-ratio: 854 / 480;" width="854" controls src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/ILUSTRAS.mp4"&gt;&lt;/video&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Agriculturas usando a água dessalinizada no interior da Paraíba. Imagens: Dayara Santos&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Escassez disseminada&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;A previsão da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para 2026 não é animadora, pois o país deve enfrentar um dos anos mais desafiadores na gestão de seus recursos hídricos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Isso pode afetar especialmente regiões do Nordeste, em áreas do semiárido historicamente marcadas por longas estiagens onde a escassez de água não é um evento pontual, mas uma condição recorrente que atravessa gerações. Estados como a Paraíba concentram diversos desses territórios, onde a irregularidade das chuvas e a limitação de infraestrutura tornam o acesso à água um desafio constante.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Quando traduzimos os números da escassez para a vida das pessoas, ela deixa de ser apenas estatística. Na prática, isso significa tempo perdido, desgaste físico constante e limitações severas na realização de atividades básicas do dia a dia, como cozinhar, tomar banho ou manter a casa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao longo dos anos, o acesso a políticas públicas voltadas para regiões com dificuldades hídricas nem sempre esteve garantido, nem chegou de forma contínua às populações que mais precisavam. Em muitos períodos, as comunidades rurais ficaram à margem de investimentos estruturantes, dependendo de soluções emergenciais e de iniciativas locais para enfrentar a falta d’água.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No início deste ano, as poucas chuvas agravaram ainda mais esse cenário e levaram 41 municípios paraibanos a adotar racionamento. A medida impactou não apenas o abastecimento doméstico, mas também as atividades econômicas essenciais à sobrevivência de muitas famílias.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (&lt;a href="https://www.aesa.pb.gov.br/institucional/quem-somos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Aesa&lt;/a&gt;) revelam a dimensão do problema. Cerca de 100 dos 132 açudes monitorados no estado operavam com menos da metade da capacidade. Desses, 9 já estavam secos, enquanto outros 39 atingiam níveis considerados críticos, com menos de 10% do volume total.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Nesse contexto e em regiões onde a água sempre esteve associada à espera, ao esforço e à incerteza, o dessalinizador solar passou a alterar o cotidiano das famílias. A tecnologia não elimina todos os desafios da seca, mas oferece a possibilidade de acessar água potável perto de casa, algo que, por muito tempo, esteve distante de muitas pessoas.&lt;/p&gt;



&lt;div class="wp-block-group p-5 has-central-palette-4-background-color has-background"&gt;&lt;div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"&gt;
&lt;p&gt;Esta reportagem foi produzida através da &lt;a href="https://oeco.org.br/especial/bolsareportagem/" type="link" id="https://oeco.org.br/especial/bolsareportagem/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Bolsa Vandré Fonseca de Jornalismo Ambiental&lt;/a&gt;, concedida pelo ((o))eco com apoio da Fundação Amazônia Sustentável e Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 20:06:00 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/reportagens/estudante-desenvolveu-tecnologia-para-enfrentar-a-escassez-de-agua-no-sertao/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/reportagens/estudante-desenvolveu-tecnologia-para-enfrentar-a-escassez-de-agua-no-sertao/</guid></item><item><title>Investigação de atentado na Serra da Chapadinha “está avançada”, afirma polícia</title><link>https://oeco.org.br/salada-verde/investigacao-de-atentado-na-serra-da-chapadinha-esta-avancada-afirma-policia/</link><description>
&lt;p&gt;Mais de duas semanas após o atentado contra o casal de ambientalistas que luta para proteger a Serra da Chapadinha, na Bahia, a Polícia Civil afirmou para &lt;strong&gt;((o))eco&lt;/strong&gt; que a investigação “está avançada” e que já há novas informações, porém que ainda não podem ser divulgadas para não comprometer as apurações. A Delegacia Territorial de Itaetê, que investiga o caso, esteve no local do crime, a Pousada Toca do Lobo, e aguarda os resultados da perícia para complementar o inquérito.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Além disso, as vítimas, Alcione Correa e Marcos Fantini, foram escutadas “e outras diligências investigativas são efetuadas pela unidade policial para esclarecer totalmente as circunstâncias dos fatos”, afirma a Polícia Civil em nota.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A assessoria da Polícia não soube esclarecer se alguma medida protetiva foi concedida ao casal, vítima do atentado. Em conversa com ((o))eco, Alcione afirmou que não há, no momento, nenhuma medida de proteção em vigor, porém o casal deu entrada no processo para adesão ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas da Bahia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Relembre o caso:&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Na madrugada de quinta (30/04) para sexta-feira (1º/05), &lt;a href="https://oeco.org.br/reportagens/ataque-de-criminosos-armados-ameaca-ambientalistas-na-serra-da-chapadinha-na-bahia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;um grupo de criminosos armados invadiu a Pousada Toca do Lobo&lt;/a&gt; em atentado contra um casal de ambientalistas que luta para proteger a Serra da Chapadinha, em Itaetê, no interior da Bahia. Com tiros para o alto, apontando armas e ameaçando incendiar tudo, os criminosos encurralaram os proprietários da pousada, Alcione Correa e Marcos Fantini, enquanto reviraram o local, destruindo computadores, HDs, celulares, rádios e toda estrutura de energia da propriedade – alimentada por placas solares e baterias. Alcione e Marcos não sofreram ferimentos graves e estão em um local seguro&lt;/p&gt;



&lt;p class="has-text-align-center"&gt;&lt;strong&gt;Leia mais: &lt;/strong&gt;&lt;a href="https://oeco.org.br/reportagens/ataque-de-criminosos-armados-ameaca-ambientalistas-na-serra-da-chapadinha-na-bahia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Ataque de criminosos armados ameaça ambientalistas na Serra da Chapadinha, na Bahia&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O local, posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, está no coração da Serra da Chapadinha, no sul da Chapada Diamantina, um território em disputa por interesses econômicos que desejam barrar a criação de uma unidade de conservação de proteção integral.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 14:54:58 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/salada-verde/investigacao-de-atentado-na-serra-da-chapadinha-esta-avancada-afirma-policia/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/salada-verde/investigacao-de-atentado-na-serra-da-chapadinha-esta-avancada-afirma-policia/</guid></item><item><title>“É falso que melhorar a gestão ambiental prejudica a agropecuária”, diz pesquisador da USP</title><link>https://oeco.org.br/reportagens/e-falso-que-melhorar-a-gestao-ambiental-prejudica-a-agropecuaria-diz-pesquisador-da-usp/</link><description>
&lt;p&gt;A transformação do sistema agroalimentar é um dos pilares essenciais para combater as mudanças climáticas. No caso do Brasil, significa um passo para descarbonizar a economia: o setor agropecuário representou, em 2024, 64% das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), plataforma do Observatório do Clima. O número pode ser ainda maior ao pensar na conexão entre o desmatamento e o avanço das fronteiras do agronegócio no Cerrado e na Amazônia.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Professor titular da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da Universidade de São Paulo (USP), Arilson Favareto explica as dimensões do sistema agroalimentar – produção e consumo – e quais as possibilidades para uma transição efetiva e dentro da velocidade necessária para impedir um esgotamento ainda maior dos limites do planeta.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao lado do pesquisador Ricardo Abramovay, Favareto é organizador do livro “&lt;a href="https://catedrajc.fsp.usp.br/publicacao/caminhos-para-a-transicao-do-sistema-agroalimentar-desafios-para-o-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil&lt;/a&gt;”, publicado pela Editora Senac em novembro de 2025. O estudo reúne artigos sobre os sistemas agrícolas atuais e o desequilíbrio ambiental causado pelas formas de produção e consumo, além de apontar tecnologias e práticas que podem tornar soluções concretas em escalas suficientes para regenerar os ecossistemas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em entrevista a ((o))eco, Favareto destaca a necessidade de colocar o sistema agroalimentar no centro do debate ambiental e combater a apropriação dos termos, como “agropecuária regenerativa” por setores empresariais para “uso fraco”. “A agropecuária regenerativa não é apenas uma tecnologia, mas um conjunto de práticas – tecnologias e sistemas de fiscalização e de regulação que contribuem para a regeneração dos ecossistemas. Não adianta usar bioinsumos e continuar desmatando a Amazônia. Isso não é agropecuária regenerativa e não pode ser considerada como. Isso eu chamo de uso fraco da expressão”, afirma. Leia na íntegra:&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;((o))eco: Para começar a conversa, você poderia introduzir qual o conceito de sistemas alimentares?&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;


&lt;div class="wp-block-image"&gt;
&lt;figure class="alignright size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="850" height="1182" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG.jpeg" alt="" class="wp-image-197866" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG.jpeg 850w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG-216x300.jpeg 216w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG-640x890.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG-500x695.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG-800x1112.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_4426.JPG-150x209.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;O cátedro Arilson Favareto, da USP. Foto: Arquivo Pessoal&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;


&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Arilson Favareto: &lt;/strong&gt;Quando falamos de sistemas agroalimentares, primeiro tem uma questão que não se trata apenas de semântica. Falamos sistema agroalimentar ou sistemas agroalimentares. As duas estão corretas. Muita gente prefere usar a expressão “sistemas agroalimentares”, no plural, porque, de fato, existe uma quantidade muito grande de formas de produzir, de transformar, de preparar e de consumir alimentos. Nesse sentido, claro, existem sistemas agroalimentares no plural.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No entanto, eu e alguns colegas temos preferido usar a expressão “sistema agroalimentar”, no singular, porque existe uma forma predominante que hierarquiza esses vários subsistemas. Falamos do sistema agroalimentar global, que tem algumas características.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Também temos usado a expressão “monotonia do sistema agroalimentar” para chamar atenção para uma característica básica. Essa monotonia tem três dimensões: a da produção de grãos – produção agrícola cada vez mais concentrada em poucas espécies, que se baseia num modelo tecnológico apoiado fortemente no uso de insumos químicos e em tecnologias intensivas de uso de recursos naturais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Isso gera paisagens monótonas. Se você for daqui para o interior de São Paulo ou pelo Cerrado, você vai viajar centenas de quilômetros vendo praticamente a mesma paisagem, com duas ou três cores no horizonte. Desse modo, essa monotonia da paisagem se traduz também em uma monotonia da vida que existe nesses lugares, porque o uso dos insumos químicos estão voltados a eliminar a biodiversidade, a microbiodiversidade, para favorecer justamente o crescimento de uma única espécie, a planta que produz os grãos que são comercializados. Essa produção agrícola é predominantemente voltada a produzir grãos que vão ser usados na alimentação animal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Essa é a segunda dimensão da monotonia: a da criação animal. Se qualquer um de nós pensar na maneira como são produzidas aves e suínos, talvez venha à nossa mente a imagem daquelas granjas com milhares de animais todos iguaizinhos, muito concentrados em um único ambiente. Esses ambientes concentracionários, como costumamos falar, são propícios para&amp;nbsp; propagação de doenças. A própria homogeneidade genética favorece isso. As doenças se propagam de maneira muito rápida e a única forma de controlar isso é com o uso massivo de antibióticos, o que causa o risco de grandes pandemias, como gripe suína, gripe aviária e afins. Essa é uma das grandes preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS) hoje.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Assim se completa a última dimensão, com a monotonia do consumo. Hoje temos um consumo cada vez maior de ultraprocessados, substituindo as dietas diversificadas baseadas em produtos in natura ou minimamente processados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Desse modo, há um modelo predominante. Isso é o que chamamos de sistema agroalimentar, um sistema que envolve todas as etapas da produção primária até o consumo, volume e descarte dos alimentos, e um modo predominante de organização desse sistema baseado nessa tríplice monotonia.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Há um segundo ponto que quero trazer para essa conversa. Hoje, não sem razão, o que mais chama a atenção no debate público é o aquecimento global e as mudanças climáticas, mas é importante relembrarmos que isso representa apenas um dos chamados limites do planeta. A edição mais recente do “&lt;a href="https://www.stockholmresilience.org/research/planetary-boundaries.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Planetary Boundaries&lt;/a&gt;” mostra que dos nove limites planetários, sete já foram ultrapassados. É importante destacar que o sistema agroalimentar global tem contribuído de forma decisiva para que esses limites sejam ultrapassados.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os nove limites do planeta são sistêmicos, ou seja, ao comprometer um, há um efeito sobre os demais. Isso significa que se não revermos a maneira como está organizado o sistema agroalimentar, não existe nenhuma possibilidade de ter uma resposta satisfatória para a agenda climática e para a agenda ambiental contemporânea.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No caso da agenda climática, se considerarmos a contribuição do sistema agroalimentar na escala global, ele responde por aproximadamente um terço das emissões [de gases de efeito estufa]. No caso do Brasil, quando consideramos os efeitos diretos e indiretos, estamos falando de três quartos das emissões. Então, para qualquer lado que olhamos, é fundamental pensar em uma transição do sistema agroalimentar.&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;E como pode ser feita essa transição?&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;No livro organizado por mim e pelo meu colega Ricardo Abramovay, discutimos exatamente isso. Começamos com esse diagnóstico que mencionei. Não tem como pensarmos em algum modelo sustentável de relação entre sociedade e natureza sem uma mudança do sistema agroalimentar. Além disso, dizemos também que não é uma questão de saber se vamos ter uma transição ou não. Uma transição já está acontecendo. Essa é a notícia boa. A notícia ruim, porém, é que essa transição está sendo muito lenta e não necessariamente ela está tomando uma direção melhor. Ou seja, a transição já começou, mas está sendo lenta e ambígua demais perante o necessário.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1.jpg" alt="" class="wp-image-197867" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00527-1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Noite de autógrafos do lançamento do  livro &amp;#8216;Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil&amp;#8217;, publicado pela Editora Senac em novembro de 2025. Foto: Editora Senac.&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;O que está sendo feito hoje? Temos um arquipélago de inovações, mas que não são o suficiente para alterar o sentido geral do sistema agroalimentar. E que inovações são essas? Se eu olhar para agricultura, vemos se tornar mais frequente o uso de bioinsumos na produção agropecuária. Isso é importante porque substitui o uso de insumos químicos – alguns deles que destroem a biodiversidade e os solos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No caso da pecuária, há um conjunto de tecnologias que levam ao que chamamos de intensificação moderada da pecuária. Intensificação por quê? Porque hoje desmatam, desmatam e desmatam para ter áreas enormes de pastagem com uma produtividade muito baixa. Se tivermos tecnologias – e temos – para criar esses animais em uma área menor, integrando a criação animal com produção de grãos e com florestas, o que teria resultados ambientais muito melhores.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No âmbito do consumo, temos também iniciativas como o “&lt;a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Guia alimentar para população brasileira&lt;/a&gt;” [documento elaborado pelo Ministério da Saúde], que chama a atenção para quão nocivos são os ultraprocessados e para a importância de dietas diversificadas. Temos nas políticas públicas a introdução de critérios baseados, por exemplo, na Classificação NOVA [um sistema desenvolvido por pesquisadores da USP, que categoriza alimentos em quatro grupos com base no nível de processamento industrial] para políticas de alimentação escolar e etc.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para todos os lados que olhamos estão sendo feitas inovações, mas por que então estou dizendo que elas ainda são muito lentas e muito ambíguas? Porque a maneira como está organizado o ambiente institucional – financiamento, incentivos fiscais, regulação – continua favorecendo as práticas convencionais. Temos um paradoxo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao mesmo tempo em que aumenta o uso de bioinsumos, aumenta ainda mais o uso dos insumos convencionais, os fertilizantes químicos e os agrotóxicos. Ao mesmo tempo em que aumentam as práticas da chamada pecuária regenerativa, aumentam ainda mais as áreas de pastagem convencional e o desmatamento. Ao mesmo tempo em que você tem o uso de instrumentos como guia alimentar, você tem um aumento ainda maior do consumo de ultraprocessados. Então, temos uma transição que já começou, mas que precisa ser fortemente corrigida. É neste momento que estamos agora.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Há uma disputa em torno desse diagnóstico, porque algumas lideranças vão dizer: “Olha, não precisa de muita coisa, não precisa fazer mais nada, porque a gente já tem essas tecnologias novas”. Outros vão dizer: “A agricultura brasileira já é sustentável, porque já tem bioinsumos, já tem pecuária regenerativa.” Ou ainda: “É só uma questão de tempo para que uma coisa substitua a outra”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Esse argumento está errado. Precisamos fazer correções. Não dá para dizer que não temos inovações e coisas interessantes acontecendo. Mas estamos muito longe de uma situação na qual essas inovações sejam suficientes ou sejam predominantes no curto prazo. Tem muita coisa que precisa ser feita para acelerar e corrigir essa transição.&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Há alguns princípios ou práticas de transformação desse sistema agroalimentar? Você citou alguns, mas poderia falar sobre o conjunto de práticas?&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;


&lt;div class="wp-block-image"&gt;
&lt;figure class="alignleft size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1280" height="1920" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-1280x1920.jpg" alt="" class="wp-image-197868" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-1280x1920.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-200x300.jpg 200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-1024x1536.jpg 1024w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-1365x2048.jpg 1365w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-640x960.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-500x750.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-800x1200.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-1920x2880.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-150x225.jpg 150w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/DSC00502-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Foto: Editora Senac.&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;


&lt;p&gt;Tem um repertório gigante. O uso de bioinsumos substituindo os insumos químicos é uma prática. A chamada pecuária regenerativa ou sistemas de integração entre lavoura, pecuária e floresta são outras. A rotulagem de alimentos indicando quais alimentos consumidos em quantidade muito grande são nocivos à saúde também é uma prática, que é importante porque instrui os consumidores sobre o que estão consumindo e qual o resultado disso.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A prática da certificação e da rastreabilidade, que são cada vez mais exigidas nos mercados – e deveria ser mais ainda – é um outro tipo de prática. O conjunto de práticas que muitas vezes se rotula como “agroecologia” – que é um conceito muito elástico – é algo que também podemos colocar nesse arquipélago de inovações.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mas o que falta? Em primeiro lugar, falta termos de maneira partilhada a transição do sistema agroalimentar. Por exemplo, quando se fala de transição energética, todo mundo vai dizer: para ter transição energética, precisamos superar a dependência de combustíveis fósseis. Tem uma discussão ou divergência sobre o tempo e o caminho, mas o centro do debate é o chamado phase-out, ou a transitioning away, deixando para trás o petróleo. Precisamos urgentemente ter algo similar para o caso do sistema agroalimentar.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Deveríamos cada vez mais falar que precisamos de um phase-out ou de uma transitioning away, deixando para trás esse modelo convencional baseado em insumos químicos, intensificação e consumo de ultraprocessados. É sobre compartilhar um diagnóstico.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O segundo ponto é que precisamos incentivar essas inovações e desincentivar o convencional. Hoje esse é o problema. Não se está substituindo uma coisa pela outra. As duas coisas estão existindo simultaneamente, e não vamos ter transição se uma coisa não substituir a outra. Isto é, se a agropecuária regenerativa ou a agroecologia não substituírem o modelo convencional. Se você pegar o Plano Safra, que é o principal instrumento de financiamento da agricultura brasileira, você vai ver que a esmagadora maioria dos recursos vai para o convencional. E um percentualzinho vai para a agricultura de baixo carbono. Não vai funcionar, porque significa exatamente isso: você está colocando um caminhão de dinheiro no convencional e um pouquinho no inovador. Claro, não dá para fazer essa mudança do dia para a noite, mas é preciso ter uma progressividade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em terceiro lugar, precisamos trabalhar com um uso forte do conceito de agropecuária regenerativa, porque você vai ver organizações do setor empresarial dizendo cada vez mais: “Nós temos que praticar uma agricultura ou uma agropecuária regenerativa”. Excelente. Todos estamos de acordo com isso, mas isso não resolve o problema da transformação e do consumo. Você pode ter uma agropecuária regenerativa que produza soja para virar matéria-prima para ultraprocessados. Ou seja, não vai existir uma alimentação saudável só com a agropecuária regenerativa. Isso é o feijão da feijoada. Sem agropecuária regenerativa não tem sistema agroalimentar sustentável, mas só ela é insuficiente para o sistema agroalimentar sustentável.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Tem também muita gente usando a expressão “agropecuária regenerativa” para fazer referência a um uso tópico de uma ou outra tecnologia. Por exemplo, vão dizer “fazemos plantio direto, isso é agropecuária regenerativa”, mas usa vários insumos químicos ou faz irrigação desperdiçando os recursos hídricos de um determinado ecossistema local.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Não é uma tecnologia ou outra. O que nos permite dizer que é uma agropecuária regenerativa é contribuir – como o próprio nome diz – para a regeneração da capacidade de um ecossistema em continuar prestando serviços essenciais para a vida humana, como o fechamento do ciclo de determinados elementos químicos como carbono e nitrogênio, a formação dos ciclos de armazenamento e circulação dos recursos hídricos, a regulação térmica e o regime de chuvas. Há uma série de processos naturais dos quais a vida humana e a própria agropecuária dependem. A produção precisa de chuvas e regulação térmica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Desse modo, o que eu chamo de uso forte da expressão agropecuária regenerativa não é apenas uma tecnologia, mas um conjunto de práticas – tecnologias e sistemas de fiscalização e de regulação que contribuem para a regeneração dos ecossistemas. Não adianta usar bioinsumos e continuar desmatando a Amazônia. Isso não é agropecuária regenerativa e não pode ser considerada como. Isso eu chamo de uso fraco da expressão.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1284" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2.jpg" alt="" class="wp-image-197872" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-300x201.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-1536x1027.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-640x428.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-500x334.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-800x535.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-1280x856.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Feijao_MacLee_270506_2-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Irrigação de uma platação de feijão em Avaré, no interior de São Paulo. Foto: José Reynaldo da Fonseca/Wikipédia.&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Voltando um pouco também na questão dos limites planetários, como essa transformação do sistema agroalimentar pode fazer um uso mais racional dos recursos como a água, por exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Os estudos mostram que áreas de cobertura florestal próxima ou no interior das próprias fazendas têm um impacto na produtividade, porque há mais umidade. No caso da produção rural, a sombra das árvores e da floresta gera conforto térmico aos animais e a menor necessidade de consumo de água. Esse é um exemplo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Outro que acho muito importante é que, no momento em que a questão hídrica vai se tornando tão relevante quanto o aquecimento global em termos ambientais ou tão ou mais que os conflitos por terra, que historicamente no Brasil sempre foram predominantes, precisamos ter uma regulação da atividade agropecuária. Esse setor é muito exigente em consumo de água. Por isso, é necessário melhorar a legislação e fiscalização sobre como estão sendo utilizados os recursos hídricos para a irrigação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por fim, de forma muito direta, precisamos interromper o desmatamento, seja legal ou ilegal, imediatamente. Já sabemos que o desmatamento do Cerrado e da Amazônia tem levado a mudanças do regime de chuvas. Alguns estudos dos colegas da Embrapa já mostram que em algumas áreas do Cerrado se produz atualmente no limite da disponibilidade hídrica. Se chover um pouquinho menos – e a tendência é essa por conta do desmatamento e do aquecimento global –, só vai ser viável continuar produzindo nessas regiões com irrigação. E isso causa dois problemas: terá que usar mais água e os custos pelo próprio setor agropecuário – retirar água do solo custa em equipamentos, energia e etc. É falso o argumento de que melhorar a gestão ambiental prejudica a competitividade agropecuária. Pelo contrário, porque é melhorada a disponibilidade hídrica, reduzindo o custo da irrigação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A gestão agregada – nacional e internacional – da questão ambiental é fundamental para a regulação do regime de chuvas e, portanto, para a disponibilidade hídrica.&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 13:24:00 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/reportagens/e-falso-que-melhorar-a-gestao-ambiental-prejudica-a-agropecuaria-diz-pesquisador-da-usp/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/reportagens/e-falso-que-melhorar-a-gestao-ambiental-prejudica-a-agropecuaria-diz-pesquisador-da-usp/</guid></item><item><title>SP Ocean Week debate o futuro da vida marinha com foco em áreas protegidas</title><link>https://oeco.org.br/salada-verde/sp-ocean-week-debate-o-futuro-da-vida-marinha-com-foco-em-areas-protegidas/</link><description>
&lt;p&gt;O encontro anual dedicado à cultura e à sustentabilidade do oceano, a &lt;strong&gt;SP Ocean Week&lt;/strong&gt;, acontece entre os dias &lt;strong&gt;20 e 24 de maio&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;Memorial da América Latina&lt;/strong&gt;, com entrada gratuita. Voltadas aos desafios ambientais que ameaçam a vida marinha, as atividades buscam apresentar ao público o que está sendo desenvolvido para a proteção dos ecossistemas marinhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A edição de 2026 traz o tema&amp;nbsp; “O papel das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) e os desafios de fazer o oceano renascer, tornando efetiva a conservação da vida marinha no Brasil e no mundo.” As AMPs são porções do oceano, mares e áreas costeiras que recebem proteção legal para conservação e para a manutenção da biodiversidade ameaçada e dos recursos vitais para o ecossistema regional, além de reduzir impactos antrópicos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao longo dos cinco dias de programação, serão apresentadas palestras, mostras de cinema com temática ambiental, exposições, oficinas educativas, apresentações musicais e encontros com instituições que atuam diretamente na conservação da biodiversidade marinha brasileira. A iniciativa é organizada pela &lt;a href="https://catedraoceano.iea.usp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Cátedra UNESCO para Sustentabilidade do Oceano&lt;/a&gt;, vinculada à USP, em parceria com a MidiaMar Comunicação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Entre os nomes convidados estão profissionais ligados a instituições como WWF-Brasil, Fundação Florestal, pesquisadores universitários e organizações internacionais. A programação cultural conta com galeria artística, espaço de divulgação literária, palco aberto interativo, apresentações do cantor &lt;strong&gt;BNegão&lt;/strong&gt; e do compositor e percussionista &lt;strong&gt;Julinho Mendes &lt;/strong&gt;e uma sala de cinema com documentários selecionados.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um dos destaques é a participação do &lt;a href="https://www.projetocavalosmarinhos.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Projeto Cavalos-Marinhos&lt;/a&gt;, que exibe o documentário “Sinfonia dos Cavalos-Marinhos”. Criado no Rio de Janeiro, o projeto ampliou sua atuação para São Paulo há cinco meses. “Agora que estamos gerando novos dados sobre as populações de cavalos-marinhos no litoral norte do estado, estamos muito contentes em poder levar esse conhecimento para a sociedade e mostrar o quanto esses animais estão presentes em São Paulo também.” comenta a coordenadora do Projeto Cavalos-Marinhos, &lt;strong&gt;Natalie Freret-Meurer&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Participando pela primeira vez da SP Ocean Week, a instituição também levará um estande interativo para expor suas pesquisas, ações de conservação e iniciativas de educação. Além do trabalho científico realizado por biólogos para o monitoramento e a preservação das populações de cavalos-marinhos, o projeto faz ações de conscientização e capacitação com pescadores, mulheres caiçaras, agentes de unidades de conservação, jovens e professores da educação infantil através de oficinas educativas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo Natalie, levar esse trabalho para um evento aberto como a SP Ocean Week cria um espaço de diálogo e incentiva o engajamento da comunidade na proteção dos oceanos e valoriza iniciativas que unem pesquisa, educação ambiental e impacto social.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“[O evento] é uma oportunidade, além de popularizar o Projeto Cavalos-Marinhos, de também trabalhar com articulação política e científica, criar novas parcerias e redes”, comenta Freret-Meurer. “Estamos todos lutando pela conservação dos oceanos, e é uma oportunidade única de construir boas relações e multiplicar nossas ações&amp;#8221;, acrescenta.&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Coral Vivo terá estande próprio&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;O Projeto Coral Vivo também marcará presença na SP Ocean Week 2026. Com um estande interativo localizado no espaço Cais do Porto, reunirá atividades educativas e experiências imersivas sobre os recifes de coral. A programação inclui exposição de esqueletos de corais, que permite observar de perto as estruturas e compreender a formação dos recifes, a&amp;nbsp; observação de zooxantelas – microalgas que vivem em simbiose com os corais e são fundamentais para sua sobrevivência – em microscópio e uma experiência em realidade virtual 360º com imagens de recifes de Abrolhos e do litoral baiano.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Referência na conservação de recifes há mais de 20 anos, o Coral Vivo participa do evento em parceria com a Rede Biomar, formada por iniciativas voltadas à preservação da biodiversidade marinha, como Projeto Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Tue, 19 May 2026 10:25:00 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/salada-verde/sp-ocean-week-debate-o-futuro-da-vida-marinha-com-foco-em-areas-protegidas/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/salada-verde/sp-ocean-week-debate-o-futuro-da-vida-marinha-com-foco-em-areas-protegidas/</guid></item><item><title>Mato Grosso ganha roteiro que une ciência, conservação, turismo – e primatas!</title><link>https://oeco.org.br/salada-verde/mato-grosso-ganha-roteiro-que-une-ciencia-conservacao-turismo-e-primatas/</link><description>
&lt;p&gt;Lar de uma biodiversidade que atravessa três biomas – Amazônia, Pantanal e Cerrado –, Mato Grosso ganhou um roteiro que pretende transformar a observação de primatas e o turismo científico em aliados da conservação da natureza. Lançado oficialmente na última sexta-feira (15), a Rota dos Primatas de Mato Grosso – Trilhando Novos Caminhos, o projeto percorre áreas naturais preservadas em sete localidades do estado na busca por pelo menos 15 espécies de macacos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O estado de Mato Grosso &lt;a href="https://oeco.org.br/reportagens/amazonas-e-o-estado-brasileiro-com-maior-numero-de-primatas-veja-o-ranking/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;é o terceiro do Brasil&lt;/a&gt; em diversidade de primatas no Brasil, com um total de 32 espécies. Entre as estrelas da Rota estão os ameaçados zogue-zogue-de-Mato-Grosso (&lt;em&gt;Plecturocebus grovesi&lt;/em&gt;), também conhecido como zogue-zogue-de-Alta-Floresta, e o macaco-aranha-da-cara-branca (&lt;em&gt;Ateles marginatus&lt;/em&gt;). O roteiro pode ser feito em aproximadamente 15 dias.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O lançamento foi feito em São Paulo, durante um painel do Avistar Brasil 2026. A iniciativa busca transformar o estado em um destino estratégico e referência nacional para o turismo de observação de vida silvestre no país. A iniciativa começou a ser implementada há três anos pelo Instituto Ecótono, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPR) e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio). O projeto contou ainda com o apoio do Sebrae para estruturação e aprimoramento dos produtos turísticos associados à Rota dos Primatas.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="1350" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT.jpeg" alt="" class="wp-image-197824" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT.jpeg 1080w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT-240x300.jpeg 240w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT-640x800.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT-500x625.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT-800x1000.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/logo-rota-dos-primatas-MT-150x188.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Logo Rota dos Primatas de Mato Grosso/Reprodução&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Todos os empreendimentos participantes recebem assessoria técnica especializada para adoção de boas práticas no turismo de observação de fauna, no manejo da visitação e na conservação. A Rota integra hospedagens em pousadas, reservas privadas, propriedades rurais e comunidades locais. Entre os destinos do roteiro estão o Jardim da Amazônia Lodge, Cristalino Lodge, Fazenda Anacã, Paso Kaú, Recanto dos Buritis e Sítio Água Boa.&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 18:55:25 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/salada-verde/mato-grosso-ganha-roteiro-que-une-ciencia-conservacao-turismo-e-primatas/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/salada-verde/mato-grosso-ganha-roteiro-que-une-ciencia-conservacao-turismo-e-primatas/</guid></item><item><title>Estudo mostra a importância de área de conservação para abelhas sem ferrão</title><link>https://oeco.org.br/salada-verde/estudo-mostra-a-importancia-de-area-de-conservacao-para-abelhas-sem-ferrao/</link><description>
&lt;p&gt;Um estudo publicado este mês na revista científica &lt;em&gt;Rodriguesia&lt;/em&gt; revela que áreas verdes urbanas, como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, desempenham um papel crucial na conservação de abelhas sem ferrão. A pesquisa, conduzida pela engenheira agrônoma Maria Lucia França Teixeira, destaca que esses locais servem como refúgios para ninhos e reprodução dessas espécies, que enfrentam a perda progressiva de seus habitats naturais.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Intitulado &lt;a href="https://www.scielo.br/j/rod/a/Mn36zhy96hpp8NGCKfXrWmL/?lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;&lt;em&gt;&amp;#8220;Diversity and nesting characteristics of stingless bees in an urban green area, the Botanical Garden of Rio de Janeiro&amp;#8221;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, o trabalho é fruto de oito anos de monitoramento no arboreto do Jardim Botânico. Durante o período, foram registrados 94 ninhos de 13 espécies diferentes. A espécie &lt;em&gt;Tetragonisca angustula&lt;/em&gt; (Jataí) foi identificada como a mais abundante na região.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As abelhas sem ferrão são fundamentais para o equilíbrio ambiental, sendo responsáveis&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;por cerca de 70% das abelhas forrageadoras nas florestas da Mata Atlântica. Elas garantem a reprodução de uma grande quantidade de plantas nativas, desde vegetação rasteira até árvores de grande porte. O estudo reforça que a extinção dessas abelhas comprometeria diretamente a sobrevivência das plantas silvestres. Além disso, por possuírem o ferrão atrofiado, elas não representam risco à população humana.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Existem também uma alta capacidade de adaptação dessas espécies. Embora a maioria dos ninhos tenha sido encontrada em árvores frequentemente antigas e ocas, as abelhas também ocupam substratos artificiais, como muros de pedra, monumentos e até o solo. Segundo a pesquisadora Maria Lucia, a urbanização e a redução da vegetação nativa têm levado essas abelhas a migrar para zonas urbanas em busca de locais para nidificação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A pesquisa destaca que a conectividade entre o arboreto do Jardim Botânico e outros fragmentos de mata, como o Parque Nacional da Tijuca, cria um corredor ecológico essencial. Essa ligação permite que a diversidade de espécies permaneça elevada, mesmo sob pressões urbanas e presença humana.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A preservação de árvores antigas e a criação de corredores ecológicos são estratégias vitais para evitar a extinção dos polinizadores nativos. Para Maria Lucia França Teixeira, a conservação dessas espécies depende de um conjunto de ações que envolvem desde pesquisas científicas até políticas públicas e iniciativas de educação ambiental.&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 18:52:39 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/salada-verde/estudo-mostra-a-importancia-de-area-de-conservacao-para-abelhas-sem-ferrao/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/salada-verde/estudo-mostra-a-importancia-de-area-de-conservacao-para-abelhas-sem-ferrao/</guid></item><item><title>Como a proibição da queima da cana em São Paulo impulsionou o desenvolvimento econômico e social</title><link>https://oeco.org.br/colunas/como-a-proibicao-da-queima-da-cana-em-sao-paulo-impulsionou-o-desenvolvimento-economico-e-social/</link><description>
&lt;p&gt;No debate público brasileiro, políticas ambientais ainda costumam ser tratadas como sinônimo de custo econômico. A narrativa é familiar: proteger o meio ambiente encarece a produção, reduz competitividade, destrói empregos e freia o crescimento. Repetida à exaustão, essa lógica transforma qualquer regulação ambiental em ameaça ao desenvolvimento. Mas e se essa premissa estiver errada? E se a regulação ambiental estimular a inovação e a modernização da indústria? Se ela incentivar um setor a dar um salto de qualidade e produtividade? Se ajudar uma atividade econômica de uma região do Brasil a ficar mais forte e competitiva? A experiência de São Paulo com a cana-de-açúcar sugere exatamente isso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um estudo da Rede de Pesquisa em Produtividade e Sustentabilidade (Rede PP&amp;amp;S) mostra que a proibição gradual da queima da cana reduziu o emprego agrícola, mas também impulsionou uma transformação econômica mais ampla: respondeu por mais de 70% do crescimento do emprego industrial nas regiões analisadas, elevou a renda per capita e contribuiu para reduzir pobreza, desemprego e trabalho infantil. Um resultado de ganha-ganha claro para empresas e sociedade. Por sua importância, esse caso merece ser conhecido a fundo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Essa transformação começou em 2002, quando o estado de São Paulo aprovou uma legislação para eliminar gradualmente a queima da palha da cana antes da colheita. Durante décadas, essa prática foi tratada como parte natural do processo produtivo. O fogo facilitava o corte manual ao remover a palha e espantar animais peçonhentos, mas também produzia enormes volumes de fumaça, poluição atmosférica, emissões de gases de efeito estufa e impactos à saúde pública, especialmente problemas respiratórios em comunidades urbanas e rurais próximas às lavouras.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Com a nova regulamentação proibindo a queima, a mecanização avançou rapidamente. De acordo com o estudo “Do campo às fábricas: Como a proibição de queimadas em São Paulo impulsionou a industrialização”, em 2006, pouco mais de 30% da área colhida já utilizava máquinas. Em 2012, esse número ultrapassava 60%. Esse movimento, por consequência, reduziu a necessidade de trabalho manual. Uma colheitadeira substitui dezenas de cortadores de cana. Em tese, era a receita perfeita para uma crise no mercado de trabalho rural.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Houve, sim, uma forte queda da demanda por trabalho manual. Mas a história não terminou aí. Analisando 393 municípios paulistas entre 2000 e 2010, o estudo mostra que a mecanização respondeu por 77% da queda do emprego agrícola no período. Ao mesmo tempo, a expansão da agroindústria, especialmente dos setores de açúcar e etanol, explicou 74% do crescimento do emprego industrial. Em outras palavras: trabalhadores deixaram os campos, mas foram absorvidos pelas fábricas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os efeitos sociais também foram positivos. Nos municípios mais impactados pela mecanização, a renda domiciliar per capita subiu quase 6%. No mesmo período, o desemprego caiu cerca de 24% e a pobreza recuou aproximadamente 13%. O trabalho infantil entre crianças de 10 a 15 anos também diminuiu quase 10%.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Esses resultados desafiam uma visão ainda dominante no Brasil: a de que a regulação ambiental necessariamente significa perda econômica. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;



&lt;p&gt;Claro, isso não quer dizer que qualquer política ambiental produzirá automaticamente a prosperidade social. O caso paulista tinha características específicas. A cadeia da cana já possuía forte integração industrial, o que facilitou a absorção de trabalhadores deslocados. Nem todo setor ou região oferece essa mesma capacidade de transição. Mas a lição central permanece.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A pergunta não deveria ser se políticas ambientais ajudam ou atrapalham a economia. A pergunta correta é: sob quais condições elas podem estimular um crescimento melhor. Porque regulações bem desenhadas podem fazer mais do que impor restrições. Elas podem alterar incentivos, acelerar inovação, eliminar tecnologias ultrapassadas e empurrar cadeias produtivas para modelos mais eficientes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ainda persiste a tentação de tratar a sustentabilidade como custo ou obstáculo burocrático. Mas economias modernas crescem justamente ao incorporar produtividade, tecnologia e maior valor agregado. Sob essa lógica, a sustentabilidade pode ser menos um freio e mais um motor de modernização. São Paulo deixa uma mensagem clara: política ambiental não precisa ser apenas política ambiental. Quando bem desenhada, pode também ser política econômica, industrial e social. Talvez o verdadeiro erro esteja em continuar tratando crescimento e proteção ambiental como se fossem inimigos naturais.&lt;/p&gt;



&lt;div class="wp-block-group pl-5 pr-5 pt-3 pb-3 shadow has-background" style="background-color:#cccccc"&gt;&lt;div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"&gt;
&lt;p class="p-5"&gt;&lt;em&gt;As opiniões e informações publicadas nas seções de &lt;strong&gt;colunas&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;análises &lt;/strong&gt;são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site &lt;strong&gt;((o))eco&lt;/strong&gt;. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;



&lt;div style="height:35px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"&gt;&lt;/div&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 18:32:10 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/colunas/como-a-proibicao-da-queima-da-cana-em-sao-paulo-impulsionou-o-desenvolvimento-economico-e-social/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/colunas/como-a-proibicao-da-queima-da-cana-em-sao-paulo-impulsionou-o-desenvolvimento-economico-e-social/</guid></item><item><title>A capital das árvores? Como Palmas tenta expandir sua cobertura verde</title><link>https://oeco.org.br/reportagens/a-capital-das-arvores-como-palmas-tenta-expandir-sua-cobertura-verde/</link><description>
&lt;p&gt;Estar em meio à maior floresta tropical do planeta não garante cidades mais arborizadas. Na Amazônia Legal, sete dos nove estados estão abaixo da média nacional nesse quesito, e cinco capitais figuram entre as dez piores do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse cenário, Palmas (Tocantins) surge como exceção: é a terceira capital mais arborizada do Brasil e quer plantar mais 100 mil mudas até 2028. Mas o desafio vai além dos números: especialistas alertam para maior atenção à biodiversidade e ao planejamento urbano.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo o &lt;a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43166-censo-2022-dois-em-cada-tres-brasileiros-moram-em-vias-sem-rampa-para-cadeirantes" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Censo Demográfico 2022&lt;/a&gt;, cerca de 88,7% das vias de Palmas têm pelo menos uma árvore. A metodologia utilizada pelo IBGE considera a porcentagem de árvores plantadas no entorno dos domicílios, podendo ser ao longo da calçada e/ ou em canteiro, mesmo que apenas em parte. Para o presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA), Isac Braz da Cunha, a quantia conquistada ainda não é o suficiente: “É nossa prioridade máxima aumentar o número de árvores. Até o final deste governo [2028] vamos atingir mais 100 mil mudas, com certeza&amp;#8221;, promete.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Cunha informa que, até agora, chegando à metade do segundo ano de gestão, 10 mil mudas foram plantadas na cidade e 16 mil estão prontas para ir ao solo após o período de estiagem. O foco inicial é a avenida Teotônio Segurado – recentemente renomeada como Siqueira Campos, em homenagem ao pai do prefeito –, a maior da Região Norte e a mais longa avenida em linha reta do Brasil, com 26 km de extensão. “Será uma avenida-parque”, antecipa o presidente da fundação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Estamos apostando na arborização para manter o conforto térmico diante das mudanças climáticas. Não somos uma cidade com muitos poluentes e confiamos nas árvores para manter o clima agradável”, complementa. Para efeito de comparação, Palmas emitiu quase 16x menos gases de efeito estufa em 2024 (924.666 milhões de toneladas de CO2) que São Paulo (14.704.375 MtCO2).&lt;/p&gt;


&lt;div class="wp-block-image"&gt;
&lt;figure class="aligncenter size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="1162" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas.jpeg" alt="" class="wp-image-197807" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas.jpeg 960w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas-248x300.jpeg 248w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas-640x775.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas-500x605.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas-800x968.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Presidente-da-Fundação-Municipal-de-Meio-Ambiente-FMA-Isac-Braz-da-Cunha-Divulgação-Secom-Palmas-150x182.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA), Isac Braz da Cunha. Foto: Divulgação/Secom Palmas&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;


&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Empresas adotam jardins e ajudam a expandir áreas verdes&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Parte da estratégia da prefeitura envolve mobilizar o setor privado. Apesar de estar em um estado marcado pelo agronegócio, o setor de comércio e serviços privados concentra a maior fatia da atividade econômica local e, por isso, é mobilizado pela prefeitura como aliado na ampliação da arborização urbana.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por meio do programa “&lt;a href="https://www.palmas.to.gov.br/core/noticias/programa-adote-um-jardim-embeleza-a-cidade-e-ja-conta-com-230-empresas-participantes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Adote um Jardim&lt;/a&gt;”, mais de 200 empresas da capital se comprometem com ajardinamento, conservação e embelezamento de espaços públicos em torno dos estabelecimentos. É o caso de Junior Maracaípe, proprietário de um restaurante de massas, que há quatro anos coloca suas próprias mãos na terra e cultiva desde espécies medicinais, como babosa, capim-santo e erva-cidreira, a frutíferas, como manga. “Tem uma hortelã bem grande que uso para o kibe do restaurante&amp;#8221;, exemplifica.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"&gt;
&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="1245" data-id="197803" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333.jpg" alt="" class="wp-image-197803" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333.jpg 700w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333-169x300.jpg 169w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333-640x1138.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333-500x889.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/c2298e7c-0f12-46cc-a970-cf744cc05333-150x267.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="1245" data-id="197804" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe.jpeg" alt="" class="wp-image-197804" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe.jpeg 700w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe-169x300.jpeg 169w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe-640x1138.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe-500x889.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Junior-Maracaípe-em-frente-ao-seu-jardim-Acervo-pessoal-Junior-Maracaípe-150x267.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption"&gt;Junior Maracaípe em frente ao seu jardim. Fotos: Acervo pessoal/Junior Maracaípe&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Tudo começou como uma forma de terapia, enquanto ele lidava com um problema de saúde. “Decidi fazer algo fora da curva, cuidar de algo além de mim, e começou uma paixão. Hoje estou curado da doença e indico essa ‘terapia’ para todos&amp;#8221;, conta. Hoje, ele tem orgulho do jardim que atrai clientes. “Tem dia que a cidade está parada e o nosso restaurante cheio. É um lugar fresco, arborizado e aconchegante. Vejo que os clientes vêm não só pela comida, mas em busca dessa paz que uma área verde traz, né? As pessoas se conectam com a natureza, observam os passarinhos que vivem no jardim&amp;#8221;, diz, orgulhoso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Como um pai que admira um filho crescendo, ele acompanha a biodiversidade que vem junto do verde: “já é a terceira geração de periquito que passa por aqui”. De acordo com Maracaípe, os empresários do “Adote um Jardim” se encontram, fazem doações e trocas de mudas, mantêm uma troca de aprendizados frequentemente. “Passo uns 40 minutos, 1 hora do meu dia para o jardim&amp;#8221;, relata.&lt;/p&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Quantidade não basta, diz pesquisador&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Embora a cidade tenha bons índices de cobertura vegetal, há desafios e melhorias pela frente. O biólogo Renato Torres Pinheiro, professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), estuda há duas décadas a relação das árvores com a &lt;a href="https://www.scielo.br/j/cflo/a/79Z6jHkjm7Jpj4qJdqwpmXr/?format=pdf&amp;amp;lang=pt" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;biodiversidade&lt;/a&gt; animal, em especial das aves. &amp;#8220;Já constatamos em Palmas a relação entre a riqueza de aves e a abundância de espécies de árvores nativas. Em contraponto, as árvores exóticas influenciam negativamente a presença de aves&amp;#8221;, analisa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ou seja, as espécies que já fazem parte originalmente daquele bioma (no caso de Palmas, predominantemente o Cerrado) contribuem para a presença de aves, enquanto aquelas trazidas de fora, ainda que bonitas e aparentemente inofensivas, afastam esses animais. “Nós trabalhamos primeiramente com 80 quadras, o que é mais da metade do gradiente de urbanização do plano diretor da cidade, e percebemos isso. Recentemente, refizemos esse trabalho com outra dinâmica e encontramos a mesma relação&amp;#8221;, acrescenta.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo o professor, mais importante do que estabelecer metas de plantio é definir que espécies regionais sejam priorizadas. Pinheiro também critica a falta de orientação técnica para moradores que plantam por conta própria. “Por mais que seja com boa intenção, é preciso conscientizar que a arborização é mais complexa do que somente sair plantando. É preciso avaliar espécie, localização, distância de calçadas e redes elétricas”, explica.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1097" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins.jpeg" alt="" class="wp-image-197802" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins.jpeg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-300x171.jpeg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-1536x878.jpeg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-640x366.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-500x286.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-800x457.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-1280x731.jpeg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Professor-Renato-Torres-Pinheiro-da-UFT-Divulgação_Naturatins-150x86.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Professor Renato Torres Pinheiro, da UFT. Divulgação: Naturatins&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Há dez anos, o biólogo coordenou a elaboração de um &lt;a href="https://resolve.palmas.to.gov.br/media/formularios/8a8eb6115610442981c06fdcd09b55b1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;manual de arborização&lt;/a&gt; para a prefeitura e participou da construção de uma base de dados com mais de 30 mil árvores geolocalizadas, mas afirma que ambos seguem subutilizados. “Ele ficou na gaveta, para falar a verdade. Fizeram umas 500 cópias no dia do lançamento e por isso mesmo ficou. Já a base de dados tinha o diagnóstico individual de cada uma das 30 mil árvores e deveria ser usada para auxiliar na manutenção, mas não vi nenhuma gestão usufruir&amp;#8221;, denuncia.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo Isac Cunha, da FMA, a prefeitura está revendo como lida com os plantios independentes da população. Ex-superintendente do Ibama e ex-presidente do órgão ambiental no estado, ele tem mais de 30 anos de experiência no setor e diz que se inspira em trocas de experiências com as demais capitais do país para aprimorar o gerenciamento da arborização. “Vim de Porto Alegre agora e conheci o sistema que eles utilizam. Diferente daqui, eles não doam as plantas do viveiro, os moradores têm que pedir o serviço e a prefeitura vai lá e faz&amp;#8221;, pondera. Agora, Cunha pensa em adotar esse modelo em Palmas, para garantir maior controle ao processo. “Plantar uma árvore, eu sempre digo, é como adotar um animal, tem responsabilidade pela vida inteira dela&amp;#8221;, conclui.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;De acordo com ele, as mudas do viveiro municipal são nativas e frutíferas e a Fundação dispõe de dois engenheiros florestais e dois agrônomos no corpo técnico. “Outra atualização é que vamos separar um lote de mudas para serem doadas só a partir de 1,5 de altura, porque elas, sendo um pouco mais maduras, têm mais chances de sobreviver ao plantio, o risco de serem quebradas ou vítimas de vandalismo é menor. Além disso, estamos adotando a cultura de somente a Prefeitura fazer a poda dessas árvores, ninguém pode ficar podando aleatoriamente, mesmo que tenha boas intenções.”&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1279" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1.jpeg" alt="" class="wp-image-197810" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1.jpeg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-300x200.jpeg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-1536x1023.jpeg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-600x400.jpeg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-1200x800.jpeg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-640x426.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-500x333.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-800x533.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-1280x853.jpeg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1-150x100.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Foto: Lia Mara/Prefeitura de Palmas&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Áreas verdes existem, mas nem sempre cumprem sua função&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Renato Torres Pinheiro alerta também para espaços que, na sua opinião, estão à margem da política ambiental da cidade: as chamadas “áreas verdes não edificantes”, como faixas de terreno às margens de rodovias ou em zonas protegidas, onde construções são proibidas. De acordo com o professor, essas áreas foram concebidas pelos planejadores da cidade para promover conforto bioclimático e deveriam ser abundantemente arborizadas, promovendo maior permeabilidade do solo e redução de ilhas de calor – um respiro de natureza em meio à infraestrutura urbana. “Fizemos um estudo e atestamos que, em 75% a 80% das quadras, as áreas verdes, edificantes ou de esporte e lazer, não cumprem o seu papel por não terem árvores o suficiente&amp;#8221;, informa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por outro lado, o presidente da FMA destaca que uma empresa foi contratada para fazer um estudo indicando as principais zonas da cidade com potencial para unidade de conservação. A ideia é que essa pesquisa seja concluída até meados de julho deste ano e contemple a catalogação de todas as áreas verdes indicadas no plano diretor municipal. “Nossa intenção é fazer um trabalho junto com a população e empresas que queiram adotar árvores, seguindo as orientações do plano diretor, para que todo canto de uma área comercial, as áreas não edificantes, todo espaço possa ser usado de modo sustentável&amp;#8221;, promete.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Cunha acredita que o fato de ser uma cidade tão nova, com apenas 37 anos, é uma vantagem, porque “pode começar sua história já com o pé-direito”. Quando perguntado sobre de onde a Fundação de Meio Ambiente tira dinheiro para essas ações, ele explica que tem um orçamento total de R$ 2,6 milhões, incluindo outras responsabilidades do órgão, como o combate à pesca ilegal, preservação de recursos hídricos e prevenção de incêndios. “O município está passando por uma dificuldade muito grande de queda de arrecadação, então cada pasta tem que ser criativa. Na Fundação do Meio Ambiente, o caminho que encontrei foi de conversão de multas, que tem dado um bom resultado porque é uma forma do empreendedor participar desse processo&amp;#8221;, enfatiza.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1279" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas.jpeg" alt="" class="wp-image-197801" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas.jpeg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-300x200.jpeg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1536x1023.jpeg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-600x400.jpeg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1200x800.jpeg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-640x426.jpeg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-500x333.jpeg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-800x533.jpeg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-1280x853.jpeg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Arborização-de-Palmas-Créditos-Lia-Mara-Prefeitura-de-Palmas-150x100.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Canteiro florido em uma rua em Palmas, a capital mais arborizada da Amazônia Legal. Foto: Lia Mara/Prefeitura de Palmas.&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;O &lt;a href="https://www.palmas.to.gov.br/core/noticias/programa-de-conversao-de-multas-ambientais-da-prefeitura-de-palmas-permite-transformar-valores-em-acoes-concretas-de-cuidado-com-a-natureza/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Programa Municipal de Conversão de Multas Ambientais&lt;/a&gt; (PMCMA) permite que pessoas físicas ou jurídicas autuadas por infrações ambientais substituam o pagamento da multa por investimentos em ações concretas de preservação, recuperação ou melhoria do meio ambiente. Ou seja, em vez de quitar o valor diretamente em dinheiro, o infrator pode executar um projeto próprio ou aderir a iniciativas selecionadas pela Fundação, com descontos que podem chegar a 60% sobre o valor da penalidade. “Pode doar equipamentos, como drone, computadores, há várias opções, mas colocamos como prioridade o plantio de árvores&amp;#8221;, descreve.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para prover um futuro para essas políticas, o gestor levanta a bandeira de que o meio ambiente precisa de um teto orçamentário, como acontece nas pastas de educação e saúde, e que deve ser de pelo menos 3% do total do cofre público. “Se fosse assim, seria intocável, era um recurso garantido. A ideia tem sido bem aceita, estou semeando pelo Tocantins e a proposta é engrossar a fileira com os deputados federais de todos os estados, com a bancada da floresta&amp;#8221;, prospecta. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Maior verba para a fundação poderia ser usada também para ter uma “viatura do meio ambiente&amp;#8221;, mais uma ideia de Cunha para aprimorar a política de arborização. Inspirado no &lt;a href="https://www.instagram.com/p/DRH0LdRD05f/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;inventário arbóreo&lt;/a&gt; de São Paulo, esse transporte rodaria a cidade equipado de câmera 360º e laser para escanear as ruas para catalogar a espécie, saúde, altura e localização exata de cada árvore. O objetivo é prevenir mais facilmente quedas e monitorar as necessidades das plantas, como tratamento de doenças ou podas. “Só que não é barato, tem uma empresa especializada que vende essa tecnologia, é uma meta captar recurso para isso&amp;#8221;, vislumbra. Aliar tecnologia, planejamento e estratégia baseada na biodiversidade, confia o gestor, pode ser a solução para deixar a cidade mais verde e mais resiliente.&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 17:38:31 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/reportagens/a-capital-das-arvores-como-palmas-tenta-expandir-sua-cobertura-verde/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/reportagens/a-capital-das-arvores-como-palmas-tenta-expandir-sua-cobertura-verde/</guid></item><item><title>Plantar água: o superpoder das agroflorestas</title><link>https://oeco.org.br/reportagens/plantar-agua-o-superpoder-das-agroflorestas/</link><description>
&lt;p&gt;Agroflorestas vêm se consolidando como alternativa para enfrentar os impactos da crise climática. Ao combinar árvores, cultivos agrícolas e regeneração do solo, os chamados SAFs ajudam a conservar água, aumentar a biodiversidade e tornar a produção rural mais resiliente.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Quando Nina Celli e Guilherme Stutz chegaram, em 2011, à Fazenda Monte Cristo, em Trajano de Moraes, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a área era dominada por pastos e o sonho de viver da agrofloresta parecia distante. Quinze anos depois, a paisagem está tomada por árvores nativas, frutíferas e cafezais.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“A gente começou com hortaliças, numa ‘pegada’ de horta-floresta, depois entrou com o café”, lembra Celli.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um sistema agroflorestal (SAF) busca replicar os processos de uma floresta natural, conciliando árvores nativas com a produção agrícola, incluindo o manejo de capins, arbustos e árvores, além da circulação de nutrientes e da interação entre várias espécies.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As agroflorestas vêm ganhando espaço no Brasil ao unir produção de alimentos, regeneração ambiental e maior disponibilidade de água, compondo um conjunto de benefícios que faz desses sistemas uma aposta promissora diante dos impactos crescentes da crise climática.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Seguindo essa lógica, os cultivos implantados pelo casal regeneraram o solo compactado e exaurido pela pastagem e melhoraram a umidade e a temperatura da fazenda. Nascentes intermitentes também se tornaram perenes e novas fontes brotaram.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Ernst Gotsch, agricultor suíço que veio para o Brasil na década de 1980 e responsável por disseminar o conceito de agrofloresta no país, o segredo é respeitar os mecanismos naturais. Por isso, ele explica que criar ecossistemas saudáveis que favoreçam o ciclo hidrológico é o que permite “plantar água”.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Água não é preservação, é fluxo; é dinâmica e parte do sistema. Ou seja, a circulação de água doce é resultado dessa atividade da vida do planeta”,&amp;nbsp; avalia. “Essa complexidade não está num cultivo de soja, de milho ou de eucalipto. Ela vem de um conjunto de diferentes plantas”.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1.jpg" alt="" class="wp-image-197793" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3225-1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Nina Celli e Guilherme Stutz produzem, principalmente, café e banana em sistema agroflorestal. Fotos: Tainá Junqueira&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1281" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2.jpg" alt="" class="wp-image-197794" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-1536x1025.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-500x334.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-800x534.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-1280x854.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/nina-guilherme-2-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Água e agroflorestas&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), Joel Queiroga explica que a agrofloresta acumula e distribui mais água do que os modelos em pleno sol. “Nos SAFs, a água fica disponível para as plantas em maior quantidade e por mais tempo”, descreve.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Além disso, sua pesquisa aponta que a temperatura média dentro desses sistemas é até 3,4 °C menor do que fora, enquanto a umidade é 2,3% maior do que fora deles. Ele conta que “esses dois parâmetros contribuem e diferenciam o uso eficiente da água por culturas agrícolas”. Culturas sob mais água e em melhor clima tendem a apresentar maior eficiência no uso de recursos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;É o que Stutz tem observado em uma área de experimento na fazenda Monte Cristo, como parte do seu mestrado em adubação, vinculado à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Um café que recebeu toda a dose de adubo não cresceu mais do que o que recebeu só metade da dose”, conta. Para ele, isso mostra que as plantas precisam de menos adubo, de insumos e de manejo em ambientes equilibrados.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Isso acontece porque a presença de árvores no sistema impede a irradiação solar direta, criando sombra e reduzindo a temperatura do ambiente. “Experimente ficar no sol ou debaixo de uma árvore. Você sente a diferença que é”, lembra Patrícia Vaz, engenheira agrônoma, mestre em Ciências Florestais e agricultora em São Lourenço (MG).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Além disso, galhos, folhas e troncos deixados no solo ajudam a alimentar formas variadas de vida, reduzem o calor, conservam a umidade, diminuem a temperatura do solo e aproveitam melhor a água da chuva e de outras fontes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Queiroga explica que, com o passar do tempo e um bom manejo do sistema, a própria estrutura física do solo é alterada, tornando-se mais poroso e com maior capacidade de infiltração. Assim, Joel também constatou, na pesquisa, que a umidade do solo aumenta da superfície para as camadas mais profundas ao longo do tempo.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Enquanto isso, Vaz explica que o objetivo é copiar o momento do ciclo da floresta que atrai mais água, quando a área coberta por folhas é maior. A partir do manejo e da lógica dos “estratos e andares” da floresta, é possível organizar um sistema que ocupe todo o espaço com diferentes espécies.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Quanto maior a área coberta por folhas na agrofloresta, mais água é devolvida à natureza”, reforça Vaz. Além disso, cerca de 90% da água retirada do solo pelas plantas retorna à atmosfera, aumentando a umidade do ar. “Aquela história que a vovó contava, de que a floresta faz chover, é verdade”, brinca.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-1920x1280.jpg" alt="" class="wp-image-197788" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-1920x1280.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-2048x1365.jpg 2048w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_3190-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1211" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598.webp" alt="" class="wp-image-197796" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598.webp 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-300x189.webp 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-1536x969.webp 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-640x404.webp 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-500x315.webp 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-800x505.webp 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-1280x807.webp 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/tinywow_Figura-7-planejar-bem-a-estratificacao-significa-otimizar-recursos-agua-luz-e_89639598-150x95.webp 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Plantas de diferentes portes e raízes em distintas profundidades nas agroflorestas  infiltram, absorvem e fornecem água de forma mais eficiente. Foto e Imagem:  Tainá Junqueira e MICCOLIS et al., 2016&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Clima, SAFS e a agricultura convencional&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Enquanto os SAFs aproveitam os recursos de forma mais eficiente e ganham resistência às variações de temperatura, a agricultura convencional precisa lidar com um futuro climático marcado por mais fortes e frequentes tempestades, ondas de calor e secas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo um &lt;a href="https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/30c0d98d-1c21-48ef-b5d9-8d988e6fa6f2/content" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;relatório da FAO&lt;/a&gt; (sigla em inglês da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), eventos extremos tornaram-se muito mais frequentes nas últimas décadas. Secas e tempestades cresceram de forma expressiva desde os anos 1970, com forte aumento dos desastres relacionados à água, como enchentes e enxurradas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, as secas extremas no Norte, no ano anterior, e no centro-sul, em 2022, onde as perdas superaram R$ 70 bilhões, são exemplos de fenômenos extremos registrados no Brasil nos últimos anos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média acima de 1,5 °C, limite estabelecido pelo &lt;a href="https://oeco.org.br/dicionario-ambiental/o-que-e-o-acordo-de-paris/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Acordo de Paris&lt;/a&gt; de 2015. E as previsões indicam que as temperaturas e os fenômenos extremos seguirão aumentando.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Enquanto isso, a agricultura, muito dependente das condições climáticas e ambientais, é um dos setores mais afetados pela crise climática. O setor já respondeu por 26% de todas as perdas econômicas decorrentes de desastres, entre 2008 e 2018.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Fenômenos climáticos também foram registrados na fazenda Monte Cristo. Em 2022, em uma hora, choveu cerca de 150 milímetros, mais do que a média esperada para o mês inteiro de setembro. “A enxurrada modificou o curso do rio e formou até um poço”, relatam Celli e Stutz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Apesar dos impactos climáticos exigirem cautela no uso dos recursos naturais, hoje, no Brasil, cerca de metade da água doce retirada dos mananciais serve à agricultura irrigada, segundo &lt;a href="https://portal1.snirh.gov.br/ana/apps/storymaps/stories/a874e62f27544c6a986da1702a911c6b" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;dados da ANA&lt;/a&gt; (Agência Nacional de Águas). “Essa taxa deve aumentar para permitir o cultivo em áreas hoje pouco favoráveis”, aponta Marysol Schuler, pesquisadora da Embrapa Solos no Rio de Janeiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No entanto, para Vaz, o excesso de irrigação pode “viciar as plantas”, torná-las dependentes e mais sensíveis à falta de água, com raízes cada vez mais superficiais. “A gente está deixando de descobrir formas de trazer água naturalmente para a produção”, diz. “E o uso abusivo dessa água vai tornar cada vez mais difícil irrigar”, alerta.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;É também o que atesta Gotsch. Para ele, não existe escassez de água, mas sim uma lógica inversa que reduz a vida dos sistemas e do planeta ao diminuir a circulação da água doce. “É sempre o ser humano que causa esses distúrbios”, aponta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Se trouxermos esse equilíbrio da floresta para os sistemas de produção, a gente sentiria muito menos a mudança climática do que em monoculturas”, acrescenta Vaz, que acredita que a única forma de amenizar as previsões climáticas é mudando a forma de produção.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194.jpg" alt="" class="wp-image-197784" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_0194-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Área de pesquisa sobre adubação para o café na fazenda Monte Cristo. Fotos: Tainá Junqueira&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3.jpg" alt="" class="wp-image-197782" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_3-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h3 class="wp-block-heading"&gt;&lt;strong&gt;Desafios e reforços para os SAFs&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;



&lt;p&gt;Diante do cenário climático, as agroflorestas são uma alternativa para produzir alimentos com maior equilíbrio ambiental e resiliência. Para Joel, os SAFs “são os sistemas de produção que mais se assemelham às florestas” e, por isso, têm potencial para contribuir para a manutenção do regime hidrológico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Além disso, são viáveis de serem implantados, especialmente para agricultores familiares, que tradicionalmente trabalham em áreas menores, com diversidade de culturas e práticas ecológicas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Censo Agropecuário de 2017 do IBGE mostra que esses sistemas cresceram quase 20% no Nordeste desde 2006, região com a maior concentração nacional desse tipo de produção. No país, os SAFs ocupam mais de 13,9 milhões de ha, uma área similar à do Amapá.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Parte desse movimento, Celli e Stutz mostram que é possível manter-se com um SAF. O casal começou comercializando hortaliças em feiras, diversificou a produção com a ajuda de consultorias e cursos e investiu no beneficiamento dos produtos. “O sistema é capaz de manter tudo”, contam.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mas nem todos vencem esses e outros obstáculos, como obter mão de obra especializada, saber manejar os sistemas e acessar mercados que valorizem produtos diferenciados. “As principais dificuldades são de ordem técnica e produtiva, além dos custos de implantação e de manejo”, relata Queiroga, a partir da pesquisa com agricultores.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1280" src="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1.jpg" alt="" class="wp-image-197783" srcset="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1.jpg 1920w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-300x200.jpg 300w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-1536x1024.jpg 1536w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-600x400.jpg 600w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-1200x800.jpg 1200w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-640x427.jpg 640w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-500x333.jpg 500w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-800x533.jpg 800w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-1280x853.jpg 1280w, https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IMAGEM_1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Agroflorestas conciliam a produção agrícola com a de plantas nativas, mantêm a biodiversidade e regeneram o solo e as fontes de água. Foto: Tainá Junqueira&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Diante dessa realidade, as políticas públicas são fundamentais. Iniciativas&amp;nbsp; como os programas de Aquisição de Alimentos (&lt;a href="https://www.gov.br/secom/pt-br/acesso-a-informacao/comunicabr/lista-de-acoes-e-programas/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;PAA&lt;/a&gt;) e Nacional de Alimentação Escolar (&lt;a href="https://www.gov.br/secom/pt-br/acesso-a-informacao/comunicabr/lista-de-acoes-e-programas/programa-nacional-de-alimentacao-escolar-pnae" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;PNAE&lt;/a&gt;) podem fortalecer o escoamento da produção, enquanto a Assistência Técnica e Extensão Rural (&lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/ater" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;ATER&lt;/a&gt;) dá suporte técnico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Também há políticas e linhas de crédito de bancos federais e regionais, como o Pronaf Agroflorestal e o Programa Nacional de Florestas Produtivas, esse último focado na agricultura familiar e na recuperação de áreas degradadas, sobretudo na Região Norte.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, Queiroga avalia que os SAFs deveriam ser remunerados pelos serviços ambientais prestados. “São sistemas que produzem, restauram, mantêm um ar de qualidade, uma flora e uma fauna nativas, ou seja, a biodiversidade”, descreve.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Com tantos benefícios, as agroflorestas se tornam parte indispensável das soluções para manter a produção de alimentos num mundo em crise climática e para renovar as relações entre pessoas e natureza, restaurar florestas e favorecer o ciclo da água.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“É preciso virar a chave para uma agricultura sustentável e uma sociedade mais igualitária, para que as futuras gerações sigam vivendo no planeta”, enfatiza Queiroga. “A melhor coisa que a gente pode fazer na vida é uma agrofloresta bem feita. A segunda melhor coisa é uma agrofloresta mal feita”, arremata Vaz.&lt;/p&gt;



&lt;div class="wp-block-group p-5 has-central-palette-4-background-color has-background"&gt;&lt;div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"&gt;
&lt;p&gt;Esta reportagem foi produzida através da &lt;a href="https://oeco.org.br/especial/bolsareportagem/" type="link" id="https://oeco.org.br/especial/bolsareportagem/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Bolsa Vandré Fonseca de Jornalismo Ambiental&lt;/a&gt;, concedida pelo ((o))eco com apoio da Fundação Amazônia Sustentável e Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Autor não encontrado</dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 15:11:09 +0000</pubDate><guid>https://oeco.org.br/reportagens/plantar-agua-o-superpoder-das-agroflorestas/</guid><guid isPermaLink="true">https://oeco.org.br/reportagens/plantar-agua-o-superpoder-das-agroflorestas/</guid></item></channel></rss>