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<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><title>Repórter Brasil Socioambiental</title><link>https://reporterbrasil.org.br/jornalismo/socioambiental/</link><description>Últimos artigos de Repórter Brasil Socioambiental</description><atom:link href="https://paulofeh.github.io/rss-de-valor/feeds/rep%C3%B3rter_brasil_socioambiental_feed.xml" rel="self"/><language>pt-br</language><lastBuildDate>Tue, 12 May 2026 08:00:00 +0000</lastBuildDate><ttl>60</ttl><item><title>Governo leva um ano para recolher feijão com agrotóxico 355 vezes acima do limite</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/feijao-agrotoxicos-acima-limite-expoe-falhas-fiscalizacao/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;FEIJÃO-FRADINHO REPROVADO &lt;/strong&gt;por excesso de agrotóxico — em níveis até 355 vezes acima do limite permitido — ficou mais de um ano sem ordem de recolhimento do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), período em que pode ter sido comercializado e consumido.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A irregularidade foi identificada em amostras de grãos da marca Dona Dê, durante fiscalização de rotina na fábrica da NJF Indústria e Comércio, em Santa Izabel do Pará (PA). O produto já estava embalado e pronto para ir aos supermercados. Quando o governo determinou o recolhimento, o lote já havia até perdido a validade.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A análise do ministério ocorreu em 2022 e encontrou 17,73 mg/kg de glifosato, herbicida amplamente usado em lavouras. O limite permitido de resíduo deste agrotóxico pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é de 0,05 mg/kg. Quando essa marca é ultrapassada, o alimento é considerado &lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12709.htm#art240"&gt;&amp;#8220;impróprio para uso ou consumo&amp;#8221;&lt;/a&gt; pela legislação brasileira. O glifosato é classificado como “provavelmente cancerígeno para humanos” pela OMS (Organização Mundial da Saúde).&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img fetchpriority="high" decoding="async" width="1005" height="1024" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x-1005x1024.png" alt="" class="wp-image-130157" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x-1005x1024.png 1005w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x-295x300.png 295w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x-768x782.png 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x-1508x1536.png 1508w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxicoFiscalizacao-mostra-feijao-com-agrotoxico@1.5x.png 1620w" sizes="(max-width: 1005px) 100vw, 1005px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;(Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Casos de feijão com excesso de agrotóxicos e fora dos padrões são flagrados com recorrência, conforme mostram autos de infração, laudos laboratoriais e decisões administrativas do Ministério da Agricultura acessados pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil. &lt;/strong&gt;Resultados com “não conformidades”, termo técnico usado pela fiscalização, mostram que produtos reprovados podem chegar aos supermercados e que o Mapa leva meses para solicitar a retirada das prateleiras.&lt;/p&gt;


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&lt;p&gt;A NJF é responsável por embalar feijão de marcas conhecidas, como Kicaldo, Da Casa e Tia Dora. Entre 2020 e 2025, a empresa foi autuada em ao menos sete estados por situações semelhantes: comercialização de feijão com resíduos acima do limite permitido dos agrotóxicos glifosato, glufosinato ou tiametoxam, ou com substâncias não autorizadas para a lavoura, como pirimifós metílico. As irregularidades foram encontradas em Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Piauí, Goiás, Minas Gerais e Pará.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Foram identificadas 13 multas que somam mais de R$ 1,2 milhão para NJF no período, além de quatro autos de infração que ainda aguardam decisão final ou não tiveram punição financeira aplicada até o momento.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Em resposta à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, a NJF afirmou que discorda das autuações e que os processos estão sendo contestados tanto no Ministério da Agricultura quanto na Justiça. A companhia sustenta que não utiliza os agrotóxicos citados nas autuações e que atua apenas no beneficiamento e empacotamento dos grãos, sem participação na aplicação das substâncias no campo. Em nota, declarou que os casos seriam “isolados e pontuais”, representando “quantidade ínfima de produtos” comercializados ao longo de cinco anos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;.A companhia também afirmou que não há relatos de danos à saúde de consumidores relacionados aos lotes autuados. Disse ainda que mantém laboratório interno para testes rápidos de agrotóxicos, além de enviar amostras para análises externas. &amp;#8220;A empresa recolheu todos os lotes, mesmo que os casos restem pendentes de conclusão da discussão administrativa e/ou judicial&amp;#8221;, garantiu. &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/posicionamento-da-njf-industria-e-comercio-para-reportagem-sobre-feijao-com-agrotoxico/" type="link" id="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/posicionamento-da-njf-industria-e-comercio-para-reportagem-sobre-feijao-com-agrotoxico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Leia a resposta completa.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Mapa também foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou. Nos autos dos processos, o ministério avaliou que a empacotadora tem responsabilidade legal pelas irregularidades. Segundo os documentos, a infração administrativa estaria relacionada ao fato de o produto ter sido destinado ao consumo fora dos padrões, independentemente de onde ocorreu a contaminação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Tamara Andrade, especialista em regulação de alimentos do Idec (Instituto de Defesa de Consumidores), a responsabilidade não recai apenas sobre quem aplica o agrotóxico no campo. Segundo ela, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que todos os agentes envolvidos na produção e comercialização têm responsabilidade sobre a segurança do alimento. “Todo mundo que participa da cadeia de produção e de venda tem sua parcela de responsabilidade”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Fiscalização de produto pronto para supermercado&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;A fiscalização é feita por meio do PNCRC (Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal), coordenado pelo Mapa, que prevê a coleta de amostras em diferentes pontos da cadeia, incluindo supermercados. Se a irregularidade nos índices de agrotóxico for detectada, a empresa pode ser autuada. Também podem ser determinadas a suspensão da comercialização e o recolhimento dos lotes considerados irregulares.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Cabe ao &lt;a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-sda-n-574-de-9-de-maio-de-2022-398636158"&gt;Mapa suspender a comercialização do lote&lt;/a&gt; e intimar o responsável a realizar o recolhimento do produto, se confirmada presença de resíduo acima do permitido ou substância não autorizada para a cultura.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As autuações da NJF indicam, no entanto, que a fiscalização não tem impedido que produto irregular chegue ao consumidor. O caso de 2022 no Pará ilustra esse descompasso. A coleta foi feita em fevereiro, o resultado laboratorial ocorreu em março, mas a determinação sobre o recolhimento levou um ano.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Já em 2025, durante outra fiscalização, auditores do Mapa encontraram feijão-fradinho da marca Dona Dê com glifosato quase 59 vezes acima do permitido. O pacote foi recolhido em uma rede de supermercados em Belém do Pará. O órgão enviou o resultado ao estabelecimento alguns dias após o laudo, mas sem determinar a retirada imediata do produto das prateleiras, segundo mostram os autos de infração e as decisões sobre o processo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os dados mais recentes do PNCRC mostram que o feijão, de modo geral, apresenta &lt;a href="https://repositorio-dspace.agricultura.gov.br/bitstream/1/6088/1/resultados%20programas%20dipov%202023%202024.pdf"&gt;baixos índices de conformidade&lt;/a&gt; e precisa de “uma atenção especial da fiscalização”. Em 2023, 34% das amostras de feijão-fradinho analisadas estavam fora dos padrões. Em 2024, o índice caiu, mas permaneceu alto: 27%. Segundo o Ministério da Agricultura, quase metade das irregularidades envolve uso de substâncias não permitidas para a cultura; o restante corresponde a resíduos acima dos limites estipulados pela Anvisa.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img decoding="async" width="922" height="1024" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x-922x1024.png" alt="" class="wp-image-130159" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x-922x1024.png 922w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x-270x300.png 270w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x-768x853.png 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x-1382x1536.png 1382w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/INFOGRAFICOS-2-Feijao-com-agrotoxico-RecuperadoFeijao-acumula-anos-de-irregularidades-por-agrotoxicos@1.5x.png 1620w" sizes="(max-width: 922px) 100vw, 922px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;(Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Apesar das multas, o próprio ministério reconheceu como um “problema” a recorrência de laudos que apontam resíduos de agrotóxicos acima do permitido em feijão, conforme mostram registros de uma reunião de 2021 entre o governo e o setor, acessados pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Verificou-se que o problema vem acontecendo desde 2018 e que não houve mudança no comportamento da cadeia, mesmo com os alertas realizados pelo Ministério&amp;#8221;, afirmou o então coordenador de fiscalização do Mapa, Cid Alexandre, em uma reunião entre o Dipov (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal) e a Abifeijão (Associação Brasileira da Indústria do Feijão).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Procurada, a Abifeijão não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço continua disponível para futuras manifestações.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Casos recorrentes indicam que multas são ineficazes&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;A repetição de casos de feijão fora do padrão indica que as punições não estariam sendo suficientes e que as autoridades deveriam aplicar outras sanções às empresas, avaliam os especialistas ouvidos pela reportagem.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“A gente sabe que a fiscalização enfrenta dificuldades para dar conta da capilaridade e capacidade operacional, mas também pode existir uma omissão mais deliberada”, afirma Andrade, do Idec.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Rogério Dias, do Instituto Brasil Orgânico e membro do comitê de assessoramento do Pronara (Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos), a recorrência de autuações deveria levar a medidas mais duras por parte das autoridades.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A legislação prevê punições mais duras do que multas para empresas reincidentes. O &lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12709.htm#art240"&gt;Decreto nº 12.709/2025&lt;/a&gt; considera “gravíssima” a venda de produtos com resíduos acima do limite permitido ou com substâncias não autorizadas, e trata a reincidência como agravante. Além de advertências e multas, a norma permite suspender etapas da produção e até a autorização de funcionamento da empresa, em casos mais graves.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em um das fiscalizações contra a NJF em Goiás, em 2023, o Mapa classificou a empresa como reincidente e apontou que a companhia acumulava infrações semelhantes sem comprovar medidas para evitar novos casos. O órgão também afirmou que a venda de feijão com pirimifós-metílico comprometia a segurança do produto por ser uma substância não autorizada para a cultura.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O caso foi enviado ao Ministério Público de Goiás para avaliar possíveis responsabilizações e resultou em multa de R$ 147,8 mil. No ano anterior, a empresa já havia recebido outra autuação, de R$ 456,3 mil — a maior identificada pela reportagem —, por comercializar feijão da marca Tia Dora no Piauí com glufosinato, um herbicida usado no controle de ervas daninhas, acima do limite permitido.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Dias afirma que casos recorrentes podem indicar um problema mais amplo na cadeia de produção e defende maior atuação do Ministério Público e reforço no monitoramento das regiões fornecedoras. “Se isso acontece de forma recorrente, é um indicativo de que provavelmente existe um problema maior na origem dessa produção. Talvez esteja faltando ampliar o monitoramento e fazer mais amostras em outros locais”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O PNCRC permite rastrear irregularidades até empresas específicas. Mas as informações são pouco acessíveis ao consumidor, pois as autuações só ficam disponíveis em sistemas administrativos do Ministério da Agricultura e não há divulgação consolidada das marcas ou empresas autuadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“O Mapa sempre usou o PNCRC de uma forma mais fechada, nunca quis dar grande divulgação”, afirma Dias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Andrade, do Idec, a dificuldade de acesso aos dados limita o direito de escolha da população. “É direito da pessoa consumidora saber o histórico daquilo que ela está consumindo”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Glifosato apresenta riscos à saúde, segundo pesquisadora&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Pesticida mais utilizado no Brasil, o glifosato teve seu uso ampliado a partir dos anos 2000, com a adoção de sementes geneticamente modificadas &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/"&gt;resistentes ao produto&lt;/a&gt;. O agrotóxico está associado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como Alzheimer e Parkinson. A Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), ligada à OMS, classifica a substância como “provavelmente cancerígena” em humanos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A toxicologista e pesquisadora da Fiocruz Karen Friedrich explica que, mesmo quando a quantidade de agrotóxico ingerida fica abaixo do limite diário considerado aceitável pelas agências reguladoras, isso não significa que não existam riscos, principalmente de desenvolver doenças crônicas. Ela afirma que o cálculo dos limites é baseado em um adulto de 70 kg e não considera diferenças de idade, peso e desenvolvimento do organismo, deixando crianças e gestantes mais vulneráveis às substâncias.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Além da quantidade consumida, existe a questão do desenvolvimento do organismo. Crianças têm uma fisiologia diferente e são muito mais vulneráveis aos efeitos desses agrotóxicos, especialmente daqueles associados a problemas hormonais”, esclarece Friedrich. A pesquisadora também destaca que a exposição não ocorre por uma única fonte. “O glifosato não está só no feijão. Ele pode estar em outros alimentos e até na água”, diz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por meio de nota, a Anvisa afirmou que não recebeu comunicação oficial do Mapa sobre o caso envolvendo os lotes de feijão analisados, mas avaliou que os níveis identificados pela Repórter Brasil “demandam atenção dos órgãos competentes”, por excederem de forma significativa o limite máximo de resíduos permitido para a cultura. “Em uma abordagem conservadora de avaliação, a exposição decorrente do consumo contínuo de alimentos contendo resíduos nos níveis mais elevados identificados, especialmente para grupos mais vulneráveis, poderia resultar em estimativas acima da Ingestão Diária Aceitável (IDA) estabelecida para o ingrediente ativo”, afirma o órgão.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A Anvisa ponderou que as análises foram feitas com as amostras na forma como foram coletadas, sem considerar etapas comuns do preparo do feijão, como lavagem e cocção, que podem reduzir a concentração de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. A agência ressaltou, porém, que alguns tipos de processamento também podem concentrar essas substâncias ou gerar compostos com relevância toxicológica. &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/posicionamento-da-njf-industria-e-comercio-para-reportagem-sobre-feijao-com-agrotoxico/"&gt;Leia a resposta na íntegra&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para a pesquisadora da Fiocruz, níveis tão altos de resíduos nos alimentos que chegam ao supermercado podem indicar justamente um uso cada vez mais intenso no campo, inclusive diante da &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/"&gt;crescente resistência de plantas daninhas ao herbicida&lt;/a&gt;. “Na agronomia sempre se induz muito esse uso”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo Friedrich, a recorrência de casos e os níveis altos encontrados levantam dúvidas sobre o controle do uso de agrotóxicos no campo e a atuação dos responsáveis técnicos pelas lavouras. “Por que o engenheiro agrônomo responsável por esse plantio está recomendando aplicar 300 vezes mais do que o necessário?”, questiona, ao analisar o caso do Pará.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Dias, membro do comitê de assessoramento do Pronara, também levanta preocupações sobre a exposição de trabalhadores rurais e moradores próximos às áreas de cultivo. “Como está a água do entorno? O lençol freático, a água do rio próximo? Se uma quantidade tão alta chega ao alimento, essa população que está no início da cadeia produtiva também pode estar exposta a níveis elevados de contaminação”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;em&gt;* NOTA DA REDAÇÃO: Esta reportagem foi atualizada em 14 de maio para incluir o posicionamento da Anvisa.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;


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				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Bruna Borges</dc:creator><pubDate>Tue, 12 May 2026 08:00:00 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/feijao-agrotoxicos-acima-limite-expoe-falhas-fiscalizacao/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/05/feijao-agrotoxicos-acima-limite-expoe-falhas-fiscalizacao/</guid></item><item><title>Bayer escolhe Brasil para estrear complemento a agrotóxico mais polêmico do mundo</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/bayer-brasil-complemento-agrotoxico-polemico-glifosato-icafolin/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;LÍDER MUNDIAL &lt;/strong&gt;do mercado de agrotóxicos, a Bayer prepara o lançamento de um novo herbicida que será vendido primeiro no Brasil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Com estreia prevista para 2028, o icafolin-metil é, antes de tudo, uma aposta contra &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;a crescente resistência de pragas aos pesticidas disponíveis no mercado&lt;/a&gt;. Mas também representa uma resposta às acusações de que o Roundup — um dos principais insumos agrícolas comercializados pela gigante alemã da biotecnologia — &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/estudo-atestava-seguranca-glifosato-despublicado-apos-25-anos/"&gt;estaria associado ao desenvolvimento de &lt;/a&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/estudo-atestava-seguranca-glifosato-despublicado-apos-25-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;c&lt;/a&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/estudo-atestava-seguranca-glifosato-despublicado-apos-25-anos/"&gt;âncer&lt;/a&gt; em seres humanos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/11/bayer-processos-agrotoxico-glifosato-intoxicacao-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Alvo de 192 mil processos&lt;/a&gt; apenas nos Estados Unidos, que já consumiram ao menos US$ 11 bilhões da companhia em acordos judiciais, o Roundup tem como princípio ativo o glifosato e é um dos agrotóxicos mais populares do mundo, largamente utilizado contra plantas daninhas em lavouras de grãos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo a própria Bayer, o icafolin surgiu para complementar o Roundup, cada vez menos eficaz. Mesmo antes de ser vendido, porém, o novo herbicida da Bayer já vem ligando o alerta entre ambientalistas e especialistas ouvidos pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;. Assim como acontece com o glifosato, as preocupações sobre o icafolin giram em torno dos potenciais impactos sobre o meio ambiente e a saúde pública. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Até agora, a empresa revelou muito pouco, o que é preocupante. Antes de utilizar novos produtos químicos, precisamos ter certeza absoluta de que são seguros”, afirma Dina Akhmetshina, especialista em políticas públicas da ONG americana U.S. PIRG.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Procurada, a assessoria de imprensa da Bayer no Brasil informou que a empresa não se manifestaria sobre o novo produto.&lt;/p&gt;


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&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Registro de novo herbicida corre como prioridade em órgãos competentes do Brasil&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;O icafolin-metil já recebeu o aval toxicológico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Para o seu uso técnico e comercial, no entanto, faltam as aprovações do Mapa (Ministério da Agricultura) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Esses processos tramitam com prioridade no governo federal.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A autorização do agrotóxico também tem pendências no Canadá, União Europeia e Estados Unidos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“É muito problemático a Anvisa ter aprovado antes de outras agências regulatórias, porque mostra que o princípio ativo ainda não foi devidamente analisado”, afirma Luiz Claudio Meirelles, ex-gerente da agência e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. “É claro que precisamos substituir imediatamente o glifosato, que já se provou perigoso para a saúde humana, mas é preciso ter cautela na avaliação de novos agrotóxicos”, complementa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em 6 de maio, membros da diretoria colegiada da Anvisa aprovaram de forma unânime o princípio ativo do icafolin, abrindo caminho para o uso do ingrediente no país. A agência estabeleceu limites de ingestão diária de resíduos da substância semelhantes aos do glifosato. Já o valor aceitável para a exposição de trabalhadores no campo será três vezes maior. Não houve comentários na consulta pública, feita antes da reunião.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por email, a Anvisa afirmou que ainda fará uma avaliação dos produtos formulados com a substância, “ocasião em que são considerados, adicionalmente, os demais componentes da formulação e os cenários reais de uso”.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="770" height="513" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/08/Plantacao-de-soja-em-Alto-Paraiso-GO.-Foto_-Marcelo-Camargo_Agencia-Brasil.jpg" alt="Agrotóxicos à base de glifosato são largamento utilizados em lavouras de graõs (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)" class="wp-image-112295" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/08/Plantacao-de-soja-em-Alto-Paraiso-GO.-Foto_-Marcelo-Camargo_Agencia-Brasil.jpg 770w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/08/Plantacao-de-soja-em-Alto-Paraiso-GO.-Foto_-Marcelo-Camargo_Agencia-Brasil-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/08/Plantacao-de-soja-em-Alto-Paraiso-GO.-Foto_-Marcelo-Camargo_Agencia-Brasil-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 770px) 100vw, 770px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Agrotóxicos à base de glifosato são largamento utilizados em lavouras de graõs (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;O Ministério da Agricultura já anunciou que o agrotóxico &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-agricolas/agrotoxicos/OfcioPriorizao.pdf"&gt;terá prioridade&lt;/a&gt; no processo de registro, passando à frente de centenas de outros produtos que aguardam aprovação. Em ofício, a pasta justificou a prioridade dizendo se tratar de um novo mecanismo de ação contra planas daninhas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Ibama afirmou por e-mail que ainda não iniciou a avaliação técnica do icafolin. Segundo o site da agência, existem 1.308 processos à frente na fila – embora isso possa mudar. No final de abril, segundo informações da Agenda Transparente, executivos da Bayer se reuniram com o setor de avaliação e controle da agência ambiental para discutir o icafolin. Desde que solicitou o registro, a Bayer teve 62 agendas com órgãos do governo federal — uma média de 3 por mês.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em &lt;a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39297346/"&gt;artigo científico&lt;/a&gt; publicado no ano passado, cientistas da Bayer explicam que o novo agrotóxico atua bloqueando as funções fisiológicas de plantas invasoras de lavouras.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao inibir o desenvolvimento de fios de tubulina, uma espécie de esqueleto das plantas, a planta para de crescer e fica “congelada” no campo. É um mecanismo de ação distinto do glifosato, que bloqueia enzimas responsáveis pela produção de aminoácidos essenciais à vida das plantas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em &lt;a href="https://www.bayer.com/media/en-us/bayer-submits-registration-applications-for-novel-herbicide-in-four-major-markets/"&gt;seu site&lt;/a&gt;, a Bayer afirma ter usado inteligência artificial para desenvolver a tecnologia, uma nova classe química para o controle de ervas daninhas em crescimento. De acordo com a empresa, esse é o primeiro novo modo de ação para combater ervas daninhas já brotadas em mais de três décadas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Enquanto aguarda a aprovação do registro, a Bayer também protocolou no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) uma patente para desenvolver sementes e plantas resistentes ao icafolin. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A estratégia é a mesma do Roundup: criar um “pacote tecnológico”, em que a empresa comercializa tanto o herbicida quanto as sementes resistentes ao agrotóxico. Nos últimos anos, a venda deste tipo de pacote aos produtores rurais transformou a Bayer em uma das maiores empresas de sementes do mundo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Após o lançamento do produto no Brasil, líder no consumo de agrotóxicos, a Bayer pretende lançar o icafolin no mercado global. A empresa já pediu registro do princípio ativo e de patentes de sementes resistentes ao novo herbicida em uma dúzia de países, inclusive nos Estados Unidos e na União Europeia.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Graficos-CCAS_Brasil-e-o-que-mais-aplica-agrotoxicos-819x1024.png" alt="" class="wp-image-91671" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Graficos-CCAS_Brasil-e-o-que-mais-aplica-agrotoxicos-819x1024.png 819w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Graficos-CCAS_Brasil-e-o-que-mais-aplica-agrotoxicos-240x300.png 240w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Graficos-CCAS_Brasil-e-o-que-mais-aplica-agrotoxicos-768x960.png 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Graficos-CCAS_Brasil-e-o-que-mais-aplica-agrotoxicos.png 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;(Gráfico: Rodrigo Bento/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;OMS classifica glifosato como provavelmente cancerígeno&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Dina Akhmetshina, da U.S. PIRG, diz estar preocupada por se tratar de um insumo que deverá ser utilizado em grande escala. A própria Bayer afirmou que, “&lt;a href="https://agfundernews.com/icafolin-methyl-a-completion-of-glyphosate-not-a-replacement-in-conversation-with-bayer"&gt;na maioria dos casos&lt;/a&gt;”, o icafolin-metil será aplicado em combinação com glifosato no pulverizador. No Brasil, uma área superior a 50 milhões de hectares de soja — quase o equivalente ao território de Minas Gerais — é manejada com glifosato, na sua maioria Roundup.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao anunciar os pedidos de registro do icafolin no Brasil e em outros países, a empresa afirmou que o herbicida tem um “perfil excepcional” de segurança e se enquadra na categoria regulatória de “risco reduzido.”&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Porém, o único estudo publicado até agora sobre a segurança do insumo &lt;a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048357525006406?via%3Dihub"&gt;foi realizado&lt;/a&gt; por cientistas da Bayer, o que levanta dúvidas sobre as conclusões.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A pesquisa afirma que o icafolin-metil se degrada rapidamente no solo e que parte da substância se transforma em gás carbônico (CO₂). Os testes foram realizados em condições controladas de laboratório e, segundo especialistas consultados pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, não refletem o real comportamento da substância em campo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Akhmetshina lembra que, no caso do Roundup, um dos herbicidas mais usados da história, estudos independentes &lt;a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2152265025042855"&gt;levaram décadas para associar &lt;/a&gt;o produto ao risco de câncer. Em 2015, a IARC, uma agência da OMS (Organização Mundial de Saúde), avaliou o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“A IARC nunca retrocedeu nesta classificação, mesmo com todas as pressões. E é um órgão muito conservador”, observa Luiz Claudio Meirelles, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em dezembro do ano passado, um artigo científico que defendia o glifosato &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/estudo-atestava-seguranca-glifosato-despublicado-apos-25-anos/"&gt;foi “despublicado”&lt;/a&gt; pela revista norte-americana Regulatory Toxicology and Pharmacology. Entre os motivos alegados estavam questões éticas, falta de integridade científica e desconfiança sobre os resultados da pesquisa. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em março, um painel de cientistas americanos escreveu &lt;a href="https://www.thenewlede.org/2026/03/scientists-link-glyphosate-to-cancer/"&gt;uma carta&lt;/a&gt; pedindo que autoridades limitem ou eliminem o uso de glifosato urgentemente, devido aos riscos à saúde humana. “Nós já vivemos as consequências da falta de transparência da Bayer. A empresa dizia que o glifosato era seguro, mas, após décadas de pesquisa, hoje temos fundamentos científicos que apontam para um sério risco associado ao seu uso”, diz o documento.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Até agora, nenhum estudo independente foi publicado sobre o icafolin, segundo o banco de dados &lt;a href="https://sitem.herts.ac.uk/aeru/ppdb/en/Reports/2459.htm"&gt;PPDB (Pesticide Properties DataBase)&lt;/a&gt;, desenvolvido pela Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido. Uma das principais bases de dados técnicas sobre pesticidas no mundo, o site mostra uma planilha praticamente em branco, indicando&lt;a href="https://sitem.herts.ac.uk/aeru/ppdb/en/Reports/3550.htm"&gt;a ausência de informações sobre riscos do icafolin.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="678" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1-1024x678.jpg" alt="Trabalhadores entre 20 e 59 são as maiores vítimas de intoxicação por agrotóxicos (Foto: PxHere)" class="wp-image-126534" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1-1024x678.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1-300x199.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1-768x509.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1-1536x1018.jpg 1536w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/grass-field-lawn-wind-green-agriculture-765968-pxhere.com-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Apesar de ainda não estar disponível no mercado, o novo herbicida da Bayer já preocupa ativistas e especialistas (Foto: PxHere)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Cresce resistência de pragas ao Roundup&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;De acordo com a base de dados internacional &lt;a href="https://www.weedscience.org/summary/MOA.aspx?MOAID=12"&gt;Weed Science&lt;/a&gt;, 62 espécies de plantas invasoras já estariam imunes ao Roundup, sendo 11 no Brasil, incluindo as que mais atrapalham as lavouras, como a Amaranthus palmeri. Conhecido como &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/"&gt;caruru-gigante, a erva daninha já é responsável por perdas milionárias na soja e no milho&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Steve Powles, especialista em culturas agrícolas e professor emérito da University of Western Australia, a resistência de ervas daninhas ao glifosato não surpreende. “Se você usar repetidamente o mesmo produto químico para controlar uma população variada de plantas daninhas, em algum momento surgirão plantas resistentes. É simples assim”, afirma. O glifosato é usado de forma incessante há três décadas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Powles presidiu a Weed Science Society of America (WSSA), associação científica internacional dedicada ao estudo de plantas daninhas. Em 1998, publicou um dos primeiros estudos documentando a resistência ao glifosato, principal ingrediente do Roundup.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Na época, eu previ que, se o glifosato continuasse a ser amplamente usado no milho e na soja – primeiro nos Estados Unidos, depois no Brasil e na Argentina –, o herbicida perderia eficácia. E não precisava ser nenhum Einstein para concluir isso”, disse.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mesmo assim, o pesquisador acredita que a Monsanto &amp;#8212; fabricante inicial do Roundup, posteriormente adquirida pela Bayer &amp;#8212; foi pega de surpresa. “Eles não achavam que a resistência iria evoluir porque o glifosato havia sido usado por muito tempo sem problemas”, disse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Hoje, 30 anos após o lançamento, o Roundup já não pode mais ser utilizado sozinho. A Bayer inclusive já comercializa produtos à base de dicamba para complementar o herbicida e desenvolve sementes capazes de resistir a múltiplos agrotóxicos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo Bill Freese, diretor científico do Center for Food Safety (CFS), a introdução do icafolin e de novas sementes resistentes ao herbicida geram um alerta. Sua organização, sediada em Washington, D.C., atua na defesa de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis, com foco em pesticidas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Freese compara o icafolin ao dicamba, herbicida utilizado como complemento ao glifosato em lavouras geneticamente modificadas. Nos Estados Unidos, a deriva do produto causou danos a milhares de hectares de plantações vizinhas e, com o tempo, também contribuiu para o surgimento de plantas daninhas resistentes. “Ou seja, gerou outros problemas”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para ele, a Bayer segue uma lógica comercial. “Em vez de buscar soluções reais, eles desenvolvem culturas geneticamente modificadas que ampliam as vendas de herbicidas e geram ainda mais resistência em plantas daninhas — um ciclo vicioso altamente lucrativo para eles, mas totalmente insustentável”, avalia.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Bayer já gastou mais de US$ 50 bi em ações judiciais nos EUA&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;O lançamento do icafolin também ocorre em meio à pressão de investidores sobre a Bayer, que enfrenta custos bilionários relacionados aos processos judiciais contra o Roundup.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Há dez anos, a empresa responde a alegações nas cortes americanas de que o herbicida causa câncer. Até hoje, a empresa já desembolsou mais de R$ 50 bilhões em indenizações. Para 2026, a empresa projeta mais R$ 29 bilhões para custear as 60 mil ações judiciais que continuam pendentes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em uma &lt;a href="https://www.bayer.com/en/2026-03-04-financial-news-conference"&gt;teleconferência com investidores em março&lt;/a&gt;, o CEO da Bayer, Bill Anderson, sinalizou que a empresa passa por um momento difícil. “Estamos esperando um fluxo de caixa livre negativo este ano devido a pagamentos relacionados a litígios”, afirmou. A empresa chegou a dizer que poderia interromper as vendas do Roundup por causa dos riscos jurídicos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para sobreviver à crise, a Bayer criou uma estratégia que inclui o lançamento do icafolin, que deve gerar R$ 4 bilhões de vendas iniciais. Também retirou glifosato de produtos comerciais nos Estados Unidos, embora &lt;a href="https://foe.org/wp-content/uploads/2024/10/Roundup_Report_2025_final.pdf"&gt;um relatório recente&lt;/a&gt; da organização Friends of the Earth US aponte que os produtos reformulados continuam tóxicos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em outra frente, a Bayer apelou à Suprema Corte dos Estados Unidos para limitar os litígios. A empresa pede que não seja responsabilizada no âmbito estadual pela falta de alerta de câncer nos rótulos do Roundup. O argumento é que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) já aprovou o produto sem essa advertência.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Kendra Klein, diretora adjunta de ciência da Friends of the Earth, a decisão dos juízes será crítica para definir o futuro da Bayer/Monsanto. “Ao buscar imunidade jurídica, a Bayer tenta fechar a única via em que teve de responder pelos danos causados por seus produtos. Os tribunais são o único lugar onde corporações de pesticidas têm sido responsabilizadas”, afirma Klein.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, a companhia tem tentado mudar legislações estaduais nos EUA com o objetivo de proteger fabricantes de pesticidas de novas acusações. Os estados da Geórgia e Dakota do Norte já aprovaram mudanças na lei que impede usuários de processar a empresa por falta de aviso de segurança.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A Bayer também tem realizado forte lobby com resultados na Casa Branca, segundo &lt;a href="https://usrtk.org/pesticides/tracing-bayers-ties-to-power-in-trumps-washington/"&gt;relatório da organização não governamental US Right to Know.&lt;/a&gt; Em fevereiro, o presidente Donald Trump usou poderes especiais de guerra para emitir uma medida executiva que protegeu a produção de glifosato nos Estados Unidos. A medida chegou a irritar os apoiadores do presidente que defendem a saúde pública, integrantes do movimento MAHA (Make America Health Again).&lt;/p&gt;


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				&lt;/a&gt;
				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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									&lt;p&gt;Leia também&lt;/p&gt;								&lt;/div&gt;
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				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Carlos Juliano Barros</dc:creator><pubDate>Mon, 11 May 2026 08:30:00 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/bayer-brasil-complemento-agrotoxico-polemico-glifosato-icafolin/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/05/bayer-brasil-complemento-agrotoxico-polemico-glifosato-icafolin/</guid></item><item><title>Caruru gigante, a planta super-resistente a agrotóxicos que ameaça produção de soja</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;CAPAZ DE REDUZIR&lt;/strong&gt; em até 90% a produtividade da &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/tags/soja/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;soja&lt;/a&gt; e do milho, o “caruru gigante” acendeu um alerta no campo. A planta invasora tem variedades resistentes a &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/tags/agrotoxicos" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;agrotóxicos&lt;/a&gt; e estava restrita a Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Neste ano, porém, já foi encontrada nos estados de São Paulo e Santa Catarina.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O avanço tem levado produtores a intensificar o uso de agrotóxicos para proteger as lavouras, com aplicação de doses maiores e mistura de substâncias. Especialistas alertam, no entanto, que essas medidas são &lt;a href="https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1162178/1/PL-CPAC-21022024-CORREIA-2023a.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;ineficazes&lt;/a&gt; — e ainda favorecem o surgimento de mais plantas resistentes. Além de encarecer a produção, o uso excessivo de químicos ignora outras formas de prevenção e amplia os riscos à saúde e ao meio ambiente.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“O controle químico deveria ser o último método [de defesa]”, afirma Leandro Tropaldi, professor do Departamento de Produção Vegetal da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As plantas invasoras resistentes, também chamadas de “plantas daninhas”, são consideradas ameaças às safras de commodities pois disputam água, luz e nutrientes com plantas de interesse econômico, como soja, milho e algodão. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A lista de plantas resistentes vem crescendo no Brasil. Nos últimos dez anos, o número de casos identificados saltou de 39 para 61, envolvendo 31 espécies diferentes — cada espécie pode ter um ou mais biótipos (variedades) resistentes. Os dados são do &lt;a href="https://www.weedscience.org/Summary/Country.aspx?CountryID=5" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;International Survey of Herbicide Resistant Weeds&lt;/a&gt; (Levantamento Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas), vinculado ao HRAC (Comitê de Ação contra a Resistência a Herbicidas), órgão fundado pela indústria de agrotóxicos. Até o ano 2000, eram apenas oito biótipos identificados no país.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Uma das explicações para o aumento é o uso repetitivo de um mesmo tipo de agrotóxico sem combinar com outras medidas preventivas, como a rotação de culturas, a alternância de químicos, a cobertura do solo com palhada e a limpeza de máquinas agrícolas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O caso do &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/tags/glifosato/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;glifosato&lt;/a&gt; ajuda a entender essa dinâmica. Principal agrotóxico utilizado no Brasil, ele teve seu uso ampliado a partir dos anos 2000, com a adoção de sementes geneticamente modificadas resistentes ao produto. A estratégia reduziu custos e simplificou o manejo, mas o uso intensivo e repetitivo acabou selecionando plantas que já não respondem ao herbicida. Hoje, pelo menos 20 variedades de 12 espécies apresentam resistência ao glifosato no país, segundo o &lt;a href="https://www.weedscience.org/Summary/Country.aspx?CountryID=5" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;levantamento de ervas daninhas&lt;/a&gt;, entre elas a buva, o capim-amargoso e o caruru gigante.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A resistência do caruru gigante (&lt;em&gt;Amaranthus palmeri&lt;/em&gt;, conhecido também como caruru-palmeri) se deve a &lt;a href="https://upherb.com.br/ebook/livro_Hrac.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;alterações genéticas&lt;/a&gt; em alguns biótipos que anulam os efeitos do herbicida. A &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/Amaranthus%20palmeri" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;espécie se destaca também&lt;/a&gt; pela boa capacidade de adaptação, rápida disseminação e crescimento, resistência a diferentes agrotóxicos e elevada produção de sementes (centenas de milhares por uma única planta), fatores que dificultam o controle.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/estudo-atestava-seguranca-glifosato-despublicado-apos-25-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;:: LEIA MAIS: Estudo que atestava segurança de glifosato é despublicado após 25 anos ::&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo o governo federal, o caruru gigante foi &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/Amaranthus%20palmeri" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;identificado pela primeira vez no Brasil em 2015&lt;/a&gt;, em lavouras de algodão no Mato Grosso. A suspeita é que a praga tenha entrado no país por meio de maquinário agrícola usado, importado da Argentina sem limpeza adequada. Depois foi encontrada no Mato Grosso do Sul em 2022.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Desde 2018, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) considera a espécie uma “praga quarentenária” — capaz de causar danos econômicos. Em 2024, o ministério publicou &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/arquivos-cgpp/PORTARIA_SDA_MAPA_N__1.119__DE_20_DE_MAIO_DE_2024.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;portaria&lt;/a&gt; com uma programa de combate ao caruru gigante, indicando as medidas a serem adotadas pelos produtores após a identificação da planta na propriedade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Neste ano, a espécie foi encontrada pela primeira vez nos estados de São Paulo e Santa Catarina. “As ocorrências são consideradas pontuais e estão sob controle fitossanitário”, &lt;a href="https://www.agricultura.rs.gov.br/secretaria-da-agricultura-divulga-orientacoes-sobre-riscos-do-caruru-gigante"&gt;afirma&lt;/a&gt; a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, que monitora o avanço.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para especialistas ouvidos pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, no entanto, o avanço do caruru gigante deveria servir de alerta para rever o modelo de produção das commodities agrícolas no país. “O caruru gigante é um sinal de alerta de que esse sistema de monocultura não é sadio”, avalia o biólogo Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).&lt;/p&gt;


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&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Como uma planta se torna resistente a agrotóxicos&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;O processo de resistência das plantas invasoras é um processo natural estimulado pelo uso contínuo e frequente de agrotóxicos, que selecionam as variedades resistentes, as quais passam a se reproduzir, explica o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo,, membro do GT de Agrotóxicos da ABA (Associação Brasileira de Agroecologia) e ex-membro da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“As plantas que não morrerem com o agrotóxico vão deixar sementes no chão. Essas sementes se desenvolvem mal na presença do veneno, mas depois vão ser resistentes e se desenvolvem como uma planta geneticamente modificada em laboratório para resistir ao veneno”, descreve. “Ela é uma planta naturalmente modificada e selecionada pelo uso do próprio veneno”, acrescenta.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Quando percebem a entrada de uma invasora, os produtores costumam aumentar a dosagem dos agrotóxicos a fim de eliminar as plantas, explica Melgarejo. O&amp;nbsp; problema é que essa estratégia pode levar à aplicação de doses acima dos limites definidos na bula do agrotóxico, estabelecidos a partir dos testes apresentados para registro do produto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), explica que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina o limite permitido de resíduos de agrotóxicos nos alimentos com base nos estudos apresentados pelas fabricantes. Quando a aplicação ultrapassa as doses previstas, muitas vezes a fiscalização não consegue identificar o problema.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Quando vem a buva [outra planta invasora], o agricultor se desespera. Iria aplicar três doses [do herbicida], mas aplica dez. No teste de resíduo, que é feito com o produto na gôndola, ninguém vai perceber isso. Perceberia se o teste fosse feito em campo. Mas aí todo o trabalho de segurança toxicológica e de segurança alimentar acabou”, afirma Meirelles.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A resistência também pesa no bolso dos produtores. O custo por hectare de soja pode aumentar de 42% a 222% em casos de resistência ao glifosato, “em função dos gastos com herbicidas e também por causa da perda de produtividade da soja”, &lt;a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/50622096/mais-uma-planta-daninha-resiste-ao-glifosato-no-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;segundo a Embrapa&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O agrônomo Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina (PR), explica que os custos sobem porque o produtor passa a combinar alternativas no manejo químico. “Você precisa utilizar outros produtos, às vezes nem é numa quantidade normalmente maior, mas produtos diferentes que normalmente são mais caros”, detalha.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os casos chamam atenção por se tratar de lavouras de grande interesse econômico. A soja é a principal lavoura do país em área cultivada, com 48 milhões de hectares plantados na safra de 2026, &lt;a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/46408-em-marco-ibge-preve-safra-de-348-4-milhoes-de-toneladas-para-2026" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;segundo o IBGE&lt;/a&gt; (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e faturamento bruto de &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/politica-agricola/todas-publicacoes-de-politica-agricola/agropecuaria-brasileira-em-numeros/abn-2026-04.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;R$ 332 bilhões&lt;/a&gt; nos últimos 12 meses.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image aligncenter size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="467" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-mapa.png" alt="Governo federal instituiu em 2024 programa nacional de controle ao caruru-palmeri, tambémconhecido como caruru gigante (Foto: Divugação/MAPA)" class="wp-image-130012" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-mapa.png 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-mapa-300x182.png 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Governo federal instituiu em 2024 programa nacional de controle ao caruru-palmeri, tambémconhecido como caruru gigante (Foto: Divugação/MAPA)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;O risco da mistura de agrotóxicos no tanque&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Outra prática comum no combate às plantas invasoras é a mistura de agrotóxicos no tanque. Em vez de fazer várias aplicações, uma para cada produto, o agricultor prepara uma única calda, combinando diferentes substâncias. A prática reduz gastos com combustível e mão de obra, mas preocupa pesquisadores pelos efeitos ainda pouco estudados dessas combinações.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O uso de misturas em tanque é frequente no Brasil, segundo o estudo &lt;a href="https://www.scielo.br/j/pd/a/ZWy9dmvvYsbHqbJ7C3fFF3D/?format=html&amp;amp;lang=pt" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;“Misturas de agrotóxicos em tanque nas propriedades agrícolas no Brasil”&lt;/a&gt;. O levantamento, realizado com 500 participantes de 17 estados — entre assistentes técnicos privados, servidores públicos, técnicos de cooperativas e produtores rurais — constatou que 97% usam mistura em tanque. Entre eles, 40% misturam três produtos, 26% usam quatro e 11% aplicam até cinco. Ao todo, 95% das misturas envolvem de dois a cinco produtos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A mistura em tanque foi prevista pela &lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/L14785.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Lei 14.785/2023&lt;/a&gt; — que ficou conhecida como &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/tags/pl-do-veneno/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;“PL do Veneno”&lt;/a&gt; durante a tramitação por afrouxar as regras de uso de agrotóxicos. O artigo 39 determina que “o profissional habilitado poderá recomendar mistura em tanque, quando necessário”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Luiz Cláudio Meirelles (Fiocruz), porém, o texto não aborda questões sobre toxicologia, ou seja, os efeitos nocivos da combinação desses produtos. “Os testes de segurança dos agrotóxicos são realizados separadamente e não misturados. Se mistura dois produtos carcinogênicos, isso não vai ser potencializado no corpo? Eu não tenho resposta científica para isso, mas sei que o método é avaliar um a um e não a mistura”, explica.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Melgarejo, da ABA, a lei transferiu a responsabilidade para o técnico que recomenda a mistura, embora esse profissional nem sempre tenha formação para avaliar riscos toxicológicos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Tratar as ervas resistentes com uma solução simplificada não resolve o problema, acrescenta Leandro Tropaldi, da Sociedade Brasileira de Ciência das Plantas Daninhas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Já Paulo Brack questiona o modelo produtivo “em larga escala e com uma única espécie”. O pesquisador da UFRGS defende que os sistemas de agricultura precisam recompor a sua estrutura de diversidade. “Uma planta se torna exótica invasora e se desenvolve dessa maneira porque ela não tem inimigos naturais e o sistema está empobrecido também. A monocultura tem esses efeitos colaterais que, às vezes, são tão grandes ou tão maiores do que os benefícios. É resultante dessa agricultura de exportação”, analisa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O pesquisador da Embrapa, Fernando Adegas, alerta para a importância da prevenção e da proteção do solo. “A primeira coisa são os métodos preventivos. A pessoa que vai utilizar colheitadeira, deve evitar que traga semente de plantas resistentes para dentro da sua propriedade. O manejo não pode se basear só no manejo químico, que hoje é o principal. Tem outras alternativas, como a rotação de culturas”, observa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na rotação de cultura, o produtor ocupa o solo com outros cultivos, assim, aquela espécie que pressionou a seleção de plantas resistentes pelo uso de um tipo específico de agrotóxico só voltará a ser cultivada no mesmo local após um intervalo de dois ou mais anos. Essas medidas protegem a terra e driblam as ervas invasoras resistentes.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image aligncenter size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="450" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-embrapa-rs.jpg" alt="O caruru gigante é uma planta de rápido crescimento, podem atingir 2 metros de altura e tem alta capacidade de produção de sementes, que são pequenas e podem se espalhar pelo vento ou infestar máquinas agrícolas (Foto: Reprodução/Marlon Bastini/Embrapa/Seapi/Governo do RS)" class="wp-image-130010" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-embrapa-rs.jpg 800w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-embrapa-rs-300x169.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/05/caruru-gigante-embrapa-rs-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;O caruru gigante é uma planta de rápido crescimento, podem atingir 2 metros de altura e tem alta capacidade de produção de sementes, que são pequenas e podem se espalhar pelo vento ou infestar máquinas agrícolas (Foto: Reprodução/Marlon Bastini/Embrapa/Seapi/Governo do RS)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;‘Nenhuma&amp;nbsp; planta é daninha’, defende pesquisador&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;O caruru gigante é nativo de regiões áridas do sul dos Estados Unidos e norte do México. Ele serviu de alimento tradicional para indígenas navajos, pimas, yumas e mojaves, segundo o &lt;a href="https://www.mda.state.mn.us/palmeramaranth#:~:text=Background,cotton%20in%20the%20southern%20US." target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Departamento de Agricultura do Estado de Minnesota&lt;/a&gt; (EUA).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Toda planta possui uma função na natureza, afirma Brack. O gênero Amaranthus, por exemplo, com mais de&amp;nbsp; 70 espécies, “têm uma série de propriedades nutritivas, a exemplo das vitaminas E, A e minerais como ferro e potássio”, detalha o professor da UFRGS, que critica o uso do termo “daninha”. “Essa terminologia é anticientífica, porque não avalia o potencial, o benefício das plantas ou a interdependência que o sistema tem em relação a elas”, defende.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Nenhuma planta é daninha por si só”, acrescenta Tropaldi. “Ela é daninha em um momento e em um local específico”, continua. O que a torna indesejada é o contexto do monocultivo, no qual o interesse está concentrado apenas na cultura com valor econômico.&lt;/p&gt;


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				&lt;/a&gt;
				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Diego Junqueira</dc:creator><pubDate>Tue, 05 May 2026 16:56:43 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/05/super-resistente-glifosato-caruru-gigante-avanca-soja/</guid></item><item><title>Congresso debate controle do uso de mercúrio em garimpos para frear intoxicação</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/congresso-mercurio-garimpos-intoxicacao/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA&lt;/strong&gt; na Câmara dos Deputados debaterá, nesta terça-feira (5), medidas de controle da venda e eliminação do uso de mercúrio em garimpos ilegais no Brasil. A iniciativa, &lt;a href="https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/81662" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;proposta pela deputada Dilvanda Faro (PT-PA)&lt;/a&gt;, reunirá especialistas, organizações da sociedade civil e representantes do poder público para discutir caminhos de enfrentamento à contaminação. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“O país precisa estabelecer metas nacionais de redução e um eficiente plano de eliminação progressiva do uso do mercúrio no garimpo”, diz Faro. A audiência acontecerá na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, a partir das 14 horas. O secretário-executivo da &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; Marcel Gomes será um dos participantes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Altamente tóxico, o metal é usado na mineração de ouro para o separar de impurezas. “O mercúrio está entre as mais perigosas para a saúde humana, e esse risco é ainda mais extremo às populações mais expostas a ele, como os povos originários e as comunidades tradicionais, que sofrem impactos ainda mais severos”, alerta a deputada.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para ela, o mercúrio não é apenas um problema ambiental. “Trata-se de uma questão de saúde pública, justiça social e direitos territoriais, com impactos que atravessam gerações”, complementa. Entre as medidas que considera necessárias, Faro propõe a criação de um “Cadastro Nacional de compradores e vendedores com controle de importação (principal porta de entrada do mercúrio) e maior integração da Receita Federal com a Polícia Federal”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo a deputada, no entanto, projetos de lei que buscam enfrentar o problema estão parados no Senado e na Câmara dos Deputados, em razão da “resistência de setores conservadores que se contrapõem a qualquer mudança quer seja de uma maior fiscalização ou de rastreio do comércio do mercúrio”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Brasil é signatário da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, em vigor desde 2017 e que estabelece bases para erradicar o uso desse metal, entre elas, a eliminação de seu uso na mineração de ouro.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Garimpo ilegal mantém circulação de mercúrio na Amazônia&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Matéria publicada pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; no final de 2023 revelou que uma investigação conjunta entre Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apontou &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/11/trafico-mercurio-garimpo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;a existência de uma cadeia estruturada de fornecimento ilegal de mercúrio,&lt;/a&gt; que abastece áreas de garimpo clandestino em diferentes regiões da Amazônia. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No final de abril, o MPF (Ministério Público Federal) enviou à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), da OEA (Organização dos Estados Americanos), um &lt;a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-am/noticias/mpf-relata-a-comissao-interamericana-de-direitos-humanos-violacoes-ligadas-a-mineracao-ilegal-na-amazonia/mpf-consideracoes-escritas-cidh-mineracao-ilegal-mercurio-pgr-00118796-2026.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;diagnóstico sobre os efeitos da mineração ilegal na Amazônia brasileira. O órgão destaca que &lt;/a&gt;a contaminação por mercúrio é uma das principais emergências ambientais e de saúde pública do Brasil. &lt;a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-am/noticias/mpf-relata-a-comissao-interamericana-de-direitos-humanos-violacoes-ligadas-a-mineracao-ilegal-na-amazonia" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;O documento aponta&lt;/a&gt; a “consolidação do garimpo como um sistema econômico paralelo articulado ao crime organizado” na região e cita estudos que indicam que os altos índices de mercúrio em peixes consumidos localmente fazem aumentar os riscos de danos neurológicos em populações ribeirinhas e indígenas, inclusive em crianças.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Anteriormente, em 19 março, o MPF recomendou ao MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) a criação, em um prazo de 30 dias, de um sistema nacional de monitoramento de contaminação por mercúrio, com especial destaque para a Amazônia, com o objetivo de consolidar e integrar dados produzidos pela União e pelos estados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“É necessário que os órgãos públicos de todas as esferas dialoguem entre si e implementem um sistema completo, coerente e atualizado, para que tenhamos um panorama claro da dimensão do impacto causado pelo mercúrio&amp;#8221;, diz à &lt;strong&gt;Repórter Brasil &lt;/strong&gt;o procurador do MPF André Porreca.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;


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&lt;p&gt;Procurado pela reportagem, o MMA reconhece a importância da instituição de um sistema nacional de monitoramento como forma de “estruturar uma base nacional integrada de dados capaz de subsidiar a tomada de decisão, o aprimoramento de políticas públicas e o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil”.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“No entanto”, diz a pasta, “sua criação compreende complexidade técnica e institucional que exige articulação federativa, padronização de parâmetros técnicos, agregação de distintas bases de dados, estrutura tecnológica adequada e recursos financeiros, o que inviabilizou a implementação da medida no prazo de 30 dias”.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ainda segundo a nota enviada à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, o ministério “defende a adoção de uma abordagem participativa, o que demanda a discussão da proposta pelo Grupo de Trabalho Permanente da Convenção de Minamata no âmbito da Comissão Nacional de Segurança Química (CONASQ)”. “O assunto deve ser incluído na pauta da próxima reunião do grupo, prevista para 13 maio, da qual o MPF-AM será convidado a participar”, complementa o texto (&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/05/posicionamento-do-mma-para-reportagem-sobre-contaminacao-de-mercurio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;leia a resposta na íntegra&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Contaminação começa ainda na gestação, mostram estudos&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Os impactos do uso de mercúrio no garimpo são imediatos entre seus trabalhadores, que o manipulam sem equipamentos de proteção. A exposição ocorre por contato direto e pela inalação de vapores tóxicos liberados durante a queima do ouro, processo realizado para causar a evaporação do mercúrio. &lt;a href="https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2023/marco/presenca-de-mercurio-no-organismo-gera-danos-ao-sistema-nervoso" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;A intoxicação pode causar danos neurológicos, problemas renais, perda de coordenação motora e alterações cognitivas&lt;/a&gt;. Em muitos casos, os sintomas são progressivos e irreversíveis.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo um &lt;a href="https://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/56396" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;estudo divulgado em 2025 pela Fiocruz&lt;/a&gt; (Fundação Oswaldo Cruz), realizado em três aldeias indígenas Munduruku, gestantes expostas ao mercúrio apresentam níveis médios da substância cerca de cinco vezes acima do limite considerado seguro.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Recém-nascidos chegam a registrar concentrações até três vezes superiores ao tolerável. De acordo com os autores, o metal atravessa a placenta e pode atingir o cérebro do bebê em níveis ainda maiores que os da mãe, comprometendo o desenvolvimento neurológico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O &lt;a href="https://www.mdpi.com/1660-4601/18/17/9222" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;estudo indica&lt;/a&gt; ainda que 6 em cada 10 indígenas apresentam níveis elevados de mercúrio em seu corpo. Em regiões mais próximas às áreas de mineração ilegal, esse índice pode chegar a 9 em cada 10 pessoas contaminadas. &lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image aligncenter size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1024x682.jpg" alt="Vista área de garimpo no município de Itaituba, no sudoeste do Pará (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)" class="wp-image-93368" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1024x682.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023.jpg 1536w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Vista área de garimpo no município de Itaituba, no sudoeste do Pará (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;O processo de contaminação ocorre principalmente por meio da água. Ao ser despejado nos rios, o mercúrio se transforma em metilmercúrio, uma forma ainda mais tóxica que se acumula nos peixes. Em áreas próximas a garimpos, a ingestão humana desse metal pode atingir níveis até &lt;a href="https://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/56396" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;4 vezes acima do recomendado por organismos internacionais&lt;/a&gt;, revela outra pesquisa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para o procurador do MPF, a ausência de uma base integrada sobre exposição ao mercúrio faz com que a subnotificação seja &amp;#8220;crônica e imensurável&amp;#8221;. “Análises recentes de água e sedimentos em diversas sub-bacias hidrográficas revelaram índices elevadíssimos de contaminação mercurial. Os recursos hídricos desses rios abastecem as comunidades urbanas e rurais. Além disso, os peixes constituem a principal fonte de alimentação [nessas regiões]”, ressalta.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Outro estudo da Fiocruz, também publicado em 2025, reforça a gravidade do problema. A pesquisa identificou a presença de mercúrio em todas as amostras de cabelo coletadas, pertencentes a 178 indígenas do povo Paiter Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, e associou a contaminação à dinâmica do garimpo ilegal e à dispersão do metal nos rios da região.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Diante da gravidade do cenário, o governo federal lançou em 2025 o primeiro &lt;a href="http://bit.ly/manual_mercurio" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;manual técnico&lt;/a&gt; voltado ao atendimento de indígenas expostos ao mercúrio. O documento reúne orientações para profissionais de saúde que atuam nos territórios, incluindo identificação de casos, notificação, monitoramento e encaminhamento de pacientes contaminados.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O manual evidencia um problema estrutural: a dificuldade de diagnosticar a intoxicação por mercúrio. Os sintomas podem não ser específicos, como tremores, dores de cabeça e fadiga, o que contribui para a subnotificação dos casos. A ausência de diagnóstico adequado dificulta o acesso a tratamento e a formulação de políticas públicas.&lt;/p&gt;


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				&lt;/a&gt;
				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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									&lt;p&gt;Leia também&lt;/p&gt;								&lt;/div&gt;
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</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Igor Ojeda</dc:creator><pubDate>Tue, 05 May 2026 13:43:41 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/05/congresso-mercurio-garimpos-intoxicacao/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/05/congresso-mercurio-garimpos-intoxicacao/</guid></item><item><title>Startup americana tenta trazer ao Brasil antibiótico para laranja proibido na União Europeia</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/startup-americana-antibiotico-brasil-proibido-uniao-europeia/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;EM DEZEMBRO DE 2023&lt;/strong&gt;, três funcionários do Mapa (Ministério da Agricultura e da Pecuária) fizeram uma viagem a Orlando, nos Estados Unidos, junto com representantes do Fundecitrus, uma fundação privada mantida por citricultores de São Paulo. Na ocasião, realizaram uma visita a pomares da região afetados pela doença chamada “greening dos citros” – o principal vilão da produção de laranja no Brasil e no mundo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Durante a missão, a comitiva foi apresentada a um novo tratamento para a praga: uma injeção à base da substância cloridrato de oxitetraciclina, conhecida pela sigla OTC. Aplicado diretamente no tronco da árvore, o antibiótico busca salvar as plantas do corte definitivo, a solução mais eficaz para combater a doença.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na época da visita à Flórida, a Invaio Sciences — uma startup norte-americana de biotecnologia — já se articulava para levar o produto ao Brasil, maior produtor mundial da fruta. A companhia tem como chefe global de desenvolvimento um executivo brasileiro com passagens por Bayer, Syngenta e Monsanto. Desde 2019,&amp;nbsp; mantém um escritório em São Paulo, por meio do qual tem realizado parcerias com instituições de pesquisa e entidades do agronegócio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Animada com a viagem dos técnicos do Mapa e com a aparente receptividade dos agricultores em feiras do setor, a Invaio protocolou um pedido de testes experimentais do antibiótico na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no final de 2023, de acordo com o Diário Oficial. Um ano depois, solicitou o registro da OTC no Mapa para uso em citros.&lt;/p&gt;


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&lt;p&gt;A Invaio afirma ter realizado testes com 6 mil árvores no cinturão citrícola entre São Paulo e Minas Gerais, &lt;a href="https://invaiocitros.com.br/noticias/newsletter-invaio-brasil-outubro-2024/"&gt;segundo sua newsletter&lt;/a&gt;. Mesmo em fase experimental, começou a divulgar o pacote tecnológico, sob o nome de Trecise, aos participantes na ExpoCritros, em Cordeirópolis (SP).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Estamos trabalhando duro para disponibilizar nossa solução aos produtores brasileiros, e as expectativas do setor estão aumentando rapidamente”&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;disseAvram Slovic, diretor-geral da Invaio no Brasil, em release publicado no site da empresa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Por aqui, até o momento, o uso da OTC só é autorizado na medicina veterinária — no tratamento de bovinos de corte, por exemplo. O país seria o segundo a autorizar o medicamento no combate à citros, após os Estados Unidos. Na União Europeia, a OTC &lt;a href="https://questions-statements.parliament.uk/written-questions/detail/2019-03-20/234720"&gt;está proibida para uso agrícola&lt;/a&gt; desde 2002, por preocupações com a saúde pública. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ainda em 2024, menos de um ano após a viagem e o início dos testes, a companhia solicitou o registro da OTC no Mapa contra o greening nos citros. O bactericida, usado no método Trecise, receberia o nome comercial Stryva.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O pedido, no entanto, foi negado pelo Mapa e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A justificativa oficial foi a de que a empresa tentou registrar o Stryva como equivalente a um produto já existente no mercado nacional, estratégia que acelera o processo e reduz a necessidade de estudos adicionais. Falando sob condição de anonimato, uma fonte especializada em vigilância resumiu: a Invaio Sciences tentou um “atalho” – e se deu mal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Atualmente, a oxitetraciclina não é aprovada para uso em plantas, de acordo com a base oficial de agrotóxicos do governo, a Agrofit. Segundo a &lt;a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-vegetal/legislacao-programas-nacionais-e-seguranca-dos-alimentos-1/legislacao/legislacao-vinhos-e-bebidas/guia-para-comprovacao-da-seguranca-de-alimentos-e-ingredientes_2013.pdf"&gt;legislação brasileira&lt;/a&gt;, a equivalência só é possível quando a empresa comprova a mesma “finalidade e condições de uso” do ingrediente ativo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Questionada pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, a empresa não respondeu se pretende apresentar um novo pedido, seguindo o processo completo de registro de agrotóxicos no país. Mas, na rede social Linkedin, segue apresentando o antibiótico como uma das soluções para as lavouras de laranja e informa que o produto estaria em “processo de registro” – informação que, segundo o Ministério da Agricultura, não corresponde à realidade.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Se houver interesse do registrante, este deverá realizar novo protocolo em todos os órgãos como um pedido de registro de produto técnico novo. Neste momento, não há pedido de registro em andamento”, informou o Mapa à reportagem por e-mail em 14 de abril.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A despeito da negativa do Mapa e da Anvisa, as redes da empresa no Linkedin seguem incensando os resultados de testes realizados no país. A Invaio sustenta que os achados &lt;a href="http://www.linkedin.com/posts/invaio_citrushealth-hlb-trecise-activity-7439317083881938944-8N-8/"&gt;mostrariam&lt;/a&gt; reduções de até 99,9% na carga bacteriana dos pomares, além de uma diminuição significativa no número de plantas doentes. A companhia também afirma ter realizado 12 ensaios de campo em diferentes regiões do cinturão citrícola brasileiro, nos quais o tratamento teria reduzido a queda de frutos em até 31%.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Olavo Bianchi, engenheiro agrônomo do Fundecitrus, afirma que os citricultores precisam de uma solução para a bactéria, mas devem ter cautela com o uso de antibióticos, já que as pesquisas ainda são incipientes. A entidade tem uma parceria estratégica com a Invaio para desenvolver soluções contra o greening, e chegou a testar o produto, mas preferiu não dar detalhes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Os estudos com antibióticos ainda se encontram em fase inicial, não havendo, até o momento, resultados práticos consistentes de sua aplicação em campo. Portanto, o manejo do greening deve continuar baseado na erradicação de plantas doentes e no controle eficiente do psilídeo, inseto vetor da doença”, diz Bianchi.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Eduardo Augusto Girardi, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), afirma não haver cura ou tratamento eficaz para a greening dos citros.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Não existe nenhuma molécula, nenhum remédio, nenhuma droga, nenhum produto químico ou natural até hoje que tenha capaz de curar a planta de citros que tem a bactéria. Não existe, infelizmente”, disse. “A ciência investiu milhões de dólares no mundo todo, mas não encontrou nenhuma cura. Isso não existe, não é uma verdade. As plantas continuam doentes”, resume.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="627" height="800" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-tela-2026-04-29-111604.png" alt="A startup norte-americana Invaio divulga o método de aplicação de antibiótico sob o nome comercial Trecise (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)" class="wp-image-129811" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-tela-2026-04-29-111604.png 627w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-tela-2026-04-29-111604-235x300.png 235w" sizes="(max-width: 627px) 100vw, 627px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;A startup norte-americana Invaio divulga o método de aplicação de antibiótico sob o nome comercial Trecise (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Sem cura, por enquanto&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Erradicar o greening é o principal desafio da citricultura. Segundo dados do Fundecitrus, que presta assessoria técnica a produtores rurais paulistas, a bactéria que se aloja na planta foi a principal causa das 49,6 milhões de caixas perdidas da fruta em todo o Brasil durante a safra 2025-2026, superando a quebra causada pela falta de chuvas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Hoje, aproximadamente 47,6% das 200 milhões de laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro estão infectadas pela doença, e o cenário está se agravando ano após ano”, afirma Olavo Bianchi, engenheiro agrônomo do Fundecitrus. A maior parte da produção se concentra em São Paulo e no Triângulo Mineiro, as duas regiões mais afetadas pela bactéria.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo dados da Embrapa, a doença alcança até 30% dos pomares em algumas regiões de São Paulo e é quase impossível erradicá-la. A solução tem sido exterminar as plantações e migrar o cultivo para áreas livres da doença, como o Norte e Nordeste do país.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A transmissão ocorre por meio de um pequeno inseto conhecido como psilídio, que espalha o patógeno ao se alimentar dos brotos de árvores doentes. “Atualmente, o manejo da doença baseia-se no controle do inseto vetor por meio do uso de inseticidas, aliado à eliminação das fontes de inóculo da bactéria&amp;#8221;, afirma Bianchi.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mas, nos últimos anos, até mesmo esse método vem se mostrando ineficaz, já que os insetos vetores estariam ficando resilientes aos principais inseticidas utilizados no campo. “A resistência a determinados grupos químicos já está presente em grande parte do cinturão citrícola. Dessa forma, os citricultores devem realizar a rotação dos grupos químicos utilizados nas aplicações”, explica Bianchi. As pulverizações são feitas rotineiramente.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Outra estratégia é investir em prevenção, que começa com a produção de mudas saudáveis. “Começar um plantio com uma muda doente é igual a começar um jogo de futebol perdendo de 5 a 0. É quase impossível conseguir reverter. Quanto menos plantas doentes, menos chance do psilídio se infectar”, descreve Girardi, responsável pela Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologia do Cinturão Citrícola da Embrapa.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Risco de gerar &amp;#8216;superbactérias&amp;#8217;&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Conhecido na medicina humana desde os anos 1950, o antibiótico oxitetraciclina também ganhou espaço na pecuária. É utilizado há décadas para tratar infecções respiratórias e feridas em bovinos, suínos, aves e peixes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Especialistas, contudo, veem com preocupação o uso expandido para plantas porque algumas bactérias têm desenvolvido &lt;a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8546800/"&gt;resistência ao &lt;/a&gt;grupo de substâncias ao qual pertence a oxitetraciclina.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“O uso de antibióticos na agricultura, apesar de representar uma fração relativamente pequena do seu consumo global, pode contribuir para a seleção de bactérias resistentes no ambiente, que podem se disseminar pelo solo, água e até cadeia alimentar”, afirma a professora Adriana Pavesi Arisseto Bragotto, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Um &lt;a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8569832/"&gt;levantamento nacional&lt;/a&gt; da cadeia de frango no Brasil, publicado em 2021 no periódico Epidemiology &amp;amp; Infection, mostrou como bactérias resistentes se multiplicam. Em 2014, os pesquisadores constataram que 60,3% das amostras de Salmonella coletadas em carne de frango eram resistentes às tetraciclinas. Em 2017, esse percentual já havia aumentado para 82,8%.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Esse processo pode favorecer o surgimento de “superbactérias” em humanos, cujos organismos já não respondem a nenhum tratamento. É o caso da MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), famosa por se alastrar em hospitais e por ser resistente a diversos tipos de antibióticos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em um caso ocorrido em 2009, um único bebê contaminado &lt;a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3715836/"&gt;deu origem a um surto&lt;/a&gt; que atingiu outros 11 recém-nascidos em uma UTI neonatal no Reino Unido. Outro estudo, que acompanhou o comportamento da infecção ao longo de uma década na região metropolitana de São Paulo, mostra que cresce a disseminação da MRSA de forma comunitária, fora do ambiente hospitalar.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em resposta ao avanço da “resistência antimicrobiana”, como é conhecido o processo de criação das superbactérias, a Assembleia Geral da ONU lançou em 2024 uma declaração política que incentiva os países a seguir a abordagem de “Saúde Única” (“One Health”).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao assinar o documento, os países participantes, incluindo o Brasil, reconhecem que o problema de saúde pública não se limita à medicina humana, mas também está vinculado ao uso de antibióticos na agricultura e à contaminação ambiental.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Embora o risco direto para o consumidor por meio da ingestão de frutas ainda não esteja totalmente caracterizado, há um consenso crescente de que o uso de antibióticos deve ser cuidadosamente avaliado dentro do conceito de Saúde Única (One Health), justamente para evitar a amplificação da resistência antimicrobiana”, afirma a professora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No combate à resistência microbiana, já na década de 1990, o Brasil proibiu o uso de tetraciclinas em animais para promover o crescimento. Hoje, existem regras específicas para o uso no tratamento de doenças animais, incluindo a obrigatoriedade de acompanhamento veterinário.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em 2021, o Mapa também implementou o programa de vigilância da resistência antimicrobiana (AMR), que monitora a presença de bactérias resistentes em animais e na produção de alimentos no Brasil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A especialista da Unicamp afirma que seria difícil avaliar o impacto da ampliação do uso de oxitetraciclina em árvores cítricas. “Não há dados de monitoramento no Brasil sobre oxitetraciclina em produtos de origem vegetal. Não existe um limite máximo de resíduo definido para produtos agrícolas, pois a Anvisa não possui monografia vigente para oxitetraciclina em alimentos vegetais”, explica. Ou seja, a depender do que a ciência sabe hoje, a aprovação da OTC para cítricos precisa percorrer um longo caminho de testes até se provar viável.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_2-768x1024.jpeg" alt="Especialistas veem com preocupação o uso da OTC em plantas porque algumas bactérias têm desenvolvido resistência ao grupo de substâncias ao qual pertence a oxitetraciclina (Foto: Divulgação/Fundecitrus)" class="wp-image-129810" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_2-768x1024.jpeg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_2-225x300.jpeg 225w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_2.jpeg 960w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Especialistas veem com preocupação o uso da OTC em plantas porque algumas bactérias têm desenvolvido resistência ao grupo de substâncias ao qual pertence a oxitetraciclina (Foto: Divulgação/Fundecitrus)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Alertas sobre riscos à saúde pública&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Nos Estados Unidos, a aprovação da OTC para citros em 2018 pela agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) enfrentou resistência de médicos, ambientalistas e até de membros do Congresso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na época, a Flórida havia sido devastada pela bactéria, perdendo mais de 70% da produção de laranja e o lugar de liderança na indústria, e o desespero levou a EPA autorizar, inicialmente, o uso emergencial do antibiótico em forma de spray para aplicação nas folhas. Mais tarde, como injeção, como é o caso do Trecise-Stryvia.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em 2019, três senadores e quatro deputados americanos &lt;a href="https://oversightdemocrats.house.gov/imo/media/doc/2019-08-28%20Letter%20to%20EPA%20re%20Antibiotics%20and%20Citrus.pdf"&gt;enviaram uma carta&lt;/a&gt; à agência, expressando apreensão com as decisões da agência de aprovar o uso de OTC em citros.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Apesar do prejuízo econômico na região, os legisladores pediram que a agência reavaliasse a sua decisão devido aos riscos à saúde pública. Questionaram a falta de uma avaliação mais cuidadosa e exigiram provas de que os produtos agrícolas à base de OTC eram seguros para consumo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na mesma época, o CBD (Centro para a Diversidade Biológica), uma organização ambiental nos Estados Unidos, coletou &lt;a href="https://www.biologicaldiversity.org/news/press_releases/2019/antibiotics-on-citrus-03-13-2019.php"&gt;45 mil assinaturas&lt;/a&gt; em um abaixo-assinado contra o uso do antibiótico no campo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;À &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, Nathan Donley, diretor de Ciências da Saúde Ambiental da CBD, afirmou que a principal preocupação da organização era a disseminação de bactérias resistentes. “O uso excessivo desses medicamentos nas plantas pode levar ao desenvolvimento de resistência em patógenos. E as pessoas podem entrar em contato com esses patógenos nos alimentos que compram no supermercado”, explica.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Donley, os trabalhadores rurais que atuam nos pomares seriam os mais atingidos. “Se você sofre um corte no trabalho ou desenvolve uma infecção enquanto trabalha, pode entrar em contato com bactérias mais difíceis de tratar. Isso é um problema enorme para uma população que, em muitos casos aqui, nem tem seguro de saúde”, alerta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Através da Lei de Acesso à Informação nos Estados Unidos (FOIA), a organização descobriu que até mesmo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), agência de saúde pública dos Estados Unidos, já havia alertado sobre essa ameaça. Em 2017, a agência &lt;a href="https://www.biologicaldiversity.org/campaigns/pesticides_reduction/pdfs/CDC-study-from-FOIA.pdf"&gt;enviou um documento&lt;/a&gt; para a EPA afirmando que o uso extensivo de oxitetraciclina poderia levar à resistência microbiana.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1-1024x682.jpeg" alt="A transmissão do &amp;quot;greening do citros&amp;quot; ocorre por meio de um pequeno inseto conhecido como psilídio (Foto: Divulgação/Fundecitrus)" class="wp-image-129809" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1-1024x682.jpeg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1-300x200.jpeg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1-768x512.jpeg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1-1536x1023.jpeg 1536w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Fundecitros_1.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;A transmissão do &amp;#8220;greening do citros&amp;#8221; ocorre por meio de um pequeno inseto conhecido como psilídio (Foto: Divulgação/Fundecitrus)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Em 2021, o CBD e outras organizações ambientais conseguiram, na Justiça, anular a aprovação do uso da estreptomicina, outro antibiótico usado no tratamento para o greening. Os tribunais entenderam que a agência reguladora não teria avaliado adequadamente os riscos do antibiótico para a saúde humana, nem os seus impactos ambientais.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A ONG, no entanto, não chegou a contestar o registro da OTC no prazo previsto pela legislação americana. “Esse processo foi mais confuso porque passou por várias etapas de aprovação emergencial. Mas os argumentos seriam os mesmos e acredito que venceríamos no tribunal”, disse.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Hoje, ele acompanha de perto uma revisão de rotina da EPA sobre o uso de oxitetraciclina em culturas agrícolas. Em 2019, uma decisão inicial indicou que a oxitetraciclina poderia continuar sendo usada, mas com ajustes na bula para mitigar riscos, incluindo a obrigatoriedade de medidas de proteção ao trabalhador e limites na frequência e na dose de aplicação. Uma decisão final está prevista para os próximos dois anos.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Risco a exportações&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Na Flórida, os produtores de laranja que têm utilizado injeções de outros produtos registrados têm visto resultados positivos. &lt;a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261219425001425"&gt;Um estudo&lt;/a&gt; publicado no ano passado encontrou que, em dois anos, a produção de frutos das árvores mais do que dobrou com o medicamento.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A autora principal da pesquisa, Ute Albrecht, afirma que a injeção também é mais segura do que o spray.&amp;nbsp; “Como não há pulverização, o produto não se dispersa pelo ar nem afeta outros organismos ao redor. Não há escoamento para o solo, o que é importante na Flórida, porque existe um sistema de aquíferos que liga todos os cursos d’água”, explica.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mesmo assim, a pesquisadora da IFAS (Universidade da Flórida) alerta que, caso a injeção seja mal administrada, há risco do antibiótico deixar resíduos na fruta, o que também contribui para a resistência microbiana. Em &lt;a href="https://www.mdpi.com/2311-7524/11/8/976"&gt;um estudo recente&lt;/a&gt;, ela constatou que a simples aplicação fora da época indicada pode resultar em níveis acima do permitido pela agência ambiental dos Estados Unidos (EPA).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Por isso, esse produto é rigorosamente regulamentado na Flórida. Os produtores precisam esperar pelo menos seis meses entre a injeção e a colheita. Quando os frutos já estão grandes, qualquer material que você injete pode acabar indo para eles, o que precisa ser evitado”, exemplifica.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Não está claro quais seriam as diretrizes de uso no Brasil, caso o produto fosse aprovado. Resíduos do antibiótico na fruta ou no suco de laranja podem prejudicar as exportações para a União Europeia (UE), devido às restrições do bloco econômico aos antibióticos em culturas agrícolas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Questionada pela Repórter Brasil, a CitrusBR, que representa o setor exportador de suco de laranja, afirmou que “a eventual autorização regulatória [do produto] no país não implica a adoção automática na cadeia exportadora.” Também disse que “o setor exportador de suco de laranja adota protocolos públicos e próprios de governança e conformidade, com critérios restritivos para o uso de produtos no campo, em função das exigências dos mercados de destino, especialmente a Europa e os Estados Unidos.”&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Outra preocupação é a possibilidade de a própria bactéria que causa o greening desenvolver resistência aos antibióticos. “Todos os produtores aqui na Flórida reconhecem que isso é apenas uma solução temporária e estão aguardando uma solução genética, como uma variedade de laranjeira resistente ao greening. Acho que o consenso é que essa não é uma solução para todo o sempre”, afirma Albrecht.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;em&gt;*** Colaborou Valentina Bressan&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;


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				&lt;/a&gt;
				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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									&lt;p&gt;Leia também&lt;/p&gt;								&lt;/div&gt;
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</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Carlos Juliano Barros</dc:creator><pubDate>Thu, 30 Apr 2026 08:30:00 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/startup-americana-antibiotico-brasil-proibido-uniao-europeia/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/04/startup-americana-antibiotico-brasil-proibido-uniao-europeia/</guid></item><item><title>Gold mining companies facing environmental lawsuits and fines got R$90 million in tax breaks</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/gold-mining-companies-facing-environmental-lawsuits-and-fines-got-r90-million-in-tax-breaks/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;GOLD MINING COMPANIES&lt;/strong&gt; with a recent history of environmental violations, implicated by oversight bodies in irregularities and in conflict with communities, received R$90.1 million in federal tax exemptions between 2024 and 2025, according to an exclusive survey by &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In Cuiabá, the capital of Mato Grosso, Mineração Aricá obtained tax exemptions even after an embargo registered by Ibama (the Brazilian Institute of the Environment and Renewable Natural Resources) as part of a Federal Police operation investigating the illegal use of mercury.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Another company with an active embargo imposed by the environmental agency is Mineração Aurizona S.A., which received the benefits after the company left 4,000 people without access to drinking water following the rupture of a lagoon used as a mining dam in March 2021, in the Maranhão municipality of Godofredo Viana.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Aura Almas Mineração S.A., which operates in Almas, Tocantins, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/mineradora-estudo-ambiental-antigo-ignora-quilombolas-to/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;ignored the existence of quilombola communities&lt;/a&gt; in its environmental licensing project, according to a lawsuit filed by the State Public Defender’s Office.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In 2024, the total tax breaks for the three companies totalled R$51 million (UDS 10,9 million). In 2025, they totaled R$39.1 million (USD 7,8 million). Data on federal tax benefits and waivers are &lt;a href="https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/renuncias-fiscais-de-tributos-federais" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;publicly available&lt;/a&gt; and published by the Ministry of Finance.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Benefit laws do not include socio-environmental criteria&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;In the case of Aurizona, the benefit was granted through the Superintendency for the Development of the Amazon (Sudam), under a law created in the early 1960s to encourage the expansion of raw-material extraction sectors in the region.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Over more than 60 years in force, Law 4,216, which regulates the benefit, has undergone few changes thanks to lobbying by the sectors that benefit from it, says Alessandra Cardoso, a policy adviser at Inesc (the &lt;a href="https://inesc.org.br/en/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Institute for Socioeconomic Studies&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“These laws usually last ten years. When that deadline approaches, they [businesspeople] organize in the National Congress and renew them without any change,” Cardoso explains. She is the author of the technical note “&lt;a href="https://inesc.org.br/wp-content/uploads/2023/06/nt-incentivos-fiscais-amazonia_0626.pdf?x96134" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Tax Incentives in the Amazon&lt;/a&gt;,” published in 2023 by Inesc, in which she points to the “questionable economic and social effects and negative environmental impacts” of this type of tax exemption.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In addition to the Sudam benefit, the three mining companies were granted incentives under the Special Regime for the Acquisition of Capital Goods by Exporting Companies (Recap), which suspends taxes on the purchase of machinery and equipment.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The laws governing both benefits do not establish socio-environmental criteria for granting them. “It is absurd [that these benefits] are renewed without environmental, social, climate or socio-environmental responsibility criteria for these companies,” Cardoso says.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1-1024x682.jpg" alt="Without socio-environmental criterias, tax incentive laws allow tax exemptions for gold mining companies with environmental liabilities. Pictured: aerial view of a garimpo in Itaituba, southwest Pará (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)" class="wp-image-129760" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1-1024x682.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Without socio-environmental criteria, tax incentive laws allow tax exemptions for gold mining companies with environmental liabilities. Pictured: aerial view of a garimpo in Itaituba, southwest Pará (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;For the Inesc adviser, gaps in tax incentive legislation end up financing the activities of companies with socio-environmental problems. “There are no benefits for communities, and there is not even a ban on things that are already very common in the financial sector, such as lists related to slave labor and deforestation,” Cardoso says.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In a statement sent to &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, Brazil’s Federal Revenue Service said that the environmental reputation of companies receiving tax incentives is assessed only when this is expressly required by the law that created the benefit, which is not the case in the examples presented in this report. “Every tax benefit is determined by law, which contains the objective criteria for granting it. It is up to the Federal Revenue Service to determine whether the applicant for that benefit meets the requirements to receive it,” the agency said.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Beneficiary has area interdicted over illegal mercury use&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;One of the companies benefiting from Recap is Mineração Aricá, which received R$677,800 (USD 135,540) in incentives in 2025. In 2024, the amount was R$30,800 (USD 6,159).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In November 2023, the mining company had an area embargoed and was fined R$1.5 million (USD 300,000) for submitting false information to the official system that controls the purchase and sale of mercury and for keeping the substance in violation of the law.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ibama’s enforcement action took place as part of a development in Operation Hermes II, launched in 2023 by Ibama and the Brazilian Federal Police to &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/11/trafico-mercurio-garimpo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;investigate the illegal trade and use of mercury&lt;/a&gt; and other crimes, including criminal organization and association.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Highly toxic and capable of contaminating aquatic ecosystems, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/04/a-floresta-doente-as-criancas-munduruku-que-nao-brincam-e-podem-estar-contaminadas-por-mercurio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;mercury can cause neurological, reproductive and immune-system damage in humans&lt;/a&gt;. By law, all legally sourced mercury must be declared and reported in Ibama’s Mercury Report system, as must purchase and sale transactions.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The embargo, registered in the district of Coxipó do Ouro, in the rural area of Cuiabá, capital of the state of Mato Grosso, remains active. Even so, the company reported payment of CFEM (Financial Compensation for the Exploitation of Mineral Resources) in 2024 for the sale of 211.2 kilograms of gold that year.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;According to Ibama, the mining company is contesting the notices of violation, and the fines imposed by the environmental agency have not yet been paid. The Federal Public Prosecutor’s Office in São Paulo confirmed to &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; that it received the Federal Police report with the results of the investigations into Operation Hermes II, but said the proceeding is under seal and that it could not confirm whether Mineração Aricá or its partners are under investigation.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; sought to contact Mineração Aricá by telephone, email and through a lawyer who had previously acted in the company’s defense, but was unable to reach company representatives. Space remains open for future comment.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Dam rupture left 4,000 people without drinking water&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;To this day, the 4,000 residents of the community of Aurizona, a rural district of Godofredo Viana in northern Maranhão, continue to suffer the consequences of the contamination of the waters of the Tromaí River, which supplies the town. The pollution arrived in March 2021, with the rupture of the Lagoa do Pirocaua dam, controlled by Mineração Aurizona S.A.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Even with an embargo registered by Ibama since April 2021 as a result of the rupture, the mining company tops the list of tax-waiver amounts among the three companies cited in this report.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In 2025, the company received R$38.1 million (USD 7,6 million) in exemptions, most of it — R$35.9 million (USD 7,1 million) — through Sudam. In 2024, the benefit was even larger, totaling R$47.2 million (USD 9,4 million). Once again, the legislation created under Sudam accounted for the largest share, R$44.5 million (USD 8,9 million). The company also accessed Recap.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The rupture affected the district’s wells, which became unusable. The community now consumes bottled mineral water supplied by Aurizona, according to affected residents interviewed by &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“The greatest damage was to our WTS, our Water Treatment Station,” says teacher Daiane Lima Sousa, 37. “Because of our struggles, with MAB [the Movement of People Affected by Dams], they [Mineradora Aurizona] restored the WTS. But we know it will never be 100%,” she says.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The teacher says the company carried out material repair measures for residents harmed by the spill. The environmental damage is still under analysis.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Since September 2021, Aurizona, as well as the state of Maranhão, have been the targets of a Public Civil Action filed by the Federal Public Prosecutor’s Office, which seeks reparations for environmental damage.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In November 2025, the court authorized an expert assessment to determine whether the remediation measures adopted by the company were technically sufficient and whether damage remains in the area.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“The current situation of the families, with regard to water supply and the environmental quality of the region, is one of the questions that the court-ordered expert assessment must answer,” the Federal Public Defender’s Office, which is acting as an assistant to the Federal Public Prosecutor’s Office in the case, told &lt;strong&gt;Repórter Brasil.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;While the case proceeds, the company continues to operate. Mineração Aurizona had not answered the questions sent by &lt;strong&gt;Repórter Brasil &lt;/strong&gt;by the time the report was published. Space remains open for future comment.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Quilombola territories ignored&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;In 2024, the year in which Aura Almas Mineração S.A. obtained R$3.7 million (USD 740,000) in tax exemptions through Recap, the company’s operations in the municipality of Almas (TO) had already changed the routine of residents of the Baião quilombola community.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The noise from rock blasting disturbs those living in the area affected by the project. Heavy truck traffic on what used to be a quiet road worries residents, who fear accidents, says Maryellen Crisóstomo, who was born and raised in the Baião community and is now coordinator of the Tocantins State Coordination of Quilombola Communities (COEQTO).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The Baião community has not yet had its land regularization process completed by Incra (the National Institute for Colonization and Agrarian Reform). When that happens, the dam used by the mining company — just five kilometers from the inhabited area — will directly border the quilombo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“No one ever came to talk to us about an escape route, a safety program or anything like that,” said Benvinda Fernandes Cardoso, 54, a resident of Baião, in an&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/mineradora-estudo-ambiental-antigo-ignora-quilombolas-to/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;interview for &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; in May 2024&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;At the end of 2023, the Tocantins Public Defender’s Office, together with COEQTO, filed a Public Civil Action seeking the suspension of the mining company’s activities. The lawsuit cites the lack of prior consultation with directly affected quilombola communities, as required by ILO Convention 169, as well as alleged flaws in the mine’s environmental licensing process.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/baiao_auraalmas_fernandomartinho_reporterbrasil-1024x683.jpg" alt="Eliene Crisóstomo, president of the Association of Quilombola Remnants: “We were already here and we were not consulted” (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)" class="wp-image-129762" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/baiao_auraalmas_fernandomartinho_reporterbrasil-1024x683.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/baiao_auraalmas_fernandomartinho_reporterbrasil-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/baiao_auraalmas_fernandomartinho_reporterbrasil-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/baiao_auraalmas_fernandomartinho_reporterbrasil.jpg 1152w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Eliene Crisóstomo, president of the Association of Quilombola Remnants: “We were already here and we were not consulted” (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;“We questioned not only the absence of a consultation process, but also the fact that this exploitation was taking place on the basis of a simplified environmental impact study, and not a full EIA/RIMA [Environmental Impact Study and Environmental Impact Report],” says public defender Kenia Martins Pimenta Fernandes, coordinator of the Agrarian and Environmental Public Defender’s Office in Tocantins.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In 2025, the Court of Justice of Tocantins rejected the preliminary injunction that sought to suspend Aura Almas’ activities until the affected communities had been heard. That year, the mining company was again granted Recap benefits, with exemptions worth R$269,600 (USD 53,920). “We lost the injunction. On the other hand, the case is moving toward a judgment on the merits,” Fernandes explains.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Also last year, the Public Defender’s Office held a conciliation hearing, where it established requirements for the company to continue operating. The request includes the preparation of a new Environmental Impact Study and the carrying out of consultation in accordance with the protocol defined by the communities. According to Fernandes, Aura Almas agreed to the proposal.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The agreement is now being formalized. In the meantime, the mining company continues to expand its exploration area among the communities. Seven new mining fronts are in the process of being opened, according to the Public Defender’s Office. In addition to Baião, four other quilombola communities are located in the impact zone: Poço Dantas, in the municipality of Almas; São Joaquim and Laginha, both in Porto Alegre do Tocantins; and Lajeado, in Dianópolis. These territories are awaiting technical studies to identify the areas of common use by the communities.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Maryellen Crisóstomo confirms that the company has been in contact with quilombolas. The results of the dialogue, however, are not always favorable to the residents of those areas. “The mining company went to Lajeado to say that, with or without consent, there will be an extraction point in the territory,” she says.In response to &lt;strong&gt;Repórter Brasil,&lt;/strong&gt; Aura Almas Mineração said that its unit in Almas maintains regular operations in compliance with Brazilian law. The company said it “prioritizes regional socioeconomic development through the hiring of local labor and the strengthening of the region’s supplier chain” and that it promotes “qualification and integration initiatives that contribute to coexistence based on mutual respect and shared growth.” Regarding the Public Civil Action filed by the State Public Defender’s Office, the company added that it “fully cooperates with the authorities and that the case is following the regular judicial process.”&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Poliana Dallabrida Wisentainer</dc:creator><pubDate>Tue, 28 Apr 2026 17:40:15 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/gold-mining-companies-facing-environmental-lawsuits-and-fines-got-r90-million-in-tax-breaks/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/04/gold-mining-companies-facing-environmental-lawsuits-and-fines-got-r90-million-in-tax-breaks/</guid></item><item><title>Mineradoras alvos de ações e multas ambientais receberam R$ 90 mi em isenções fiscais</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mineradoras-multas-ambientais-90-mi-isencoes-fiscais/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;MINERADORAS DE OURO&lt;/strong&gt; com histórico recente de infrações ambientais, implicadas por órgãos de controle em irregularidades e em conflito com comunidades obtiveram R$ 90,1 milhões em isenções de impostos federais entre 2024 e 2025, mostra levantamento exclusivo da &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a Mineração Aricá obteve isenções fiscais mesmo após um embargo (interdição) registrado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga o uso ilegal de mercúrio. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Outra companhia com embargo ativo aplicado pelo órgão ambiental é a Mineração Aurizona S.A., que recebeu os benefícios depois de a empresa deixar 4 mil pessoas sem acesso à água potável em decorrência do rompimento de uma lagoa usada como barragem de mineração, em março de 2021, no município maranhense de Godofredo Viana. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Já a Aura Almas Mineração S.A., que opera em Almas, no Tocantins, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/mineradora-estudo-ambiental-antigo-ignora-quilombolas-to/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;ignorou a existência de comunidades quilombolas&lt;/a&gt; em seu projeto de licenciamento ambiental, segundo ação movida pela Defensoria Pública do Estado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



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&lt;p&gt;Em 2024, a soma das renúncias fiscais das três empresas foi de R$ 51 milhões. Em 2025, de R$ 39,1 milhões. Os dados sobre benefícios e renúncias fiscais de tributos federais são de &lt;a href="https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/renuncias-fiscais-de-tributos-federais" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;acesso público&lt;/a&gt;, disponibilizados pelo Ministério da Fazenda.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Leis sobre benefícios não incluem critérios socioambientais&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;No caso da mineradora Aurizona, o benefício foi garantido por meio da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), a partir de uma lei criada no início dos anos de 1960 com a proposta de incentivar a expansão de setores de extração de matéria-prima na região.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ao longo dos mais de 60 anos de vigência, a Lei 4.216, que regulamenta o benefício, teve poucas alterações, graças ao lobby dos setores beneficiados, avalia Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Essas leis normalmente têm dez anos de duração. Quando vai chegando esse prazo, eles [empresários] se articulam no Congresso Nacional e renovam sem nenhuma mudança”, explica Cardoso. Ela é autora da nota técnica “&lt;a href="https://inesc.org.br/wp-content/uploads/2023/06/nt-incentivos-fiscais-amazonia_0626.pdf?x96134" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Incentivos Fiscais na Amazônia&lt;/a&gt;”, publicada em 2023 pelo Inesc, onde aponta os “questionáveis efeitos econômicos e sociais e negativos impactos ambientais” desse tipo de isenção fiscal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Além do benefício da Sudam, as três mineradoras foram contempladas pelo Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), que garante a suspensão de impostos na aquisição de máquinas e equipamentos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As legislações que regem ambos os benefícios não estabelecem critérios socioambientais para a sua concessão. “É um absurdo [que esses benefícios] sejam renovados sem que haja critérios ambientais, sociais, climáticos, de responsabilidade socioambiental dessas empresas”, critica Cartório.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1024x682.jpg" alt="Aerial view of gold mining in Itaituba, Pará. The current mayor of the municipality has stated in an interview that he has never monitored environmental licenses granted by his administration (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)" class="wp-image-93368" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1024x682.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023.jpg 1536w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/12/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Sem critérios socioambientais, legislações sobre benefícios fiscais permitem isenções de impostos a mineradoras de ouro com passivos ambientais. Na imagem, vista área de um garimpo em Itaituba, no sudoeste do Pará (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Para a assessora do Inesc, as lacunas na legislação sobre benefícios fiscais acabam por financiar atividades de empresas com problemas socioambientais. “Não tem contrapartida para as comunidades, não tem vedação sequer de coisas que já são muito usuais no setor financeiro, como lista de trabalho escravo e desmatamento”, diz Cardoso.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em nota enviada à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, a Receita Federal afirmou que a avaliação da reputação ambiental das empresas contempladas por incentivos fiscais é realizada somente quando está expressa na lei que criou o benefício, o que não acontece nos casos apresentados nesta reportagem. “Todo benefício fiscal é determinado por lei, que irá conter os critérios objetivos para sua concessão. À Receita Federal cabe analisar se o postulante a aquele benefício cumpre os requisitos para recebê-lo”, informou.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Beneficiária tem área interditada por uso ilegal de mercúrio&amp;nbsp;&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Uma das beneficiárias pelo Recap é a Mineração Aricá que, em 2025, recebeu R$ 677,8 mil em incentivos. Em 2024, o valor foi de R$ 30,8 mil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em novembro de 2023, a mineradora teve uma área embargada e foi multada em R$ 1,5 milhão por apresentar informações falsas no sistema oficial de controle de compra e venda de mercúrio e por manter a substância em desacordo com a legislação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A autuação do Ibama ocorreu no âmbito de um desdobramento da Operação Hermes II, deflagrada em 2023 pela Polícia Federal com o objetivo de &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/11/trafico-mercurio-garimpo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;apurar o comércio e uso ilegal de mercúrio e outros crimes&lt;/a&gt;, como organização e associação criminosa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Altamente tóxico e com potencial de contaminação de ecossistemas aquáticos, o mercúrio pode &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/04/a-floresta-doente-as-criancas-munduruku-que-nao-brincam-e-podem-estar-contaminadas-por-mercurio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;causar danos neurológicos, reprodutivos e imunológicos em humanos&lt;/a&gt;. Por lei, todo mercúrio de origem legal precisa ser declarado e informado no sistema do Relatório de Mercúrio do Ibama, assim como as transações de compra e venda.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O embargo, registrado no distrito do Coxipó do Ouro, na zona rural de Cuiabá (MT), permanece ativo. Apesar disso, a empresa registrou recolhimento de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) em 2024 pela comercialização de 211,2 kg de ouro naquele ano.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo o Ibama, a mineradora contesta os autos de infração e as multas aplicadas pelo órgão ambiental ainda não foram pagas. À &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, o MPF em São Paulo confirmou que recebeu o relatório da Polícia Federal com o resultado das investigações da Operação Hermes II, mas alegou que o procedimento está sob sigilo e não poderia confirmar se a Mineração Aricá ou seus sócios estão sendo investigados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A reportagem procurou a Mineração Aricá por meio de telefones, correio eletrônico e de um advogado que já atuou na defesa da empresa, mas não conseguiu fazer contato com representantes da companhia. O espaço segue aberto para manifestações futuras.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Rompimento de barragem deixou 4 mil sem água potável&amp;nbsp;&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Ainda hoje, os 4 mil moradores da comunidade de Aurizona, distrito da zona rural de Godofredo Viana, no norte do Maranhão, sofrem as consequências da contaminação das águas do rio Tromaí, que abastece a cidade. A poluição chegou em março de 2021, com o rompimento da barragem Lagoa do Pirocaua, controlada pela Mineração Aurizona S.A.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mesmo com um embargo registrado pelo Ibama desde abril de 2021 em decorrência do rompimento, a mineradora lidera a lista dos valores de renúncias fiscais entre as três empresas citadas nesta reportagem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em 2025, a empresa recebeu de R$ 38,1 milhões em isenções, sendo a maior parte – R$ 35,9 milhões – acessada via Sudam. Em 2024, o benefício foi ainda mais robusto, totalizando R$ 47,2 milhões. Novamente, a legislação criada no âmbito da Sudam garantiu a maior parcela, de R$ 44,5 milhões, que também teve acesso ao Recap.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O rompimento afetou os poços do distrito, que ficaram inutilizados. Agora, a comunidade consome água mineral dos galões fornecidos pela Aurizona, afirmam moradores atingidos ouvidos pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“O prejuízo maior foi na nossa ETA, que é a nossa Estação de Abastecimento de Água”, conta a professora Daiane Lima Sousa, 37. “Devido às nossas lutas, com o MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens], eles [Mineradora Aurizona] revitalizaram a ETA. Só que a gente sabe que nunca vai ficar 100%”, diz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A professora afirma que a empresa realizou ações de reparos materiais aos moradores prejudicados pelo vazamento. Já os danos ambientais seguem em análise.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Desde setembro de 2021, a Aurizona, bem como o Estado do Maranhão, são alvos de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF, que pede a reparação dos prejuízos ambientais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em novembro de 2025, a Justiça autorizou uma perícia para apurar se as medidas de remediação adotadas pela empresa foram tecnicamente suficientes e se ainda há prejuízos na área. “A situação atual das famílias, no que diz respeito ao abastecimento de água e à qualidade ambiental da região, é uma das questões que a perícia judicial deverá responder”, informou à reportagem a DPU (Defensoria Pública da União), que atua como assistente do MPF na ação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Enquanto a ação tramita, a empresa segue em operação. A Mineração Aurizona não respondeu os questionamentos enviados pela &lt;strong&gt;Repórter Brasil &lt;/strong&gt;até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações futuras.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Territórios quilombolas ignorados&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Em 2024, ano em que a Aura Almas Mineração S.A. conseguiu isenções fiscais no valor de R$ 3,7 milhões pelo Recap, as operações da empresa no município de Almas (TO) já haviam mudado a rotina dos moradores da comunidade quilombola de Baião.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O ruído das explosões das rochas incomoda quem vive na zona de impacto do empreendimento. O tráfego intenso de caminhões por uma via antes pacata preocupa os moradores, que temem acidentes, relata Maryellen Crisóstomo, nascida e criada na comunidade Baião e hoje coordenadora da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A comunidade de Baião não teve o processo de regularização fundiária concluído pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Quando isso acontecer, a barragem usada pela mineradora – distante apenas 5 quilômetros da área habitada – fará limite direto com o quilombo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Nunca ninguém nos procurou para falar sobre rota de fuga, programa de segurança, nem nada”, disse Benvinda Fernandes Cardoso, 54, moradora do Baião, em &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/mineradora-estudo-ambiental-antigo-ignora-quilombolas-to/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;entrevista à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, em maio de 2024&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No fim de 2023, a Defensoria Pública do Tocantins, em conjunto com a COEQTO, entrou com uma Ação Civil Pública pedindo a suspensão das atividades da mineradora. A ação cita a falta de consulta prévia às comunidades quilombolas diretamente afetadas, como determina a Convenção 169 da OIT, além de supostas falhas no processo de licenciamento ambiental da mina.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/05/FM43080-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-84557" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/05/FM43080-1024x683.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/05/FM43080-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/05/FM43080-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/05/FM43080.jpg 1152w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Eliene Crisóstomo, presidente da Associação de Remanescentes Quilombolas: &amp;#8220;Nós já estávamos aqui e não fomos consultados&amp;#8221; (Foto: Fernando Martinho/ Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;“A gente questionou não só a inexistência do processo de consulta, mas também o fato de que essa exploração estava acontecendo com base num estudo simplificado de impacto ao meio ambiente e não no EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental] completo”, diz a defensora pública Kenia Martins Pimenta Fernandes, coordenadora do Núcleo da Defensoria Pública Agrária e Ambiental do Tocantins.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em 2025, a Justiça do Estado do Tocantins se posicionou contrária à liminar que pedia pela suspensão das atividades da Aura Almas até que as comunidades impactadas fossem ouvidas. Naquele ano, a mineradora foi novamente beneficiada pelo Recap, com isenções no valor de R$ 269,6 mil. “A liminar nós perdemos. Por outro lado, a ação segue para julgamento de mérito”, explica Fernandes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ainda no ano passado, a Defensoria realizou uma audiência de conciliação, onde estabeleceu as exigências para que a empresa siga em operação. O pedido inclui a elaboração de um novo Estudo de Impacto Ambiental e a realização da consulta de acordo com o protocolo definido pelas comunidades. Segundo Fernandes, a Aura Almas concordou com a proposta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Agora, o acordo está em fase de formalização. Enquanto isso, a mineradora segue expandindo sua área de exploração entre as comunidades. São sete novas lavras em processo de abertura, segundo a Defensoria Pública. Além do Baião, outras quatro comunidades quilombolas ficam na zona de impacto: Poço Dantas, no município de Almas; São Joaquim e Laginha, ambas em Porto Alegre do Tocantins; e Lajeado, em Dianópolis. Esses territórios aguardam os estudos técnicos para a identificação das áreas de uso comum das comunidades.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Maryellen Crisóstomo confirma o contato da empresa com os quilombolas. Os resultados do diálogo, no entanto, nem sempre são favoráveis aos habitantes daquelas áreas. “A mineradora foi a Lajeado informar que, com consentimento ou não, vai ter um ponto de extração no território”, diz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em resposta à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, a Aura Almas Mineração afirmou que a sua unidade em Almas mantém as operações regulares, em conformidade com a legislação brasileira. A companhia disse que “prioriza o desenvolvimento socioeconômico regional por meio da contratação de mão de obra local e do fortalecimento da cadeia de fornecedores da região” e que promove iniciativas “de qualificação e integração que contribuem para uma convivência pautada no respeito mútuo e no crescimento compartilhado”. Em relação a Ação Civil Pública movida pela Defensoria Pública do Estado, a empresa acrescentou que &amp;#8220;colabora integralmente com as autoridades e que o processo segue o rito judicial regular&amp;#8221;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;em&gt;NOTA DA REDAÇÃO: Matéria alterada dia 27/04 às 13h45 para incluir posicionamento adicional enviado pela Aura Almas Mineração.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;



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				&lt;/div&gt;
					&lt;/div&gt;
				&lt;/a&gt;
				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;25 anos investigando para mudar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;


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									&lt;p&gt;Leia também&lt;/p&gt;								&lt;/div&gt;
				&lt;/div&gt;
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				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Poliana Dallabrida Wisentainer</dc:creator><pubDate>Mon, 27 Apr 2026 15:34:56 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mineradoras-multas-ambientais-90-mi-isencoes-fiscais/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mineradoras-multas-ambientais-90-mi-isencoes-fiscais/</guid></item><item><title>Do petróleo ao ‘verde’: soluções do mapa da transição energética podem esconder violações socioambientais</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mapa-transicao-energetica-podem-esconder-violacoes-socioambientais/</link><description>
&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt; lançou um relatório que analisa medidas de descabonização a partir da proposta chamada “Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada”, uma iniciativa adotada pelo governo brasileiro após a COP 30, em Belém. O estudo mostra como o país se apresenta como liderança global na construção de uma rota para superar o uso de petróleo, carvão e gás, ao mesmo tempo em que expande internamente a exploração de combustíveis fósseis, biocombustíveis, a mineração voltada à eletrificação e megaprojetos de energia renovável.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O relatório “Caminho certo? Soluções para uma transição energética justa escondem riscos para os direitos humanos, as comunidades tradicionais e até mesmo o meio ambiente” está disponível em &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_PT_V4.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;português&lt;/a&gt;, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_EN_V5.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;inglês&lt;/a&gt; e &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_ES_V3.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;espanhol&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;div class="wp-block-group is-layout-grid wp-container-core-group-is-layout-478b6e6b wp-block-group-is-layout-grid"&gt;
&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_Portugues.pdf" target="_blank" rel=" noreferrer noopener"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="629" height="890" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-pt-transicao.jpg" alt="" class="wp-image-129608" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-pt-transicao.jpg 629w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-pt-transicao-212x300.jpg 212w" sizes="(max-width: 629px) 100vw, 629px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_English.pdf" target="_blank" rel=" noreferrer noopener"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="629" height="892" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-en-transicao.jpg" alt="" class="wp-image-129624" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-en-transicao.jpg 629w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-en-transicao-212x300.jpg 212w" sizes="(max-width: 629px) 100vw, 629px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/ReporterBrasil_FACTSHEET_Transicao-Energetica_Espanol.pdf" target="_blank" rel=" noreferrer noopener"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="630" height="895" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-es-transicao.jpg" alt="" class="wp-image-129627" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-es-transicao.jpg 630w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/capinha-es-transicao-211x300.jpg 211w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;O estudo detalha como a agenda dos biocombustíveis, apoiada por políticas públicas e pela Lei do Combustível do Futuro, se baseia na expansão de cana, milho e soja sobre biomas como o Cerrado, com impactos como desmatamento, trabalho escravo e conflitos fundiários. Casos recentes de flagrante de trabalho escravo na cadeia da cana mostram centenas de trabalhadores resgatados em condições degradantes e de servidão por dívida, em fazendas ligadas a grandes usinas e tradings. Na soja, o estudo revisita casos emblemáticos, como o do Agronegócio Estrondo, complexo de fazendas acusado de grilagem, violência contra comunidades geraizeiras e desmatamento ilegal em área estratégica para a produção de biodiesel.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na eletrificação, o relatório mostra que minerais críticos e terras raras, essenciais para baterias, carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, vêm sendo explorados à custa da integridade de territórios indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária e unidades de conservação, especialmente na Amazônia. A pesquisa também reúne milhares de processos minerários ativos, alguns sobrepostos ou próximos de áreas protegidas e de territórios de povos isolados, além de suspeitas e denúncias de contaminação de rios, riscos associados a barragens de rejeitos e pressões sobre comunidades que já convivem com o garimpo e outras atividades de alto impacto.&lt;/p&gt;


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&lt;p&gt;A análise também cruza dados do Observatório da Transição Energética e mostra que usinas eólicas e solares, linhas de transmissão e projetos ligados a minerais críticos já afetam milhares de territórios protegidos, com tendência de expansão sobre a Amazônia. No Nordeste, a instalação de parques eólicos e solares acumula denúncias de contratos de arrendamento considerados abusivos, ruídos constantes e restrições ao uso de áreas comuns. É o caso do Complexo Manacá, na Bahia, onde licenças foram concedidas em áreas prioritárias para conservação e recarga de aquíferos sem a exigência de estudos completos de impacto ambiental.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O relatório também sistematiza propostas de organizações socioambientais, movimentos populares, povos indígenas e comunidades tradicionais para que a transição energética seja, de fato, justa. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Entre as principais recomendações estão interromper a expansão de combustíveis fósseis e barrar novos projetos em áreas ecologicamente sensíveis; estabelecer limites claros para biocombustíveis, mineração e fontes renováveis em territórios tradicionais; garantir demarcação de terras, consulta prévia e participação efetiva das populações mais afetadas; e redirecionar subsídios e receitas da cadeia fóssil para financiar uma economia de baixo carbono, com metas setoriais obrigatórias de descarbonização e mecanismos robustos de controle social.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;O relatório contou com o apoio da Fundação Heinrich Böll.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;


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</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Bruna Borges</dc:creator><pubDate>Thu, 23 Apr 2026 14:14:15 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mapa-transicao-energetica-podem-esconder-violacoes-socioambientais/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/04/mapa-transicao-energetica-podem-esconder-violacoes-socioambientais/</guid></item><item><title>Estudo usado no STF por ruralistas contra a moratória da soja é contestado por ambientalistas</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/estudo-ruralistas-stf-moratoria-soja/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;UM ESTUDO&lt;/strong&gt; defendido pela Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), mas questionado por acadêmicos e ambientalistas, vai estar no centro do debate sobre a chamada “moratória da soja”, durante audiência marcada pelo ministro Flávio Dino para a quinta-feira (16), no STF (Supremo Tribunal Federal).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Usado como argumento técnico pela entidade do agronegócio contra a moratória, o documento sustenta que o pacto empresarial criado há quase duas décadas — e que proíbe a compra de grãos produzidos em áreas desmatadas na Amazônia depois de julho de 2008 — não teria reduzido o desmatamento no bioma. Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, contestam a análise e apontam falhas metodológicas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Elaborado pelo IBCI (Instituto Brasileiro de Concorrência e Inovação), o documento está&amp;nbsp; anexado a um julgamento em curso no STF sobre leis estaduais do Mato Grosso e de Rondônia que retiram benefícios fiscais das tradings (comercializadoras) de grãos que aderirem a compromissos voluntários de sustentabilidade. Por causa dessas legislações, defendidas por sojicultores, multinacionais como ADM, Bunge e Cargill abandonaram a moratória, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/03/stf-moratoria-soja-desmatamento-amazonia/"&gt;por receio de perderem incentivos estaduais bilionários&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A audiência de conciliação prevista para quinta-feira foi convocada pelo relator do caso, ministro Flávio Dino. O objetivo do encontro é tentar aproximar produtores rurais, empresas processadoras dos grãos e organizações ambientalistas.&lt;/p&gt;


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&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;O que diz o estudo do IBCI&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;O documento tem três pontos centrais. Primeiro, sustenta que a moratória não teria  efeito ambiental comprovado. Em segundo lugar, diz que o acordo trouxe prejuízos econômicos aos produtores de soja. Por fim, afirma que impor restrições além das previstas na legislação ambiental brasileira seria ilegal.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Argumentos semelhantes já haviam aparecido na audiência realizada pelo STF em 19 de março. Na ocasião, representantes da Aprosoja e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) defenderam teses alinhadas ao estudo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Durante a audiência, o advogado da Aprosoja afirmou, por exemplo, que a moratória “atropela o nosso Código Florestal” e disse que cerca de “95% do desmatamento na região monitorada não estariam relacionados à soja”. Já a advogada da CNA classificou a política como um “cartel clássico” e “à margem da lei”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Organizações da sociedade civil, por outro lado, defendem o legado da moratória da soja. Estudo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) aponta que o fim do pacto pode elevar em até 30% a área desmatada na Amazônia até 2045, com emissões acumuladas da ordem de 20 bilhões de toneladas de dióxido de carbono decorrentes da conversão de floresta em áreas de exploração agrícola.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-full"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/10/desmatamento-labrea-greenpeace-christian.jpg" alt="Sobrevoo do Greenpeace área de desmatamento no município de Lábrea, Amazonas, em março de 2022 (Foto: Christian Braga/Greenpeace)" class="wp-image-121799" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/10/desmatamento-labrea-greenpeace-christian.jpg 800w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/10/desmatamento-labrea-greenpeace-christian-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/10/desmatamento-labrea-greenpeace-christian-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Sobrevoo do Greenpeace área de desmatamento no município de Lábrea, Amazonas, em março de 2022 (Foto: Christian Braga/Greenpeace)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Em quase duas décadas, a moratória teria se consolidado como referência para dissociar a expansão da soja do desmatamento na Amazônia, segundo porta-vozes de diferentes entidades ambientalistas, como Greenpeace, WWF-Brasil, Imaflora e Ipam.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Dados do próprio setor indicam que a área média desmatada nos municípios monitorados caiu 69%, de 11.424 km²/ano entre 2002 e 2008 para 3.526 km²/ano de 2009 a 2022. A área plantada com soja no bioma, por sua vez, aumentou 344% no período. Ou seja: a expansão das lavouras foi acompanhada da redução do desmatamento — e a moratória também contribuiu para esse cenário, defendem ambientalistas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em entrevista por e-mail à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, os autores do estudo do IBCI, Cristiano Oliveira e Eduardo Gaban, afirmam que a análise foi feita de forma independente, sem interferência de associações do agronegócio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“A convergência de conclusões entre um estudo acadêmico e outros atores não diz nada sobre a origem ou a integridade do estudo. Diz apenas que diferentes pessoas, partindo de pontos distintos, chegaram ao mesmo lugar”, dizem os autores. Oliveira é professor de economia da FURG (Universidade Federal do Rio Grande). Já Gaban é advogado e professor da USP (Universidade de São Paulo). Leia as &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/04/integra-das-respostas-moratoria-da-soja/"&gt;respostas na íntegra&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Registros públicos levantados pela reportagem mostram que Oliveira e Gaban já estiveram em reuniões no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), onde também tramita um processo administrativo sobre a moratória, com participação de representantes da Aprosoja e da CNA. Segundo ambientalistas, a proximidade levanta dúvidas sobre possível conflito de interesses.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Autores atribuem queda do desmatamento a ‘políticas estatais’&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;De acordo com os autores do estudo apresentado pela Aprosoja, o efeito da moratória sobre o desmatamento seria “estatisticamente indistinguível de zero”.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Os resultados demonstram que as reduções dramáticas no desmatamento amazônico entre 2004 e 2012 (queda de 83,5%, de 27.772 km² para 4.571 km²) decorrem primordialmente de políticas estatais”, afirmam os autores.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Dentre essas políticas, estariam o aumento da fiscalização ambiental, as restrições de crédito rural, o monitoramento por satélite e a criação da “Lista de Municípios Prioritários”, instrumento do governo federal que identifica cidades com altos índices de desmatamento na Amazônia.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os autores também argumentam que apenas 2,4% da supressão de vegetação na Amazônia estaria diretamente associada à expansão da soja, enquanto 97,6% decorreriam de outras atividades econômicas, especialmente pecuária e especulação fundiária.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Se medíssemos apenas aqueles 2,4%, poderíamos concluir que a política funcionou, mas estaríamos ignorando o que acontece na floresta como um todo. Nossa pergunta de pesquisa é mais ambiciosa e mais honesta: a Amazônia foi efetivamente protegida? Para isso, só o desmatamento total responde”, afirmam os autores à reportagem.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Ambientalistas apontam erro de abordagem&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o estudo falha ao mensurar os efeitos da moratória da soja. Ao se debruçar sobre o desmatamento total na Amazônia, a análise deixaria de capturar o efeito específico do pacto, que atua sobre a expansão da soja nas áreas recém-desmatadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Apesar de frear o desmatamento total, a moratória tem o objetivo [particular] de reduzir o desmatamento causado pela expansão da soja”, afirma Tiago Reis, especialista em conservação do WWF-Brasil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Fontes ouvidas pela reportagem também contestam uma das principais hipóteses do estudo: a de que o efeito da moratória não poderia ser isolado de outras políticas públicas e que, por essa razão, seria irrelevante.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo eles, essa dificuldade já é reconhecida na literatura científica, mas não invalida resultados já produzidos. “Ninguém nunca afirmou que a moratória da soja é a principal causa da redução do desmatamento, tornando irrelevantes a fiscalização ou a criação de unidades de conservação”, rebate Raoni Rajão, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Pesquisas que comparam diferentes regiões mostram que, após a implementação da moratória, a conversão direta de vegetação nativa para lavouras de soja caiu de cerca de 30% para até 2% na Amazônia. Já no Cerrado — especialmente no Matopiba, que reúne partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — essa taxa varia de 25% a 30%.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Rajão, a diferença entre as regiões indica o efeito da moratória sobre a dinâmica de desmatamento, ainda que combinado a outras políticas públicas. “Não tem como não atribuir isso como resultado positivo do ponto de vista ambiental”, afirma o professor da UFMG.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/08/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-1024x682.jpg" alt="Altamira, Pará, Brasil 22-09-2023 Vista da propriedade da Fazenda Talismã na borda do Rio Xingu em Altamira. Série de reportagens do projeto Pulitzer Center sobre violência no campo. Percorremos assentamentos e acampamentos em várias cidades do Mato Grosso e Pará, mostrando como a política do governo do ex–presidente Jair Bolsonaro amplificou a violência na Amazônia. ©Foto: Fernando Martinho" class="wp-image-87977" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/08/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-1024x682.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/08/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/08/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-768x511.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/08/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio.jpg 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Vista aérea da fazenda em Altamira (PA), vizinha à rodovia Transamazônica. Ambientalistas defendem legado de moratória da soja no combate ao desmatamento (Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;br&gt;&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Recorte do estudo exclui as áreas mais desmatadas&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;A metodologia do estudo também é questionada por excluir da análise os municípios prioritários para o combate ao desmatamento, onde a pressão sobre a Amazônia é maior.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Os autores do documento defendido pela Aprosoja afirmam que a decisão é necessária para separar os efeitos da moratória de outras políticas públicas direcionadas a esses territórios.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Se mantivéssemos esses municípios na análise, seria matematicamente impossível separar o que foi resultado da pressão do Estado do que foi resultado do acordo privado das tradings”, dizem os autores do estudo em resposta por escrito à &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Fontes ouvidas pela reportagem, no entanto, contestam a escolha. “Eles falam assim: vamos tirar os municípios que estão desmatando muito, porque só vamos analisar os municípios que estão desmatando pouco. Não faz sentido”, afirma Rajão, professor da UFMG.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Para Tiago Reis, da WWF, o estudo apresenta problemas estruturais. “O estudo é metodologicamente falho. A todo momento, a evidência [de dados] vai sendo moldada ao argumento”, resume.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Estudo aponta prejuízo no preço da soja; ambientalistas contestam&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;A análise econômica do estudo do IBCI sustenta que produtores rurais de áreas atingidas pela moratória receberiam menos pelo grão do que aqueles fora dessas regiões. A conclusão se baseia em informações declaradas pelos sojicultores, posteriormente cruzadas com bases oficiais.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ana Clis Ferreira, porta-voz da frente de desmatamento zero do Greenpeace Brasil, contesta a interpretação e diz que diferenças de preço estão mais relacionadas a fatores como acesso a rotas de escoamento e condições climáticas do que à moratória em si.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“A soja acaba sendo mais barata ou mais lucrativa em municípios que estão mais perto de zonas de escoamento. E a gente tem uma questão climática que a cada ano que passa está condicionando mais o plantio”, explica..&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;As informações sobre os preços da soja analisadas no estudo do IBCI foram coletadas por uma consultoria independente, sem envolvimento dos pesquisadores. No total, 1.091 produtores de 94 municípios de Mato Grosso teriam participado voluntariamente do levantamento — o que, segundo o próprio estudo, “pode gerar viés de autosseleção”. Embora os autores afirmem ter cruzado as informações com bases oficiais, a principal fonte continua sendo autodeclarada.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Fomos convidados a analisar os dados já coletados, e nossa contribuição foi estritamente técnica e não remunerada”, afirmam. Para especialistas, a falta de transparência sobre a origem e o recorte da amostra pode comprometer a interpretação dos resultados.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Autores já participaram de reuniões no Cade com entidades do agro&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;A disputa sobre a moratória da soja se intensificou no segundo semestre de 2025, com o avanço de ações no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O órgão vinculado ao Ministério da Justiça analisa se o acordo poderia ser caracterizado como prática anticoncorrencial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A Aprosoja e a CNA argumentam que a iniciativa funcionaria como uma coordenação entre multinacionais para restringir a compra de soja e controlar preços, o que poderia configurar uma espécie de cartel. Ambientalistas, no entanto, rejeitam essa interpretação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“Cartel é um acordo entre empresas para eliminar ou restringir a concorrência. No caso da moratória, as tradings se uniram para limitar o desmatamento na cadeia, não para excluir competidores”, afirma Tiago Reis, do WWF-Brasil.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em de setembro do ano passado, o Cade suspendeu a moratória por avaliar que o acordo poderia configurar prática anticoncorrencial. Em novembro, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu os processos em curso no país, incluindo o do Cade, e centralizou a discussão na suprema corte.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Registros públicos indicam que Eduardo Gaban e Cristiano Oliveira, autores do estudo do IBCI, já estiveram em reuniões na sede do Cade, em Brasília, que também contaram com representantes de entidades ruralistas críticas à moratória.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No caso de Gaban, a pauta do encontro menciona especificamente a Aprosoja. Já nas três reuniões com a presença de Oliveira, os registros também indicam a presença da advogada da CNA, Amanda Oliveira.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Segundo Oliveira, as reuniões estariam ligadas a um parecer técnico elaborado para a CNA, durante sua licença acadêmica. Ele afirma que não recebeu remuneração pela participação no Cade, embora suas despesas de viagem tenham sido parcialmente custeadas pela entidade. Já Gaban diz ter atuado, também sem remuneração, a convite de um escritório envolvido no processo em discussão no Cade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O Cade informou que reuniões com partes envolvidas são práticas comuns e que a lista de participantes é pública, mas não comentou o conteúdo discutido. A reportagem também procurou Aprosoja e CNA, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;‘Avanço do desmatamento compromete soberania nacional’&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Na avaliação de Ana Paula Valdiones, coordenadora do programa de conservação e clima do ICV (Instituto Centro de Vida), o combate ao desmatamento está diretamente ligado à soberania nacional. “É uma discussão de interesse nosso, sobre como a gente quer preservar ou não nossas florestas”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Na mesma linha, Ana Clis Ferreira, do Greenpeace, contesta a leitura de que a moratória, por ser um acordo privado, configuraria prática anticoncorrencial ou afronta à soberania. “O que efetivamente compromete a soberania nacional é o avanço do desmatamento”, afirma.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O embate ocorre em meio a incertezas sobre o futuro da moratória. Após mudanças legais em Mato Grosso, &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/01/esvaziamento-moratoria-soja-risco-reputacao-ambientalistas/"&gt;empresas deixaram o acordo&lt;/a&gt;, enquanto &lt;a href="https://www.theguardian.com/environment/2026/jan/26/uk-supermarkets-push-for-amazon-soy-safeguards-after-brazil-scraps-ban"&gt;compradores europeus&lt;/a&gt; sinalizaram preocupação. Estudo da UFMG indica que o enfraquecimento da política pode ampliar o risco de desmatamento e comprometer o acesso a mercados mais exigentes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;“É um enfraquecimento grande desse acordo, uma sinalização negativa e um retrocesso no aspecto dos compromissos de combate ao desmatamento”, afirma Valdiones.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;Repórter Brasil &lt;/strong&gt;também procurou a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), entidade que representa as principais compradoras de soja em operação no país, , mas não recebeu posicionamento até a conclusão desta reportagem. O espaço segue aberto a manifestações.&lt;/p&gt;


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									&lt;p&gt;Leia também&lt;/p&gt;								&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;
</description><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Carlos Juliano Barros</dc:creator><pubDate>Wed, 15 Apr 2026 17:31:22 +0000</pubDate><guid>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/estudo-ruralistas-stf-moratoria-soja/</guid><guid isPermaLink="true">https://reporterbrasil.org.br/2026/04/estudo-ruralistas-stf-moratoria-soja/</guid></item><item><title>Italy pressed over signs of illegal gold imports from Brazil</title><link>https://reporterbrasil.org.br/2026/04/italy-pressed-over-signs-of-illegal-gold-imports-from-brazil/</link><description>
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;ITALIAN LAWMAKERS&lt;/strong&gt; have asked Prime Minister Giorgia Meloni’s government to explain what measures the country has taken to combat imports of gold from Brazil that show signs of illegality. The request cites reports published by Repórter Brasil on how Italian refineries purchased gold from companies investigated for links to illegal mining operations in the Amazon.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/interrogazione_italia_ouro.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Parliamentary Question&lt;/a&gt; – the technical term for this type of request – was submitted on March 31 by MP Angelo Bonelli, of the Alleanza Verdi e Sinistra (Greens and Left Alliance) coalition. It was also signed by seven other lawmakers from the coalition and addressed to the ministers of the Interior, Economy and Finance, Environment and Energy Security, and Foreign Affairs.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The lawmakers want to know whether Italy’s current traceability and verification tools are adequate to address the risk of gold imports linked to environmental crimes, document forgery, and violations of Indigenous peoples’ rights. The parliamentary question also asks what initiatives the government intends to take, including through diplomatic channels, to prevent Italy from becoming a destination for gold illegally extracted from the Amazon.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Investigated suppliers&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;In June 2025, a report showed that the Italian refinery &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/06/refinaria-lista-fornecedores-apple-comprou-ouro-reus-contrabando/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;Italpreziosi had purchased the mineral from an importer under investigation&lt;/a&gt; in a scheme involving illegal gold extraction in Itaituba, in southwestern Pará state. According to police investigations, the criminal scheme involved Brazilian companies issuing false invoices — including in the names of deceased individuals — to conceal the true origin of the gold. Investigators say part of the product was extracted from illegal mining sites in the Munduruku Indigenous Territory.&lt;/p&gt;



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				&lt;/div&gt;
		



&lt;p&gt;In May 2024, Repórter Brasil had already shown that a shipment of &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/customs-holds-gold-hidden-activated-charcoal-purchased-big-techs-supplier/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;5 kilograms of gold powder mixed into 15 tonnes of charcoal&lt;/a&gt; had been purchased by another Italian refinery, Safimet, which specializes in precious metals refining. After finding the undeclared gold in the cargo, Brazil’s Federal Revenue Service at the Port of Santos blocked the export to Italy. Although the gold accounted for only 0.03% of the shipment’s total volume, it could have yielded BRL 1.9 million – nearly three times the value of the charcoal declared on the invoice.&lt;/p&gt;



&lt;figure class="wp-block-image size-large"&gt;&lt;img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1024x682.jpg" alt="Aerial view of a gold mining area in the municipality of Itaituba, in southwestern Pará, in the Brazilian Amazon (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)" class="wp-image-129427" srcset="https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-1024x682.jpg 1024w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-300x200.jpg 300w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1-768x512.jpg 768w, https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/04/vista_garimpo_itaituba_fernando_martinho-1-1536x1023-1.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /&gt;&lt;figcaption class="wp-element-caption"&gt;Aerial view of a gold mining area in the municipality of Itaituba, in southwestern Pará, in the Brazilian Amazon (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;



&lt;p&gt;Three years earlier, Chimet, a major Italian precious metals refinery based in Arezzo, Tuscany, was identified in police investigations as a &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2022/02/ouro-ilegal-da-terra-indigena-kayapo-termina-em-gigante-italiana-que-fatura-18-bi-de-reais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;buyer of gold illegally extracted from the Kayapó Indigenous Territory&lt;/a&gt; in southern Pará. The scheme was uncovered in Operation Terra Desolata, carried out by Brazil’s Federal Police. Repórter Brasil showed that Chimet appeared in the supplier &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2022/07/exclusivo-apple-google-microsoft-e-amazon-usaram-ouro-ilegal-de-terras-indigenas-brasileiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;network of companies such as Apple, Google, and Microsoft&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;All three companies were contacted by Repórter Brasil at the time the reports were published. Italpreziosi said it had found &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/06/integra-dos-posicionamentos-enviados-para-reportagem-sobre-refinaria-italiana-que-comprou-ouro-de-acusados-de-contrabando/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;no indication of illegality in the gold purchased from the importer under investigation&lt;/a&gt;. Safimet said it had made &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/05/integra-manifestacoes-apreensao-ouro-misturado-carvao-ativado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;a single purchase from the Brazilian company&lt;/a&gt; targeted by customs authorities at the Port of Santos and that it cancelled the deal after the material was seized by the Federal Revenue Service. Chimet, in turn, said that &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2022/02/integra-das-respostas-da-chm-do-brasil-e-da-chimet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;its gold purchases are accompanied by documentation&lt;/a&gt; certifying the metal’s lawful origin, but acknowledged “the risk that negative impacts may be associated with the trade and export of minerals from high-risk areas.”&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Federal prosecutors opened an investigation&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;In December 2025, Brazil’s Federal Public Prosecutor’s Office in Amazonas state (MPF) opened an inquiry to investigate the actions of the Brazilian state, the National Mining Agency (ANM), and other public bodies and entities in combating the irregular export of gold.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;The Italian refineries are not targets of the investigation. Still, the accumulation of allegations led prosecutors to seek explanations in order to understand what countries such as Italy and Switzerland are doing to prevent gold illegally extracted from the Amazon from entering their territories.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In March this year, the MPF sent a request for clarification to the Italian embassy in Brasília. The same request was also sent to the embassies of Switzerland, Belgium, and the United Kingdom. In the parliamentary question, lawmakers ask whether the Italian government is aware of that request.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Response may take time – or never come&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;Ministers have 20 days to respond to the Parliamentary Question. But that does not always happen. In some cases, parliamentary questions remain unanswered for years. That is what happened when the same issue first reached the Italian parliament, in 2022.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In September 2021, when Operation Terra Desolata became public and revealed the scheme linking clandestine Amazon miners to Chimet, the scandal reached Italy not only through the press, but also through official channels.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In February 2022, MP Devis Dori – who also signed this year’s parliamentary question – and three other lawmakers, all from the Greens and Left Alliance coalition, submitted a parliamentary question addressed to the same ministries. At the time, they wanted to know whether the government was aware of the facts revealed by the operation and what initiatives it intended to adopt to combat the illegal trade in precious metals.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Four years later, that parliamentary question still has not been answered. Contacted by the reporter, Dori said he had never received any reply from the government. He noted that the prime minister at the time, Mario Draghi, remained in office for only five months.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;His colleague Cristian Romaniello, who signed the 2022 parliamentary question, also never received a response. “It was the Draghi government, but that does not mean the question could not have been answered by the governments that followed,” the lawmaker said.&lt;/p&gt;



&lt;h2 class="wp-block-heading"&gt;Complaint against Chimet was shelved&lt;/h2&gt;



&lt;p&gt;At the same time, MP Angelo Bonelli –&amp;nbsp; the same lawmaker now leading this year’s Parliamentary Question – formally filed a complaint in February 2022 with the Public Prosecutor’s Office in Arezzo, where Chimet is based. The complaint requested the opening of an investigation to determine whether the accusations raised by Brazil’s Federal Police had grounds under Italian law.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;In response to Repórter Brasil, the Arezzo prosecutor’s office said the complaint had been registered “as fatti non costituenti reato” (“facts not constituting a crime”) and shelved in May 2022.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Bonelli himself was unaware that the complaint had been shelved. When informed by &lt;strong&gt;Repórter Brasil&lt;/strong&gt;, he said that the main obstacle to investigating the purchase of illegal gold in Italy lies in traceability. According to him, when gold enters the country accompanied by formal Brazilian documentation, challenging its origin becomes difficult.“If those responsible are not identified, the cycle continues,” he said. In the lawmaker’s view, Europe is &lt;a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/09/italian-jewellery-sector-blames-brazil-for-illegal-gold-entering-the-country/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"&gt;still falling short by failing to impose stricter controls&lt;/a&gt; on raw materials coming from areas marked by exploitation and deforestation.&lt;/p&gt;



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